Arquivos da categoria: Reflexão

10
jul

Palavras são pequenas demais para descrever o amor pelas palavras

PalavrasVazias

Nos últimos anos comecei a pensar realmente em quanto gosto de palavras. Eu já desconfiava que gostava de ler e escrever quando escolhi o jornalismo como profissão, mas não imaginava que encontraria um jeito tão peculiar de adotar palavras específicas como prediletas. Inclusive predileta é uma das minhas palavras favoritas.

Eu me pego rindo sozinho das maluquices, bisbilhotagens e idiossincrasias presentes na nossa língua. Quando tenho fome, lembro dos quitutes e guloseimas preparados por minha vó, sempre em suas cumbucas de madeira. Na rua, a atenção se volta para os paralelepípedos e os períbolos, que nada mais são do que o espaço entre os edifícios e os muros.

As palavras me confortam em todos os momentos. Se estou rindo, elas podem expressar júbilo, deleite ou regozijo. Se triste, logo vêm para representar meu desalento, infortúnio e melancolia. Por sinal, esta última é o título de um ótimo filme. Contudo, se estou com raiva, as palavras parecem me faltar. Penso, repenso, trepenso…mas as minhas favoritas não pululam na lembrança. Droga! Somente dois dias depois é que me lembro dos substantivos requintados para referir-me ao indivíduo responsável pelo meu lamento, como: biltre, calhorda, paspalho e salafrário. Merecendo até um safanão.

É muito peculiar a forma como podemos montar um texto e titerear as palavras como personagens de um contexto muito maior. As palavras ‘fulguram’ na mente como chamas a bruxulear, sibilantes, sussurrando: sou importante. A pantomima da imaginação se desenrola de forma tão natural quanto um bordão. Eu me perco nos pirilampos sassaricando pelo pensamento e quase esqueço de voltar para a realidade mequetrefe. Tédio.

Infelizmente, atualmente, a minha mente somente se vê descrente com a crescente utilização de neologismos e estrangeirismos, principalmente na área da comunicação. Eles me incomodam tanto ou mais do que a você com a sensação de eco e repetição na última frase. É muito job, paper, meeting, call e budget para pouco afazer, artigo, tertúlia profissional, ligação e orçamento. Fico iracundo.

Porém, não declaro guerra a expressões em línguas estrangeiras. Aliás, diga-se de passagem, meu devotamento às palavras não se restringe ao português. Belezas como bibelot e wanderlust não se encontram todo dia. Até expressões como levar o Bernardo às compras, dos nossos irmãos lusitanos, têm lugar cativo no meu coração.

Deixe-me ir. Já perdi muito tempo. A procrastinação é uma presença constante nos devaneios diários. Já passei por tantas oscitações, paradigmas e clichês que voltar aos afazeres me parece tarefa hercúlea, tanto quanto soletrar a doença de quem aspira as cinzas de um vulcão: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico!

Lucas Jensen

28
mai

Meus últimos dias com 30

person-731423_1920

 Como já diz a grande pensadora contemporânea Sandy: tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem. Sou jovem para ser velha e velha para ser jovem. Uma grande poeta, realmente.

Essa é a minha última semana com 30 anos e não apenas minhas costas doem, mas estou hipertenso e com níveis de vitamina D lá no dedão do pé de tão baixos, e olha que todo mundo tem falta de vitamina D no organismo. Entendi porque me sentia tão cansado todos os dias. É, rapaz, o tempo vai passando e a gente já amanhece exausto, rs.

Por outro lado, como diz a maravilhosa Maria Bethânia, envelhecer é um privilégio. Eu não voltaria para os meus 20 anos nem por alguns milhões. Minha cabeça atual pode até estar mais cheia das paranoias e preocupações, mas hoje em dia carrego uma certa inteligência emocional para lidar com o dia a dia. Minhas memórias e experiências até aqui também me transformaram, para melhor ou pior. Afinal, quem somos nós além da soma de nossas experiências e das coisas que aprendemos e colecionamos ao longo da vida? Nossa, estou tão profundo e sábio.

Embora fique impressionando por estar fazendo 31 anos (ainda não me acostumei com o número 3 na frente), a impressão que tenho é que minha vida ainda não começou, que uma hora vai, que o que está por vir será incrível. Eu não sei. Dizem que os anos passam e vamos ficando mais tranquilos. Eu continuo inquieto, o que também é bom, embora cansativo. Por outro lado, ao mesmo tempo em que me acho ainda jovem, sempre me senti com uma alma velhinha, desde criança. Eu acredito nessas coisas.

Acho que me perdi nas reflexões. É bom estamos sempre incompletos, afinal? É bom? Quem sabe, quando eu estiver terminando meus 31 anos, eu volto aqui e digo que nunca me senti tão jovem na vida. Será? Não sei de nada.

22
mai

Vale-night

livre

Dia desses pedi um “vale-night” lá em casa para curtir sozinha um show de um músico que eu adoro. Todos acharam engraçado, mas me incentivaram a ir. Esses tempos fiz uma viagem sozinha e foi incrível. Adoro ver o sol nascer na praia, caminhar sozinha e contemplar o mar. Tem uma frase do filósofo Jean-Paul Sartre que diz que se alguém se sente entediado quando está sozinho é porque deve ser uma péssima companhia. Nem sempre fui assim. Estou aprendendo a gostar da minha própria companhia. É apenas o começo, ainda tenho muito para evoluir nesse sentido. Aprendi que apenas quando estamos bem com nós mesmos é que podemos fazer outras pessoas felizes.

Gosto muito de reunir a família e os amigos. Em casa a mesa está sempre cheia de pessoas que eu amo. A cozinha então, nem se fala, é o lugar preferido de todos. Todo encontro vira uma festa. Se alguém me liga dizendo que vai me visitar já trato de preparar um lanche ou marco logo um churrasco. Tudo isso é bom demais e faz parte da minha essência. No entanto, com o passar do tempo, descobri que momentos de solidão são essenciais para o autoconhecimento.

O negócio é saber conciliar e ser feliz!

Bjs,

Aline

15
mai

Sobre aniversários

birthday-cake-380178_1920

Eu já tive vários tipos de pensamento a respeito de aniversários. Claro, em geral, quando somos crianças, amamos fazer aniversário. Parabéns, festa, bolo, presentes. Eu, como é de se imaginar, também amava meu aniversário. Mas já quando adolescente, conheci pessoas que não gostavam nem de ganhar parabéns, detestavam festa e abraços. Nunca entendi se era aversão a contato físico ou falta de empatia com a data, mesmo.

Nunca cheguei ao ponto de não gostar de aniversários, mas com o tempo passei a pensar “parabéns por quê?”, afinal de contas, eu só nasci, nem pedi pra ninguém – fosse assim, os parabéns deveriam ser para os meus pais; ou então os parabéns são porque fiquei mais velha? Bem, o tempo passa, inexorável – não há nada que se parabenizar nisso. Então qual o motivo de ganhar parabéns? Por sobreviver a mais um ano neste mundo cada vez mais louco? É realmente memorável, mas acho que os parabéns não vêm por isso. E confesso que ainda não entendi por qual razão eles vêm e acho que tudo bem. O que importa é se sentir querido.

Passei a enxergar a virada de ano como um reveillón pessoal – dá pra criar novas metas, revisar as velhas, enfim. É divertido. Pra mim, este mês, mais um aniversário chega, com ele os 3.6 e não tenho vergonha de dizer que estou chegando aos 40. Ficar velho tem seu charme, sim – e a gente fica um pouco menos ignorante. Mas isso é assunto pra outro post.

E você? Gosta de fazer aniversário?

 

Por Luciana Penante