2
jun

Ler no ônibus

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Eu ando cada vez mais sem tempo. Não entendo por que, só sei que é assim. Quando eu fazia faculdade e não tinha tempo para nada, achava que depois de formado eu teria as noites sempre livres. Mas aí tem a louça, a academia, outros compromissos e não vamos esquecer da vida social. Com tudo isso, fica difícil manter um padrão de tempo para leitura. E se tem coisa que me irrita é não ter tempo para ler e eu deixar livros acumulando (e eu tenho muitos acumulados). É sempre aquela sensação de que deixei de fazer alguma coisa.

Mas ainda bem que existem os ônibus. Claro que eu não pego ônibus só para ter tempo para ler, mas ajuda. Não importa se estou em pé ou sentado, lá estou eu com um livro na cara. Acho até que as pessoas me acham um pouco estranho, porque eu faço malabarismos para segurar o livro mesmo às 18h de uma quarta-feira.

Mas eu já perdi as contas de quantas vezes eu iniciei e finalizei uma obra dentro do transporte coletivo. Eu, inclusive, às vezes torço para que tenha um pouco de trânsito pra eu poder avançar na história. É um dos raros momentos em que eu me desconecto do celular, fone de ouvidos e mensagens para ter um tempo pacífico em meio aos caos da cidade. E eu adoro.

Beijos

Rodrigo

26
mai

Vou contar uma história de amor

Minha cunhada Florinha, minha mãe Noeci e minha sogra Dinah (sentada): três meninas de ouro.

Minha cunhada Florinha, minha mãe Noeci e minha sogra Dinah (sentada): três meninas de ouro.

Dinah e Florinha eram mãe e filha e, muito mais do que isso, amigas e companheiras de uma vida inteira. Conviveram por 68 anos, até domingo passado, quando Florinha se foi, mansa como um passarinho, o corpo pequenino, o rosto altivo, expressão serena e amável. Contava 87 anos menos cinco dias.

Dinah vai comemorar 88 em 2 de agosto e pela primeira vez não receberá o abraço carinhoso da filha ou a ligação telefônica desejando “paz, amor, saúde, compreensão” – bordão sincero da família para os aniversariantes.

Como são, então, mãe e filha, se ambas tinham a mesma idade?

Suas vidas se entrelaçaram por arte de Octacílio, jovem viúvo de 36 anos. Os olhos azuis encantaram a moça Dinah, recém chegada aos 18, e depois de oito meses de namoro e noivado, os dois se casaram. O noivo trouxe junto a filha Florinha, da mesma idade da madrasta. A sintonia foi imediata e elas zelaram pelo relacionamento como cuidariam dos filhos. Sem brigas, sem disputas, sem cara feia.

A enteada casou em seguida e a prole das duas começou a chegar. Quatro filhos para cada uma. Eles foram nascendo juntos, quase aos pares, o que gerou uma confusão de respeito, com sobrinhos mais velhos que os tios, e tios-avós ainda meninos.

Lá pelos 15 anos, o terceiro guri da Dinah, Claudio, perguntou para a mãe, tentando entender o rolo familiar: “Afinal, o que a mana é minha?”.

Essa história não termina com a despedida da Florinha, cuja herança de bondade e delicadeza jamais se perderá. Mas hoje Dinah está mais triste. Ela só encontra consolo na certeza de que algum dia reencontrará a filha e toda a turminha que já partiu dessa vida, um sonho que acalenta há algum tempo, desde que marido, um filho e todos os irmãos a deixaram.

Dinah é minha sogra e Florinha, minha cunhada. Mas frequento a família Valério há 37 anos e as trago no coração como mãe e irmã. Tenho certeza de que minha vida foi muito melhor por causa delas e do amor que nos entregaram.

Marisa Valério

18
mai

Trintão de 80

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Ôôôôôôô

O buyling voltoooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu

Ôôôôôôô

O buyling voltooooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu

Ôôôôôôô

Pois é, o bullying dos tão queridos – talvez eu deva reavaliar a definição de queridos – colegas de trabalhou ressurge das cinzas. A mais nova teoria é a minha verdadeira idade. O veredito é que sou um trintão – quero deixar claro que tenho apenas 33 anos – com a mentalidade de um ancião na casa dos 80 anos.

Gente, preciso dizer que não é bem assim. A única relação que tenho com a dezena 80 é o ano de nascimento – longínquos 1984.

Tudo começou quando comentei o amor que os jovens estudantes devem ter pela minha rica pessoa no condomínio onde moro. O por quê? Apenas, veja bem, apenas, por causa de uma ideia que foi acatada em reunião de condôminos para limitar as pessoas nas áreas comuns, lista de convidados para churrascos, aniversários e outras festas e horário de uso. Ok que a sugestão foi minha. Mas alguém precisava acabar com a party mucho louca que rolava nas tardes e noites de sábado.

Outra proposta que devo levar na reunião de outubro – alvo de forte oposição e críticas dos work friends – é a proibição do Airbnb onde moro. Pensem comigo e vejam se não estou certo: são aproximadamente 250 apartamentos e mil pessoas morando e dividindo os mesmos espaços comuns. Imagine se 30% dos proprietários adotarem a pratica… será um turnover enlouquecedor para quem – na maioria das vezes – optou por morar em um apartamento pela segurança.

Antes que digam, amo a nova economia, criativa ou colaborativa, como preferirem chamar. Sou um apaixonado por viajar e tenho um lado crazy quando o assunto é leitura sobre finanças pessoais, investimentos e orçamento familiar. Faço tudo que posso pela internet. Até a minha conta no banco é digital. Tenho orgulho cada vez que vejo um novo negócio voando alto.

Enfim, duas ideias não podem me definir como um ancião com o corpinho de 30. Até o meu amor por uma caneta BIC que sempre carrego com o caderno de anotações virou motivo para as teorias da minha idade real.

Gente, era uma BIC!

Assunto para o próximo post…

Beijo

Wellington

5
mai

A tal da internet

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Não há como viver sem internet. Fato! Essa semana houve um problema técnico no escritório, ficamos sem conexão e foi simplesmente desesperador. Não há como trabalhar. Você escreve um texto, faz algumas ligações, mas depois precisa enviar os materiais para o cliente e para a imprensa por email. Você usa os dados do celular, o webmail, mas logo se dá conta de que isso não resolverá todas as suas demandas do dia.

A tal internet é tão recente, mas já não lembramos como era viver sem ela. Durante esse episódio de falha técnica estava tentando recordar como fazíamos para nos comunicar, enviar releases, notas, etc. Lembrei-me de um aparelho de fax que usava na primeira assessoria de imprensa em que trabalhei. Ele era de grande valia para enviar notas e textos para os jornalistas mais velhos da redação. Nessa época já se usava a internet, mas muitos ainda não eram familiarizados e não se rendiam às facilidades da rede.

Uma colunista social da Gazeta do Povo recebia as fotos impressas, com as legendas nas etiquetas coladas no verso, isso nos anos 2000. Também recebi muita sugestão de pauta via fax quando trabalhei em rádio, principalmente comunicados da Câmara de Vereadores e da Prefeitura.

Nesta semana ainda passamos pela “queda” mundial do WhatsApp. O mundo ficou sem o serviço por umas duas horas e quando voltou os celulares lá em casa apitavam enlouquecidamente.

Já nos acostumamos com as facilidades da internet e ela foi incorporada a nossas rotinas pessoais e de trabalho a ponto de sermos completamente dependentes. Quando passamos por essas “panes” dá até certo frio na barriga. Que não aconteça novamente, amém!

Beijos,

Aline Cambuy

27
abr

O.J. Simpson e eu

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Eu já havia ficado obcecado com a série American Crime Story: The People vs. O.J. Simpson. Para quem não conhece (por favor!), o seriado conta a história de um dos julgamentos mais famosos do mundo. O jogador de futebol O.J. Simpson (uma espécie de Pelé dos EUA) foi acusado – e posteriormente inocentado – do assassinato da ex-mulher, Nicole Brown Simpson, e do garçom Ronald Goldman, em junho de 1994. Eu vi a série em poucos dias, indiquei para todo mundo e quase aplaudi de pé quando acabou (talvez tenha aplaudido, vocês nunca saberão).

Mas eu queria mais. Eu comprei o livro em que a série foi baseada. E agora eu sou um especialista no caso. Eu conheço Los Angeles como a palma da minha mão. Sei o nome de ruas. Sei um pouco sobre a legislação norte-americana. Sei sobre a cobertura midiática da época. Sei como estão todos os envolvidos no caso atualmente. Fui atrás das provas, dos depoimentos, das notícias.

Eu também fui ver o documentário ganhador do Oscar deste ano, O.J.: Made in America, que conta com ainda mais detalhes o que ocorreu. Vi os vídeos originais. Fiquei novamente revoltado. Entendi todo o contexto da época e por que transformaram a causa em uma questão racial. Me senti a própria promotoria. A história é tão surreal que é impossível desgrudar os olhos de tudo o que acontece.

Fiquei tão obcecado que eu indiquei a série para a Stphnny, minha colega aqui da Talk. Ela chegou dizendo que não conseguiu dormir até terminar. E agora pediu o livro emprestado. Eu emprestei. Sinto que estou criando moda ou um monstro.

Atualmente, o ex-jogador está preso por assalto a mão armada e sequestro. Acho que eu preciso dar um tempo na história do O.J. Entretanto, vocês sabem que ele sai da prisão esse ano, né? Ai, meu Deus.

Beijo

Rodrigo

20
abr

O maníaco das finanças

Tio-Patinhas

Sou um cara preocupado com dinheiro. Admito. Talvez por ter passado por algumas dificuldades financeiras ou por numa ter dinheiro sobrando eu levo a coisa ainda mais a sério.

Até pouco tempo eu pensava que não era algo que eu deveria me preocupar. Afinal, faço coisas bem simples e normais. Tento forçar as compras para o pagamento no débito – crédito apenas para parcelar algo que seja o mesmo valor à vista – e anoto todos os gastos diariamente. Abro o app da conta todos os dias para saber se está tudo em ordem, sigo portais sobre investimentos e leio notícias sobre o assunto todos os dias, aplico o pouco que consigo reservar assim que o salário entra na conta – quase que com a voracidade do leão retido na fonte – e atualizo ao final do mês uma planilha no Excel com gráficos de receitas, despesas e previsão para o ano.

Sou daqueles que se metem nas conversas alheias sobre finanças e investimentos, prontofalei.

Então, tudo normal, não é mesmo?

Também acho. Todos fazem isso e até mais. Não?

Comecei a me dar conta com duas frases que abalaram a minha fortaleza. “Wellington, você sempre foi assim rígido com dinheiro?” e “O Wellington não conta pois é mão de vaca”. Logo eu, aprendiz de Gustavo Cerbasi.

Admito, fiquei bem abalado. Vou ali ler um artigo sobre tesouro direito para acalmar o coração. O maníaco das finanças.

Beijo

Wellington

13
abr

A tal da intimidade

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Trabalhei durante 15 anos no mesmo lugar. Por mais que o turn over me trouxesse gente nova para o convívio, havia um grupo de colegas por ali criando limo há tanto ou mais tempo do que eu.

O tempo traz uma certa intimidade e a gente fica sabendo coisas uns dos outros que meudeosdocéu!

O fato é que com o tempo revelam-se os apelidos da infância, desvendam-se as manias e fobias, os gostos por comida, a avareza na mesa do bar…

Até os parentes que nunca vamos conhecer vez por outra aparecem nas conversas como velhos camaradas, protagonistas de cenas familiares passadas que nos ajudam a entender o colega no presente.

Sinto falta daquela turminha e de suas vidas nada secretas. Das piadas internas – “todos me chamam de bosta!” – que só nós entendemos. Da naturalidade com que certos mal estares físicos, países altos ou baixos, eram apresentados na reunião de planejamento.

Um ano depois de “firma nova”, aqui estou, percebendo um novo fio de intimidade se desenrolando. E não adianta querer saber apenas dos dotes profissionais do colega.

Mais cedo ou mais tarde, a gente começa a entender o olhar, a decifrar o silêncio, as reservas vão descendo a ladeira, as resistências vão desmoronando, e lá vamos nós para a estranha descoberta do outro.

E isso tudo é muito divertido e reconfortante. É o que confere o necessário grau de calor humano a qualquer relacionamento, inclusive no ambiente de trabalho.

Escrevi tudo isso porque meus novos colegas acabam de descobrir que não rejeito alimentos com data de validade vencida, se não houver outros indicativos de que são impróprios para consumo.

Eles que se acostumem. Vem coisa muito pior por aí!

Feliz Páscoa, pessoal!

Marisa

7
abr

Dia 7 de abril, Dia do Jornalista

Dia-do-JornalistaCresci sonhando em ser jornalista. Claro que, como toda criança, em algum momento pensei em ser aeromoça ou até paquita, mas a vontade de ser jornalista foi a que perdurou na adolescência. Hoje sou uma profissional realizada. Tenho certeza de que fiz a escolha certa e sou feliz com o meu trabalho todos os dias.

O jornalismo me proporciona muitas realizações e aprendizados. Circulo por setores bastante distintos e aprendo mais um pouquinho com cada um deles. Um dia meu irmão caçula me perguntou: “Você entende mesmo sobre tudo que escreve?”. Ele me contou que colocou meu nome no Google e encontrou matérias sobre gastronomia, saúde, transporte, gestão de pessoas, arte, moda, cultura, etc. Dei muita risada com a dúvida dele, mas em seguida expliquei que não sei um pouco sobre tudo, mas que o desafio está em buscar respostas e informações para tentar entender e depois escrever em uma linguagem em que o leitor entenda também. E isso é muito instigante.

Outra alegria como comunicadora é o relacionamento com as pessoas. Sou apaixonada por isso. Adoro conhecer gente e ouvir boas histórias. Aliás, são as boas histórias que costumam render as melhores matérias.

Neste dia 7 de abril, parabenizo a todos os colegas jornalistas.

Beijos,

Aline Cambuy

30
mar

Eu tenho uma tia confeiteira

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Eu venho de uma família muito doce. Minha avó fazia aqueles bolos artísticos e gigantescos que enfeitam casamentos pomposos. Meus aniversários eram sempre temáticos e viviam cheios de amiguinhos da escola – hoje suspeito que eles compareciam menos por causa de mim e mais por causa das guloseimas, mas divago.

Minha tia Dorotéia, filha da minha avó, herdou o talento e trabalha com confeitaria. Desde pequeno eu a vejo cozinhar. Quando passei a morar com ela, há 12 anos, convivi com chocolates no mármore, bolos de todos os sabores, docinhos, salgadinhos e tudo o mais que vocês possam invejar.

Ter uma tia confeiteira é realmente bacana, mas engana-se quem pensa que eu chegava em casa e me deparava com a fantástica fábrica de chocolates ou era herdeiro do Willy Wonka. Muito sábia, tia Dorotéia faz os quitutes contadinhos sob encomenda. Até sobram alguns uns brigadeirinhos, mas nada para se lambuzar tanto. É uma ilusão.

Mas é engraçado ver a reação das pessoas. “Como você não engorda? Você deve comer isso todo dia! Uau, que sorte. Que delícia.”

Os docinhos da festa de 10 anos da Talk foram feitos pelas mãos da Dorotéia e foram um sucesso, mas lá em casa não sobrou muita coisa, não.

Aqui na Talk nós devoramos os docinhos remanescentes. A Marisa ficou obcecada pelo espelhado de damasco. A Aline ficou fascinada pela trufa. O Wellingtou gostou mais do coco queimado. A Stphnny adorou o camafeu. E eu fiquei todo orgulhoso da titia.

Ah, e não passem vontade. Se quiserem encomendas e amostras, o telefone da Dorotéia é (41) 99920-5411. As encomendas de Páscoa já estão aí.

Beijos

Rodrigo

23
mar

Solidão tecnológica

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Amo ler sobre novas tecnologias, redes sociais, vida digital e tudo que envolve o virtual. Quem me conhece pode confirmar. Quem sabe será capaz de me rotular como um chato por sempre saltar com uma opinião quando o assunto é abordado. Mas aí digo que sou jornalista e tudo se explica quase que instantaneamente. Ouso dizer que algumas vezes ouço até um ah tá.

Mas hoje jogarei contra. Não para derrubar a tecnologia. Essa não tem culpa. Nós somos os culpados. Seres humanos incapazes – na maioria das vezes – de encontrar o equilíbrio para as coisas da vida. E não, não é apenas a geração Y ou Z. A X e todas as outras também estão no mesmo bolo.

Sinto que vivo em um mundo high tech zumbi. Olho ao meu redor e vejo pessoas caminhando nas ruas mergulhadas nas telas dos smartphones. Mesas de bares e restaurantes com amigos conectados na fofoca mais quente ou no vídeo que recebeu no WhatsApp. Até nas famílias o papo parece ter ficado para o virtual.

Há momento para tudo. Inclusive para consumir as informações disponíveis nas redes sociais, sites e qualquer outro espaço virtual.

Uma pesquisa recente aponta que acessamos o smartphone quase cem vezes por dia. Quatro vezes por hora. Uma vez a cada quinze minutos. Aí pergunto: precisamos de tudo isso? Falo por experiência pessoal de um ser em processo de desintoxicação.

Que tal tentarmos uma experiência?

Entrou em um ônibus? Não caia na tentação de pegar o celular e observe a sua volta. Muita gente alheia ao que acontece no mundo ao seu redor? Pois é.

Vai andar como carona em um carro? Deixe o smartphone no bolso ou na bolsa e converse. Talvez o seu amigo tenha alguma história bacana para compartilhar.

Pegou um táxi, Uber ou Cabify? Puxe assunto com o motorista. Quem sabe você vai descobrir que ele trabalhou em uma multinacional e agora dirige profissionalmente para ter mais tempo com os filhos enquanto a esposa sai para trabalhar.

Está em uma roda de bar, restaurante ou em família? Apenas deixe que o silêncio seja quebrado por um assunto qualquer.

Garanto que, na pior das hipóteses, a carga do smartphone terá durado mais que 12 horas.

Viva a vida.

Wellington