Arquivos da categoria: Reflexão

10
out

Apenas o que realmente importa

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Não perco mais meu tempo com coisas que não interessam. Não sofro mais quando alguém não vibra comigo por uma conquista que para mim é importante ou quando não quer ir ao meu restaurante favorito, pois prefere outro. Aprendi a respeitar as diferenças, as individualidades e as preferências de cada um. E isso me fez tão bem! Principalmente porque aprendi a respeitar as minhas vontades também.

Estou sempre disposta a ouvir sobre as angústias e as alegrias dos outros, mas hoje ouço sem opinião ou julgamento. Sei que nem sempre as pessoas querem um conselho, às vezes precisam apenas serem ouvidas. Só expresso a minha opinião quando solicitada.

Ainda tenho uma longa caminhada de aprendizados pela frente, mas fico feliz sempre que percebo que a vida me mostra novas possibilidades para evoluir.  E assim seguimos, aprendendo sempre.

 

Aline Cambuy

20
set

A arte de falar do que não se sabe

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Acho engraçado quando alguém vem e pergunta: “você que é jornalista, o que acha de ___________________?” (preencha aqui o que mais lhe aprouver: liberação de drogas, aborto, a crise na Chechênia, sexo na adolescência, hospital veterinário gratuito, produção de energia elétrica em usinas eólicas, etc). Parece que com o diploma adquirido na universidade (que nem é mais obrigatório) a gente ganha o superpoder de entender de tudo e ter opiniões interessantes, relevantes e fora do comum.

Veja bem: não estou dizendo que a gente pode ser jornalista sem repertório, mas há temas aos quais somos mais afeitos e até especializados: o Rodrigo, aqui na agência, conhece muito de séries e filmes; a Marisa entende de economia; a Stephanie manda muito bem em pautas de arquitetura e design; o André é um conhecedor de Curitiba e de novelas; a Aline parece saber um pouco de tudo, mas lembro que entendia muito de transporte; e o Lucas manja de música e cultura geek.

E eu? Meu forte digo que seriam as pautas de cultura: tive a sorte de frequentar teatro desde pequena (obrigado, mãe), entrevistar grandes artistas na ÓTV e na Gazeta do Povo e fazer a assessoria de grandes festivais: estive em três edições do Festival de Teatro de Curitiba e no Psicodália — saudades. Também participei da produção de muitos eventos culturais como shows e peças de teatro, além de me interessar pelo tema, o que me deu a chance de me aprofundar um pouco.

Mas aí você se pergunta: e como ela atende um cliente que produz peças para motocicletas? E eu te respondo: é porque a gente não sabe, mas conhece quem sabe. E essa é a importância de se ter boas fontes. A gente também pesquisa muito: é importante buscar conteúdo de qualidade e não a primeira página que aparece no Google. Foi assim que eu escrevi um e-book inteiro sobre cabeamento de usinas eólicas: entrevistando um engenheiro especializado e traduzindo muito conteúdo confiável do inglês — essa é uma ótima dica para quem produz conteúdo, procure fontes em outras línguas também!

Então, para falar do que você não sabe, você precisa: ir atrás de quem sabe; como diz o E.T. Bilú, busque conhecimento! Não vale o primeiro link que você encontrar, cheque a fonte; e não tenha vergonha de perguntar. Agora, sobre a crise na Chechênia, me desculpe, eu não tenho a menor ideia de como estão as coisas por lá!

30
ago

Vai fazer faculdade de quê?

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Quando era adolescente me deparei com aquela fase do “vai fazer faculdade de quê?”. Eu, no auge dos meus 16 anos, adorava escrever. Tinha até um Tumblr. Porém, os anos foram passando, os vestibulares se acumulando e os cursos que eu decidi não fazer, também. Desde Relações Públicas, passando por Psicologia e Cinema, até chegar nos cursinhos preparatórios para concurso… Fiz de tudo. Mas cheguei num ponto em que já não queria mais fazer um curso superior.

Mais anos foram passando. Trabalhei com várias coisas e em vários lugares, só para voltar ao ponto de partida: o Jornalismo. Antes de todos os cursos, vestibulares e faculdades que decidi fazer, a ideia era ser jornalista. “Não esses de redação”, eu dizia, por medo de achar muito chato. Só queria escrever. Mas, além disso, queria que as pessoas “me lessem”.

Hoje, depois de quase quatro anos na faculdade de Jornalismo, estou em processo de finalização de um livro-reportagem e da concretização desse sonho de “me lerem”. Era o que eu sempre quis, não era? Mas, ansioso que sempre fui, já comecei a imaginar, pensar e conjecturar sobre como será a vida pós-acadêmica. Como sempre também adorei começar projetos novos (terminar já são outros quinhentos), já organizei todo o meu tempo para fazer cursos, outras faculdades, pós-graduações, mestrados e doutorados, até o longínquo tempo da velhice. Besteira? Talvez.

Eu sempre vivi a vida, como gostava de dizer, “sem planejar”. Fazia o que dava na telha, quando dava na telha e com quem dava na telha. Por isso comecei uma faculdade só aos 24 anos, por isso tenho tantos cursos e formações inacabados e projetos começados não terminados. Não vou aqui colocar o velho clichê de que “tudo tem o seu tempo”, e que “nos forçam a decidir nossas carreiras muito cedo”. Todos sabem disso. O que estou querendo dizer é que um pouco de planejamento sempre cai bem. Um pouco não, quiçá bastante.

O meu livro-reportagem é um compilado de relatos-testemunhos de pessoas em recuperação da doença da adicção, ou dependência química se preferir. Várias delas, além de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, frequentam assiduamente grupos de mútua ajuda como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos. Um dos dizeres comuns nesses grupos é o “só por hoje”, que significa nada menos do que viver um dia de cada vez. Se você pensar bem, é extremamente libertador viver sem se sentir amargurado pelo passado e ansioso pelo amanhã, só no momento presente. Mas… e o planejamento, onde fica? E os sonhos? Será que não posso mais sonhar se escolher viver assim? Que vida horrível!

Calma! Eu também tive essa dúvida e, digo com facilidade, que podemos e devemos ter planos. O “só por hoje” é ótimo para determinadas situações em que ficamos pensando muito à frente ou nos perdemos no passado. Porém, usar essa “técnica” ou filosofia para tudo é extremamente prejudicial para o longo prazo necessário para a vida. Qual é a solução então? Fui perguntar, óbvio, para aqueles membros que já estão em recuperação há mais tempo: “Como você faz para planejar a sua vida e ainda sim viver essa filosofia?”.

A resposta me chocou. Não tinha imaginado que uma coisa não precisa necessariamente anular a outra. Viver no momento presente e fazer o que me cabe no dia de hoje para que meus planos futuros possam se concretizar é a chave do sucesso. Quem disse que uma pessoa precisa ser uma coisa só, ainda mais para o resto da vida? Eu não. Prefiro ser, como diria Raul Seixas, essa metamorfose ambulante.

Lucas Jensen

10
jul

Palavras são pequenas demais para descrever o amor pelas palavras

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Nos últimos anos comecei a pensar realmente em quanto gosto de palavras. Eu já desconfiava que gostava de ler e escrever quando escolhi o jornalismo como profissão, mas não imaginava que encontraria um jeito tão peculiar de adotar palavras específicas como prediletas. Inclusive predileta é uma das minhas palavras favoritas.

Eu me pego rindo sozinho das maluquices, bisbilhotagens e idiossincrasias presentes na nossa língua. Quando tenho fome, lembro dos quitutes e guloseimas preparados por minha vó, sempre em suas cumbucas de madeira. Na rua, a atenção se volta para os paralelepípedos e os períbolos, que nada mais são do que o espaço entre os edifícios e os muros.

As palavras me confortam em todos os momentos. Se estou rindo, elas podem expressar júbilo, deleite ou regozijo. Se triste, logo vêm para representar meu desalento, infortúnio e melancolia. Por sinal, esta última é o título de um ótimo filme. Contudo, se estou com raiva, as palavras parecem me faltar. Penso, repenso, trepenso…mas as minhas favoritas não pululam na lembrança. Droga! Somente dois dias depois é que me lembro dos substantivos requintados para referir-me ao indivíduo responsável pelo meu lamento, como: biltre, calhorda, paspalho e salafrário. Merecendo até um safanão.

É muito peculiar a forma como podemos montar um texto e titerear as palavras como personagens de um contexto muito maior. As palavras ‘fulguram’ na mente como chamas a bruxulear, sibilantes, sussurrando: sou importante. A pantomima da imaginação se desenrola de forma tão natural quanto um bordão. Eu me perco nos pirilampos sassaricando pelo pensamento e quase esqueço de voltar para a realidade mequetrefe. Tédio.

Infelizmente, atualmente, a minha mente somente se vê descrente com a crescente utilização de neologismos e estrangeirismos, principalmente na área da comunicação. Eles me incomodam tanto ou mais do que a você com a sensação de eco e repetição na última frase. É muito job, paper, meeting, call e budget para pouco afazer, artigo, tertúlia profissional, ligação e orçamento. Fico iracundo.

Porém, não declaro guerra a expressões em línguas estrangeiras. Aliás, diga-se de passagem, meu devotamento às palavras não se restringe ao português. Belezas como bibelot e wanderlust não se encontram todo dia. Até expressões como levar o Bernardo às compras, dos nossos irmãos lusitanos, têm lugar cativo no meu coração.

Deixe-me ir. Já perdi muito tempo. A procrastinação é uma presença constante nos devaneios diários. Já passei por tantas oscitações, paradigmas e clichês que voltar aos afazeres me parece tarefa hercúlea, tanto quanto soletrar a doença de quem aspira as cinzas de um vulcão: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico!

Lucas Jensen

28
mai

Meus últimos dias com 30

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 Como já diz a grande pensadora contemporânea Sandy: tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem. Sou jovem para ser velha e velha para ser jovem. Uma grande poeta, realmente.

Essa é a minha última semana com 30 anos e não apenas minhas costas doem, mas estou hipertenso e com níveis de vitamina D lá no dedão do pé de tão baixos, e olha que todo mundo tem falta de vitamina D no organismo. Entendi porque me sentia tão cansado todos os dias. É, rapaz, o tempo vai passando e a gente já amanhece exausto, rs.

Por outro lado, como diz a maravilhosa Maria Bethânia, envelhecer é um privilégio. Eu não voltaria para os meus 20 anos nem por alguns milhões. Minha cabeça atual pode até estar mais cheia das paranoias e preocupações, mas hoje em dia carrego uma certa inteligência emocional para lidar com o dia a dia. Minhas memórias e experiências até aqui também me transformaram, para melhor ou pior. Afinal, quem somos nós além da soma de nossas experiências e das coisas que aprendemos e colecionamos ao longo da vida? Nossa, estou tão profundo e sábio.

Embora fique impressionando por estar fazendo 31 anos (ainda não me acostumei com o número 3 na frente), a impressão que tenho é que minha vida ainda não começou, que uma hora vai, que o que está por vir será incrível. Eu não sei. Dizem que os anos passam e vamos ficando mais tranquilos. Eu continuo inquieto, o que também é bom, embora cansativo. Por outro lado, ao mesmo tempo em que me acho ainda jovem, sempre me senti com uma alma velhinha, desde criança. Eu acredito nessas coisas.

Acho que me perdi nas reflexões. É bom estamos sempre incompletos, afinal? É bom? Quem sabe, quando eu estiver terminando meus 31 anos, eu volto aqui e digo que nunca me senti tão jovem na vida. Será? Não sei de nada.

22
mai

Vale-night

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Dia desses pedi um “vale-night” lá em casa para curtir sozinha um show de um músico que eu adoro. Todos acharam engraçado, mas me incentivaram a ir. Esses tempos fiz uma viagem sozinha e foi incrível. Adoro ver o sol nascer na praia, caminhar sozinha e contemplar o mar. Tem uma frase do filósofo Jean-Paul Sartre que diz que se alguém se sente entediado quando está sozinho é porque deve ser uma péssima companhia. Nem sempre fui assim. Estou aprendendo a gostar da minha própria companhia. É apenas o começo, ainda tenho muito para evoluir nesse sentido. Aprendi que apenas quando estamos bem com nós mesmos é que podemos fazer outras pessoas felizes.

Gosto muito de reunir a família e os amigos. Em casa a mesa está sempre cheia de pessoas que eu amo. A cozinha então, nem se fala, é o lugar preferido de todos. Todo encontro vira uma festa. Se alguém me liga dizendo que vai me visitar já trato de preparar um lanche ou marco logo um churrasco. Tudo isso é bom demais e faz parte da minha essência. No entanto, com o passar do tempo, descobri que momentos de solidão são essenciais para o autoconhecimento.

O negócio é saber conciliar e ser feliz!

Bjs,

Aline

15
mai

Sobre aniversários

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Eu já tive vários tipos de pensamento a respeito de aniversários. Claro, em geral, quando somos crianças, amamos fazer aniversário. Parabéns, festa, bolo, presentes. Eu, como é de se imaginar, também amava meu aniversário. Mas já quando adolescente, conheci pessoas que não gostavam nem de ganhar parabéns, detestavam festa e abraços. Nunca entendi se era aversão a contato físico ou falta de empatia com a data, mesmo.

Nunca cheguei ao ponto de não gostar de aniversários, mas com o tempo passei a pensar “parabéns por quê?”, afinal de contas, eu só nasci, nem pedi pra ninguém – fosse assim, os parabéns deveriam ser para os meus pais; ou então os parabéns são porque fiquei mais velha? Bem, o tempo passa, inexorável – não há nada que se parabenizar nisso. Então qual o motivo de ganhar parabéns? Por sobreviver a mais um ano neste mundo cada vez mais louco? É realmente memorável, mas acho que os parabéns não vêm por isso. E confesso que ainda não entendi por qual razão eles vêm e acho que tudo bem. O que importa é se sentir querido.

Passei a enxergar a virada de ano como um reveillón pessoal – dá pra criar novas metas, revisar as velhas, enfim. É divertido. Pra mim, este mês, mais um aniversário chega, com ele os 3.6 e não tenho vergonha de dizer que estou chegando aos 40. Ficar velho tem seu charme, sim – e a gente fica um pouco menos ignorante. Mas isso é assunto pra outro post.

E você? Gosta de fazer aniversário?

 

Por Luciana Penante