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23
jul

YouTuber

Como criar capítulos em vídeos no YouTube - TecMundo

Já dizia o meme na internet: nunca diga dessa água não bebereis, porque vai que bebereis, né? Sou a prova viva disso, pois eu dizia, repetia e reafirmava que se um dia eu virasse youtuber já poderiam me internar. Pois podem me enviar para alguma instituição, porque eu não somente virei youtuber como estou levando tudo muito a sério. E YouTube é sério.

Tudo começou há uns dois anos em uma disciplina de pós-graduação. O trabalho era criar um canal no YouTube para estudar novas formas de produção de conteúdo. Foi uma trabalheira, porque além de gravar, editar, criar uma logo, fazer artes e criar páginas nas redes sociais, nós tínhamos que pensar aquilo como um pequeno modelo de negócio. Fizemos, porque tinha de ser feito.

No meu grupo, eu me voluntariei para ser a pessoa a apresentar aquilo na frente da câmera, porque lá no fundo, eu sempre quis me aparecer, mas só no fundo mesmo. Na superfície eu tirava sarro de youtubers, dizia que isso não se sustentava, que era uma besteira, que estava fadado ao ostracismo, que ganhar dinheiro com isso era um ultraje. Tudo isso quando eu mesmo consumia muito conteúdo pela plataforma. O assunto do canal seriam séries de TV, porque é o assunto que mais domino, consumo e já escrevia sobre isso em um site. Mas não teria como fazer isso totalmente sóbrio, então eu sugeri falar sobre série tomando uma taça de vinho. E assim nasceu o Vino Série.

Pois muito que bem, depois do trabalho apresentado, o resultado foi bastante surpreendente para mim, porque aparentemente as pessoas gostaram daquilo. Eu agradeci e segui em frente, porque se eu virasse youtuber vocês poderiam me internar…

Depois de uns meses e mais elogios, decidi fazer mais um vídeo, só mais unzinho. Fiz. Gostaram. Aí fiz mais um. Mais um. Mais outro. Fui fazendo aleatoriamente e hoje tenho 79 videos e mais de 2.800 inscritos, o que é pouco perto de outros canais considerados até mesmo pequenos, mas eu estou bem felizinho, porque percebi ali dentro que de fato a plataforma é uma grande comunidade. Recebo elogios passionais de gente que assiste ou lê as coisas que eu indico apenas porque eu disse que valia a pena.

Estou dizendo tudo isso porque eu só decidi encarar o YouTube a sério no final do ano passado, comecinho desse ano. São vários os motivos, motivos profundos, que me levaram a transformar esse canal despretensioso em um projeto de vida. Basicamente eu percebi que eu poderia passar a vida toda reclamando e sendo aquele comunicador frustrado ou de fato produzir coisas que eu gostava, do meu modo, falando do meu jeito e me comunicando da minha forma.

Produzir vídeo para o YouTube me lembrou que desde criança eu sempre fui uma pessoa artística, que dançava, atuava, desenhava e tinha ambições de ser ator. Alguns percalços da vida (e algumas pessoas) foram minando esse meu lado, até que me fechei e endureci.

E quem diria que esses youtubers que que eu tanto critiquei iriam fazer eu me lembrar dessa pessoa que um dia eu fui. Hoje eu leio os comentários das pessoas que assistem a meus vídeos e fico orgulhoso de mim, porque eu passei anos e anos querendo falar e me escondendo e me sabotando. Fora que percebi como a forma de consumir e produzir conteúdo vai mudar ainda mais. E que fazer vídeo para o YouTube não é nada simples e envolve planejamento, roteiro, estratégias e uma boa dose de paciência. 

Então é isso. Lá no meu canal eu falo enquanto bebo vinho. E hoje não falo só sobre série, mas também sobre filmes e livros. Vem me ver: https://www.youtube.com/vinoserie

Beijos

Rodrigo

9
jul

Home office e homeschooling

home-office

Nós jornalistas já estamos, ou deveríamos estar, mais adaptados ao home office. Mesmo quem precisa sair para trabalhar, costuma ter um notebook e uma boa internet em casa. Faz parte da nossa profissão. Estamos conectados o tempo todo. Com o início da pandemia e a necessidade de isolamento social, fomos obrigados a levar o trabalho pra casa, assim como outros tantos
profissionais de diferentes áreas. Sorte a nossa que a profissão nos permite essa flexibilidade do trabalho remoto.

O problema é que toda a família se viu em quarentena ao mesmo tempo. As escolas fecharam, muitos estabelecimentos comerciais também. Na minha casa são dois estudantes, um no ensino fundamental e outro na universidade. Pois bem, tanto a escola do pequeno quanto a faculdade do mais velho iniciaram rapidamente as aulas online. Foi então que começou uma nova rotina, nunca antes imaginada por nós, e que testa todos os nossos limites.

Para o universitário foi mais fácil, pois ele não depende do meu auxílio para seguir com as aulas e compromissos da faculdade. Mas com o pequeno a história é bem diferente. Parece fácil. Basta ligar o computador e acessar o link da aula. Aí coloca um fone de ouvido na criança e deixa ela interagindo ao vivo com os professores e colegas.

Mas na prática não é assim. O link cai, a criança clica no botão errado e não consegue mais ver a tela compartilhada da professora e os alunos falam todos ao mesmo tempo, desafiando a paciência da professora que usa todas as suas habilidades para manter o foco das crianças.

Sem falar nas interferências de se estar em casa. Cada um quer mostrar o seu quarto. Cada um tem um animal de estimação para apresentar e brinquedos que querem exibir.

E ainda tem o home office. Como já está bem claro que essa pandemia vai longe, fomos obrigados a nos adaptar. Busco conciliar as agendas. Não marco nenhuma call no horário das aulas ao vivo. Enquanto ele participa das aulas eu trabalho, no mesmo cômodo, assim posso auxiliá-lo se precisar. Quando tenho as minhas reuniões e preciso de silêncio, explico para ele e oriento que vá brincar no quarto ou veja televisão.

Escrevendo assim, até parece fácil. Mas não é. Esses dias briguei com ele no meio de uma aula ao vivo e nosso microfone estava ligado. Depois outra mãe me chamou no whats e disse que ouviu a bronca. Fiquei um tanto envergonhada.

Tem ainda os trabalhos e atividades para fazer em casa, que parece que não daremos conta de concluir nunca. Nos finais de semana tentamos colocar essas tarefas em dia para enviar na segunda-feira pelo grupo de whats da escola. Quando penso que zeramos, vejo uma mãe mandando um trabalho que nem estava na nossa lista.

O fato é que essa pandemia tem nos ensinado muito. Aprendemos a fazer melhor a gestão do tempo em casa, conciliando trabalho, filhos e afazeres domésticos, na medida do possível. Exercitamos a paciência e tentamos controlar a ansiedade. Tenho feito um esforço danado para brigar menos e compreender que todos estamos angustiados e precisamos manter a calma.

Com amor, respeito e uma dose extra de paciência, seguimos em frente. Torcendo para que nossas vidas voltem logo ao normal e que essa experiência contribua para a nossa evolução.

Vai passar!

Beijos,

Aline Cambuy

3
abr

Surtos e devaneios

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Temos um talento incrível para tentar prever o imprevisível. Eu mesmo posso até dar aula sobre como fazer isso. Posso formatar um curso e oferecer numa live insuportável do Instagram: como desgraçar sua cabeça e pensar no pior em 8 pequenos passos – um curso para a vida.

Tem gente que tem esse talento incrível para o bem. Consegue pensar positivamente no futuro e misteriosamente as coisas de fato dão certo. Tenho uma amiga que pensa tão positivo que hoje mora no Canadá, namora um canadense maravilhoso, conseguiu trabalho na própria área (jornalismo) e está feliz da vida em sua quarentena vendo a neve cair. Ela nunca duvidou que a vida seria boa.

Eu, não. Nessas épocas de coronavírus, pandemias e gente maluca, eu estou virando o mestre da previsão e das perguntas do futuro.

E se o dinheiro acabar? E se eu perder o emprego? E se o dinheiro acabar, eu perder o emprego e tiver que fazer um post no Facebook pedindo ajuda? Tem grupos no WhatsApp também, talvez seja uma boa. Pra quem eu posso pedir dinheiro emprestado? Bancos? E se eu passar fome? E a minha gata? Terei feno para meu porquinho-da-índia? Será que farei sucesso com meus vídeos no YouTube? Um dia eu vou morrer. Mais do que isso. Um dia todos que eu amo vão morrer. Qual o sentido? O capitalismo não faz sentido. O que nos espera após a morte? Mas uma coisa é certa: tudo vai dar certo. Mas e se não der? Eu deveria viver com menos? Por que não economizei? Deveria ter feito aquela viagem. O ser humano é triste. Vou conseguir comprar a ração boa pra minha gata? A areia dela está acabando. Será que eu poderei adotar uma criança? Tenho condição de adotar uma criança? Mas se eu não tiver dinheiro. A vida faz sentido? Será que se eu não tivesse saído de Matinhos agora eu seria um pescador ou um surfista? Nunca aprendi a surfar. Esqueci de comprar arroz. Por que o molho do macarrão ficou tão ruim? Minha desorganização será o meu fim. Posso aproveitar a quarentena para ler. Por que não consigo ler? Provavelmente até dezembro estarei falido. Devo começar a chorar? No fim tudo dará certo. Será que no fim tudo dará certo? O ser humano está destruindo o ecossistema.

Haja terapia.

Rodrigo

 

5
mar

13 anos

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Hoje é dia de celebrar! A Talk completa 13 anos. E nós temos orgulho de participar dessa jornada que é vivida com muita dedicação e alegria. Até aqui, contamos diversas boas histórias, firmamos parcerias vitoriosas e fizemos grandes amigos. E é assim que queremos continuar.

Vivemos grandes mudanças na comunicação empresarial e evoluímos junto com o mercado. Por isso estamos sempre inventando moda. Em breve, apresentaremos novidades para vocês.

Obrigada a todos que acreditam no nosso trabalho.

Beijos,

Aline Cambuy e Marisa Valério

17
jan

Intimidade

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Assumi as saudades como um elemento constante dentro de mim, que às vezes sinto quase como uma dor física no peito. Como as saudades que sinto de Portugal. É o país em que morei por um período da minha vida e que sempre esteve comigo, por meio das histórias do meu avô, imigrante da Ilha da Madeira. No ano passado, pude retornar ao país lusitano e à cidade em que vivi, Coimbra, que não por acaso inspirou o fado “Saudades de Coimbra”, do poeta José Afonso.

“Ó, Coimbra do Mondego

E dos amores que eu lá tive

Quem te não viu anda cego

Quem te não amar não vive”

E o clássico fado “Balada da Despedida”, criado pelo poeta e compositor Fernando Machado Soares.

“Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida.

Que as lágrimas do meu pranto, são a luz que lhe dá vida.

Quem me dera estar contente, enganar minha dor.

Mas a saudade não mente, se é verdadeiro o amor”

Só de ler essas palavras já me afloram as saudades outra vez.

Coimbra é uma cidade de passagem para a maioria das pessoas que vivem ou viveram lá. A maior parte dos moradores são estudantes que vão à Universidade de Coimbra, como foi meu caso, e que após um período de estudos e das vivências alegres da juventude pelas ruelas da cidade, voltam para suas casas em outras partes do país ou do mundo.

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Passei apenas um dia e meio em Coimbra durante minha última viagem — cheguei lá no dia do meu aniversário de 27 anos, o que tornou a data ainda mais especial para mim —, mas foi o suficiente para meu peito se renovar de amores por aquele lugar.

Fiquei emocionada ao pisar novamente naquela que foi a minha cidade anos antes. Foi com muita alegria que novamente cruzei a ponte de vitrais coloridos sobre o Rio Mondego, subi e desci as infindáveis ladeiras da cidade, parei para tomar uma ginjinha em uma tasca e comemorei a idade nova com um expresso e um pastel de nata com muita canela em um dos cafés nas redondezas do Largo da Portagem.

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Caminhando pela Baixa de Coimbra, passei em frente ao predinho em que vivia, uma residência estudantil que abriga algumas dezenas de estudantes de várias partes do mundo e, para minha sorte, encontrei um dos proprietários do local, o Miguel, ali em frente. Após conversas sobre os velhos tempos, ele me deu a chave para que eu pudesse entrar e relembrar os momentos em que vivi ali. Como foi bom poder novamente subir aquelas escadas, caminhar por aqueles corredores que seriam tão comuns para alguns, mas cheios de significados e memórias para mim.

Quando eu e meus colegas de residência vivemos ali, anos antes, havia duas ou três fotos em uma grande parede de um grupo de pessoas que moraram ali antes da gente. Antes de cada um voltar para suas cidades e países de origem, colamos várias fotos de momentos nossos por ali também. Eu me questionava se aquelas imagens continuariam ali, anos depois, e sim, lá estavam elas, agora ao lado de dezenas de outras fotos de quem morou ali nos anos posteriores.

Recebi muitas mensagens de amigos que viveram comigo naquele período quando viram algumas fotos que postei do nosso antigo lar. Com uma amiga, que era a mais próxima quando vivemos ali, falei sobre tudo o que eu senti de volta a Coimbra, e ela falou sobre como, mesmo anos depois, a cidade ainda continuaria nos sendo íntima.

Gostei de pensar o conceito de intimidade para uma cidade. Na verdade, esse adjetivo foi o que melhor descreveu o que senti nesse breve retorno. Sinto que, mesmo passado o tempo, Coimbra continuará sempre íntima, com suas ruas de pedra que estão lá há séculos, as casinhas e prédios tipicamente portugueses, a tranquilidade da vida. Muda-se algo do cenário, muito dos moradores, mas, no fim, é sempre como reencontrar uma velha amiga que amamos. Eu guardo meu afeto por ela, e ela minhas lembranças vividas ali, tão doces quanto licor de ginja.

Stephanie D’Ornelas

27
mar

5 aplicativos para aprender algo novo todos os dias

Nerina, do artista Mazzani. Google Arts & Culture procura obras de arte semelhantes a selfies. Segundo o app, essa obra se parece comigo.

Nerina, do artista Mazzani. O aplicativo Google Arts & Culture procura obras de arte semelhantes a selfies. Segundo o app, essa se parece comigo.

Nos dias de hoje, é difícil encontrar uma pessoa que não esteja sempre dando aquela olhadinha no celular ao longo do dia. Se você é uma delas, já pensou em aprender uma informação nova quando estiver com o smartphone na mão? Existem infinidades de aplicativos gratuitos voltados para o ensino — há opção desde para quem quer aprender chinês até para quem quer tocar um novo instrumento.

Nesta lista, selecionei cinco dos meus aplicativos favoritos para nunca deixar de aprender. Confira:

DailyArt

Já pensou em ter, todos os dias, uma fotografia de uma obra de arte na tela do seu celular? É assim que funciona o DailyArt, um app gratuito para inspirar os amantes das artes. E, se você gostar da obra do dia, basta clicar nela para obter mais informações sobre sua produção e autor.

Google Arts & Culture

Aqui vai outra dica para quem curte arte: o Google Arts & Culture. O app gratuito é mantido pelo Google em parceria com museus espalhados por diversos países. Com ele, é possível fazer visitas virtuais a algumas das maiores galerias do mundo e ler textos inspiracionais. Uma das ferramentas mais interessantes do app é o Art Selfie, que compara sua selfie com obras de artes ao redor do mundo parecidas com você.

Pocket

Sabe quando você encontra um texto legal na internet mas não tem tempo para ler no momento? O Pocket é perfeito para salvar links interessantes para ler depois. Os textos escolhidos podem ser salvos no aplicativo, e, além disso, a plataforma sugere outras leituras com base nos seus interesses.

Curiosity

O Curiosity é o app ideal para pessoas curiosas que nunca param de aprender. A plataforma dispõe de textos diários com informações relevantes sobre o mundo. Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas em inglês.

TED Talks

O TED é uma série de conferências realizadas em vários países do mundo que tem o objetivo de expor, segundo as palavras da própria organização, “ideias que merecem ser disseminadas”. Além do site oficial e do Youtube, as palestras do TED também estão disponíveis no app. O aplicativo permite que você selecione seus principais interesses para receber sugestões personalizadas de vídeos.

Stephanie D’Ornelas

5
fev

De saudade, orgulho e inveja!

Tempos de Copa, alegria e esperança.

Tempos de Copa, alegria e esperança.

Nas mãos, em papel jornal, a edição histórica dos 100 anos da Gazeta do Povo. Os olhos leem a capa e identificam os elementos gráficos: a “linguiça”, trazendo notinhas do lado esquerdo, a manchete e a foto principal em cinco colunas, os titulinhos e as chamadas ao pé da página.

Rever uma edição da Gazeta em papel pode ser nada para quem nunca desenhou e editou uma primeira página, mas é muito para quem participou dessa gincana por anos a fio. O passado não tem idade e o coração dispara com as lembranças: a tensão do diagrama em branco e de escrever a manchete, a dúvida sobre a melhor foto, a dificuldade de derrubar chamadas importantes em troca de outras mais importantes ainda…

O medo eterno de em poucas horas – entre a meia-noite e as seis da manhã – descobrir que escolheu errado: a manchete era outra, havia uma foto melhor, alguma coisa ficou de fora daquelas seis colunas.

Quando isso acontecia, o dia virava uma desgraça só. Em compensação, as boas capas davam um orgulho danado e até as reuniões de MCIs ficavam mais suportáveis.

A edição especial veio com 96 páginas, mas algumas delas – além da prima – são como gatilhos de saudade: a Coluna do Leitor, Entrelinhas, as páginas de opinião…

O mergulho definitivo na nostalgia vem nas crônicas refinadas da Marleth Silva e na avalanche de memórias do José Carlos Fernandes, dois dos grandes com quem dividi minha vida durante 15 anos. Com tantos nomes para recordar e homenagear, o Zeca achou tempo pra me citar e me fazer inchar de orgulho.

Tá certo que não foi por minhas (in) competências jornalísticas, e sim pela cantoria com que torturava os colegas a cada fechamento.

Mas duvido que vocês não estejam morrendo de inveja!

Marisa

29
jan

Paraíso perdido

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Em 2016, em viagem de férias mochilando por Minas Gerais, tive o prazer de visitar Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, cidade do belíssimo “parque-museu” do Instituto Inhotim, que se tornou parada turística obrigatória desde seu lançamento, em 2006.

O local é, sem dúvida, um dos mais belos espaços de natureza e arte contemporânea do país, verdadeiro museu a céu aberto para todos os públicos, gostos e idades. Tamanha é a beleza natural, com ares futuristas das edificações, que Inhotim se tornou cenário da segunda temporada da série brasileira 3%, da Netflix, justamente como ambientação para o paradisíaco Maralto – a ilha de prosperidade para os 3% da população que “tivessem mérito” para lá estar, fugindo do continente miserável num futuro pós-apocalíptico.

Inacreditável, a realidade muitas vezes se sobrepõe à ficção. Na última sexta-feira, 25 de janeiro, Brumadinho teve seu paraíso natural invadido pela lama da barragem da Vale, em mais um crime ambiental de grandes proporções, apenas três anos depois da tragédia na também mineira Mariana.

A região está devastada, o meio ambiente agonizará por vários meses até que a recuperação tenha início, e levará alguns anos para voltar minimamente ao normal. Se é que voltará: Mariana ainda sofre com os efeitos de sua barragem negligenciada.

Inhotim, por sua vez, está com atividades suspensas e fechado ao público até fevereiro. Sabe-se que a área do instituto está preservada, mas boa parte da estrutura ao redor, incluindo pousadas, não teve a mesma sorte.

À indignação dos brasileiros, soma-se a sensação de impotência por mais um crime ambiental não ter sido evitado. E a esperança de que, quem sabe dessa vez, aprenderemos a lição. Ou reduziremos os riscos de mais barragens estourarem. Assim esperamos. Nosso patrimônio natural e ambiental agradece.

André Nunes

22
jan

Meus melhores livros de 2018

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Eu sei que 2018 já acabou e 2019 já começou com bastante calor, mas como eu passei o ano inteiro falando de livros, não poderia deixar de fazer uma pequena lista das melhores obras lidas, não é mesmo?

Fiquei contente ao perceber que, entre vários projetos, as pessoas colocaram “ler mais” como item da lista pessoal. Garanto que o ano será bem mais leve. Aqui vai minha contribuição. Os 10 melhores livros lidos em 2018!

  1. A Visita Cruel do Tempo (Jennifer Egan)

Surpreendente, A Visita Cruel do Tempo combina diferentes pontos de vista sobre histórias que se entrelaçam de maneiras inesperadas. Ao longo dos sabores e dissabores da vida dos personagens, a autora Jennifer Egan traça um interessante panorama sobre crescimento, perda e ambição e sobre o que acontece entre o que esperamos de nossa vida e o que se torna realidade.

“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?”

  1. Me Chame Pelo Seu Nome (André Aciman)

O filme é bom e o livro melhor ainda. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera história de paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude.

  1. O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor (Elvira Vigna)

Os mesmos fatos. Que mudam, dependendo de como são contados. Pode ser que façam uma história de amor. Do tipo amor total, desses que só se ouve falar. Pode ser que façam a história de um crime. No fim, uma questão de escolha. A narradora deste livro se vê debruçada sobre a vida de duas pessoas já mortas. São lembranças sem importância. Vestígios concretos de uma vida. Elvira Vigna é incrível.

  1. Notes On A Scandal – What Was She Thinking? (Zoe Heller)

Barbara Covett é uma professora veterana de um rigoroso colégio e fica amiga de Sheba Hart, a nova e carismática professora de artes. Barbara descobre que a amiga está tendo um caso com um aluno e começa um jogo de manipulação e obsessão de uma mulher solitária e carente.

  1. Lavoura Arcaica (Raduan Nassar)

André saiu de casa por que era sufocado pelos pais. Anos depois ele cede aos apelos da mãe e volta para casa. Ele irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã. Texto forte e difícil de ler.

  1. Incidente em Antares (Érico Veríssimo)

Em dezembro de 1963, uma sexta-feira 13, a matriarca Quitéria Campolargo arregala os olhos em sua tumba, imaginando estar frente a frente com o Criador. Mas logo descobre que está do lado de fora do cemitério da cidade de Antares, junto com outros seis cadáveres, mortos-vivos como ela.

Uma greve geral na cidade, onde até os coveiros aderiram, impede o enterro dos mortos. O que fazer? Os distintos defuntos, já em putrefação, resolvem reivindicar o direito de serem enterrados, do contrário, ameaçam assombrar a cidade. Seguem pelas ruas e casas, descobrindo vilanias e denunciando mazelas. O mau cheiro exalado por seus corpos espelha a podridão moral que ronda a cidade. Maravilhoso Veríssimo. Essencial leitura para os dias de hoje.

  1. Canção de Ninar (Leila Slimani)

Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Livro para ler cheio de tensão nas costas.

  1. Desonra (J.M. Coetze)

Conta a história de David Lurie, professor de literatura que é expulso da universidade após ter um caso com uma aluna. Com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, o romance investiga as relações entre uma cultura humanista e a situação social explosiva da África do Sul pós-apartheid. Devastador.

  1. Nada a Dizer (Elvira Vigna)

Nada a Dizer é a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída. No entanto, muito mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra é uma investigação minuciosa das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo.

  1. O Sentido de um Fim (Julian Barnes)

Um homem atormentado por seu passado encontra um fato que o faz repensar sua vida. Tony tenta enfrentar a verdade e assumir a responsabilidade pelas ações que tomou há muito tempo.

Rodrigo de Lorenzi

21
dez

Que venha 2019!

brinde

Encerramos mais um ciclo. Com a sensação de dever cumprido e inúmeras conquistas, viramos a página de 2018 para 2019.

Esse ano conquistamos novos parceiros e consolidamos outros tantos que nos confiam o trabalho de comunicação há anos. Agradecemos por acreditarem em nós e na nossa busca incansável por melhores resultados, pautados na comunicação estratégica, ética e alinhada com os objetivos de cada um dos nossos clientes.

O resultado é fruto da união de uma equipe muito profissional e competente. A Talk tem a felicidade de contar com um time engajado e, neste ano, ganhamos novos integrantes que chegaram à empresa com muitas boas ideias e experiências para serem compartilhadas.

Para o próximo ano estamos estruturando novos serviços. Em breve, anunciaremos as novidades.

Agradecemos a todos os nossos clientes, a parceria dos nossos amigos da imprensa e o apoio de nossas famílias, além da dedicação da nossa equipe. Vocês são fundamentais nessa caminhada.

Um Feliz Natal e um novo ano repleto de realizações!

Beijos,

Aline Cambuy e Marisa Valério