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28
set

Música na estrada

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Nem sei quantas vezes já fizemos de carro o trajeto entre Curitiba e Rio Grande (RS), que fica um pouco antes do Chuí, lá pelas bandas do fim do mundo. Nos últimos sete anos, com nossos velhinhos adoecendo, fomos pelo menos quatro vezes por ano. Antes disso, a viagem era anual. Portanto, numa conta de padeiro, circulamos pelas BRs 101 e 116 pelo menos umas 50 vezes. Fora as viagens de avião, mas aí já é outra história.

De carro, são 2,4 mil quilômetros ida e volta, ou 30 horas de estrada, em que há pouco mais a fazer além de ouvir música e comer, enquanto engolimos asfalto, driblando ônibus e caminhões. Nos sábados de manhã também há as hordas de motociclistas passeando serra acima e abaixo.

No repertório musical, tem de um tudo, como ainda se diz no Rio Grande. Minto! Sertanejo universitário não tem, não senhor, que tudo tem limite.

Mas podem pintar umas modas de viola e uns vanerões. E dê-lhe tangos e boleros, sambinhas e sambas-enredo, jazz e MPB, rock e pop rock. Soltamos a voz com Queen, Elton John, Tina Turner e Bee Gees, em nosso inglês egípcio. Tem Belchior e Zeca Baleiro, Adriana Calcanhoto e Maria Rita, Zé e Elba Ramalho, Zé Renato e Zé Keti, Amir Guineto, Tom Jobim, Chico Buarque, vixe, tanta gente…

De tanto ir e vir, aos três anos a Isadora cantava de cor os boleros em espanhol do luxuoso Fina Estampa, de Caetano Veloso. Depois que ela cresceu e passou a andar menos com o pai e a mãe, o gosto musical tomou rumo próprio. Mas não quero comprar briga por aqui…

Faltou falar sobre o que comemos durante a viagem. Prometo contar em minha próxima aparição nesse blog.

Beijos,

Marisa

30
jul

Facebook irá mostrar quanto tempo o usuário gasta na rede social

NovisUma nova ferramenta, que já está sendo desenvolvida pelo Facebook, irá mostrar o tempo gasto pelo usuário na rede social nos últimos sete dias. O recurso, que recebeu o nome de “Your Time On Facebook” (Seu Tempo no Facebook) permitirá que o usuário estipule um limite de uso diário, recebendo um aviso sempre que ultrapassá-lo.

O Facebook afirmou em nota que sempre busca “novas formas para ajudar a garantir que o tempo das pessoas no Facebook seja um tempo bem gasto”. Antes da rede de Mark Zuckerberg, outros – como Apple, Youtube e Instagram – já haviam anunciado a iniciativa, motivados pela campanha “Time Well Spent” (Tempo Bem Gasto), iniciada pelo engenheiro Tristan Harris, ex-funcionário da Google.

Harris defende o bem-estar digital e alerta para os formatos de aplicativos e sites criados pelas empresas de tecnologia, que viciam os usuários em seus serviços para que passem mais tempo nas plataformas.

25
mai

O dia muda todo dia e, na verdade, nada muda

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Em meus devaneios diários, acabo me deparando – com certa frequência – com alguns questionamentos sobre o que eu quero. O que deve ser alterado? O que deve permanecer? É errado querer mudar ou é pior querer deixar como está?

Percebo que tudo muda de maneira quase imperceptível – no fim das contas, sem mudar quase nada. Então o que me incomoda? É a falta de mudança ou a constante presença dela? Tenho como consolo os palpites dos mais velhos: “Você só tem 23 anos, eu também já fui assim”. Será que vou me entender em algum momento?

Sinto que vivo à espera de algo que ainda não conheço. Condiciono minha felicidade a momentos futuros, colocando toda minha energia naquele ponto distante. Quando finalmente chego a ele, percebo que a satisfação está ainda mais à frente e que devo, novamente, me esforçar para chegar lá.

Para meu conforto, encontro, então, uma conclusão: ainda não sei o que estou buscando, mas estou no caminho da descoberta.

Isso bastará até minha próxima reflexão, que poderá ser compartilhada aqui ou não, quem sabe? Rs.

Bia

 

18
mai

As leituras do mês #2

Bem, eu criei uma tradição aqui no Blog da Talk para falar sobre minhas leituras do mês, dessa vez, do mês de abril. É a segunda vez que faço isso, mas no meu coração já é uma tradição, sim.

Então, lá vai. Espero que um dia eu fiquei muito famoso, influencer de livro.

Incidente em Antares
Erico Verissimo

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Sete defuntos não sepultados por causa de uma greve geral voltam putos da morte e decidem jogar umas verdades na cara da população.

Bom, esse é um clássico de nossa literatura que eu demorei anos para ler. Ainda bem, porque acho que eu não entenderia ou não me envolveria tanto se tivesse lido enquanto adolescente. É engraçado e assustador como o livro, escrito em 1971, poderia ter sido escrito essa semana mesmo, falando do mesmo Brasil de agora.

Canção de Ninar
Leila Slimani

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A mãe volta mais cedo do trabalho para fazer uma surpresa para seus dois filhos pequenos. Quando chega, encontra vizinhos histéricos, ambulâncias, a polícia. Adam está morto. Mila não vai resistir. Foram assassinados pela babá. Não é spoiler, a história começa pelo fim.

Se você procura entretenimento puro, esqueça. É cheio de camadas e a autora consegue abordar desde a loucura de uma pessoa que só se sente bem se for perfeita em sua subserviência até o conflito de classes na França.

Balada do Longe
Fernando Nunes

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Livro do escritor e jornalista alagoano (e meu amigo) Fernando Nunes, conta a história de Ismael, que decide sair de Alagoas para morar em Curitiba e viver um amor intenso com Lorenzo, um homem que dava tudo e ao mesmo tempo nada.

O livro é curtinho e de uma delicadeza de chorar. Eu já tinha lido alguns poemas do Fernando, mas é o primeiro romance e bateu forte. É um poema narrativo que reflete sobre solidão, amor, religião, divino, numa mistura de histórias pessoais reais do autor com um romance bem direto.

Tempo é Dinheiro
Lionel Shriver

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Um homem economizou a vida inteira para ‘A Outra Vida’, um lugar onde ele poderia se aposentar, viver os dias sem fazer nada e curtir cada momento depois de trabalhar igual um camelo por anos. Ele está disposto a ir com ou sem sua esposa e filho. Os planos mudam quando a esposa descobre um câncer e precisa usar o plano de saúde da empresa do marido. Assim, o livro vai esmiuçando o podre sistema de saúde norte-americano e fala sobre como ficar doente é caro. Quanto custa a vida de uma pessoa?

Lionel Shriver tem uma escrita dura, real e dolorosa, coisa que eu amo. Mas ‘Tempo é Dinheiro’ infelizmente foi um dos livros mais chatos que eu já li simplesmente porque Shriver constrói personagens apenas para desabafar sobre sua visão de economia, sistema de saúde norte-americano, impostos, taxas e tudo mais. Bem válido, mas sai tudo truncado.

 

20
abr

Mil e uma facetas de um jornalista

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Dizem as más línguas que os jornalistas acham que sabem de tudo. Pura maldade. Não é beeeeeeeeeeem assim. Nós sabemos um pouco de tudo. É diferente, tá? Dê cinco minutos e a postura será de um especialista.

Lemos muito, pois faz parte da nossa personalidade, ora bolas. Eu, por exemplo, leio qualquer coisa – vale até rótulo de papel higiênico e bula de remédio. E não ouse dizer que sou um ser estranho. Cada um com os seus gostos, não é mesmo?

Mas como já dizia o poeta, “tudo é uma faca de dois legumes”. O lado bom é ter uma “nova profissão” a cada dia. Manja de armário-cápsula? É quase isso. Poder trocar uma peça ou duas todos os dias é maravilhoso. Que o diga a esposa, amigos e familiares. Talvez sejam os principais beneficiados, esses malandros. E o combo jornalista de gêmeos faz amar a ideia de ter algo novo. Invejosos virão correndo dizer que somos duas caras. O recalque bate e volta.

Hoje, por exemplo, acordei conselheiro amoroso. Ontem estava um legítimo corretor imobiliário. Na semana passada eu estava contador, consultor de investimentos, chef de cozinha e fotógrafo. Mês passado pude ser guia de viagem, motorista e designer de interiores. E não faz muito fiz o arquiteto, professor, clínico, mestre de obras e freteiro.

Mas, acima de tudo, sou jornalista. Daqueles bem caricatos e que adoram uma polêmica. Essa profissão grudou no corpo como piche no asfalto. Que bom poder ser comunicador e todo o resto ao mesmo tempo. Amo esse passe-livre para bancar o sabe-tudo.

Beijinhos,

Wellington

26
jan

Todos nós podemos ser criativos

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É muito comum acharmos que criatividade é algo restrito a poucas pessoas, geralmente publicitários, músicos, artistas e profissionais da área de humanas, e que ela não é necessária para todas as áreas. Sempre achamos que a criação de algo novo é muito complexo, demorado e que exige um talento especial. Por isso, muitas vezes acabamos nos acomodando, caindo na rotina e repetindo sempre as mesmas coisas (seja no trabalho, para problemas da vida pessoal ou qualquer outro aspecto).

Mas, no ano passado, conheci os vídeos e cursos do humorista Murilo Gun, que se propunha a ensinar criatividade. Foi algo que me chamou muito a atenção, já que nem sabia que era possível estudar esse tema. Em alguns de seus vídeos ele nos ensina como a criatividade é importante para qualquer pessoa e como todo mundo pode ser criativo.

Segundo ele, criatividade não é necessariamente criar algo completamente novo, inovador e que transformará a vida de todos. A criatividade é simplesmente utilizar uma solução ou uma saída diferente para resolver qualquer tipo de problema da nossa vida. Isso pode valer para a elaboração de um texto, um projeto complexo a longo prazo para uma empresa ou um problema “banal” como fazer os filhos comerem de maneira mais saudável.

Algo que vai além daquele clichê que tanto nos intimida e que vem sendo repetido exaustivamente no mercado de trabalho, o “pensar fora da caixa”. Ser criativo pode ser combinar diversos elementos que já temos em nosso repertório ou experiências vividas por nós e que se forem conectados podem representar uma solução criativa.

Segundo o Murilo Gun, a criatividade também pode ser composta por uma piada, uma ideia maluca, absurda ou até mesmo infantil. Às vezes uma ideia que a princípio pode ser completamente absurda pode ser combinada a outros elementos que aparentemente não tenham nada a ver para compor uma solução criativa para o problema. Basta ligar todos esses pontos para que uma solução criativa esteja presente. E se isso for realizado em conjunto com outras pessoas com repertórios diferentes em busca de um mesmo objetivo, melhor ainda.

E isso é algo que pode sim ser exercitado e praticado, e existem técnicas especiais que são ensinadas em congressos e até mesmo em escolas dedicadas ao tema.

A moral da história é que a criatividade é sim importante para todos e qualquer pessoa pode ser criativa se estiver disposta a desenvolver isso.

Se quiser conhecer mais sobre essa noção de criatividade confira o canal do Murilo Gun no YouTube e o seu site oficial.

Abraços,

Renan

29
set

Geminiano

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Minha esposa é canceriana e engenheira. Eu sou jornalista e geminiano. Isso não quer dizer nada. Ou pode dizer tudo. Completamo-nos e contribuímos para o crescimento um do outro. Mas, e há sempre um mas, em alguns momentos ela deve me olhar durante a noite e se perguntar: o que passa nessa cabecinha?

Calma. Vou explicar. Antes quero falar sobre o meu signo para buscar a absolvição dos meus atos.

Quem conhece um pouco de astrologia deve saber o perfil básico de um geminiano. Para quem não sabe aqui vai o resumo de um ser nascido entre 21 de maio e 21 de junho.

Se tem algo que o signo de gêmeos presenteia os seus nativos é a característica de mutação. É como se diariamente resolvessem mudar as regras e os costumes. Hoje acordei e resolvi que vou mudar minhas vestimentas. Acho que hoje irei experimentar um penteado, um corte de cabelo novo. Mesmo que tenha cortado apenas dois dedos de ponta seca e ferrada. Mas você mudou. Você mudou sua dieta, você mudou o seu comportamento na escola, no trabalho, no seu prédio. Mesmo que tenha durado só três dias.

Ok. Agora podemos prosseguir sem que as minhas atitudes sejam avaliadas precipitadamente.

Outro dia a minha esposa quis comprar chuchu e esse ser disse que odiava chuchu. Ontem, depois de experimentar um mix de legumes na manteiga simplesmente maravilhoso, quem decidiu que queria comprar chuchu no final de semana? Euzinho.

Outra vez eu comentei que gostava de um estilo mais clean e moderno para o quarto. E ela ama algo mais romântico e florido.  Eis que passo em frente a uma loja e comento que a montagem da vitrine me agradou. Tomei uma fuzilada como poucas.

Mas quero dizer que há duas explicações e uma boa notícia.

A primeira explicação é óbvia. A culpa é do signo. A segunda é que tudo depende do contexto e da situação. Um geminiano leva em conta muitos outros fatores e não apenas um isolado para amar ou deixar de gostar de algo.

A boa notícia é que é possível tornar essas mutações menos frequentes e rompantes. Encontre alguém que, lógico, você ama e ame você, e que possa trazer esse equilíbrio. Ah, e seja capaz de ter paciência para que o cérebro seja parcialmente reprogramado. Sim, apenas parcialmente.

Um geminiano será sempre um geminiano. Mesmo que em part-time. E não considero isso um defeito. Se bem usado, será uma baita qualidade. A mutação significa ter a capacidade de se adaptar nas situações mais complicadas ou quando pressionados em qualquer momento da vida. Somos assim. E somos felizes. Ou tristes. Quem sabe alegres. Cinzas. Ou coloridos. Somos tudo. Ou nada.

Somos muitos em um só. =)

(Uma carta de muito obrigado para a Tutti) <3

22
jun

Inspiração

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As pessoas pensam que o simples fato de ser um jornalista é um passe livre de capacidade infinita para a escrita. Escrever não é assim tão simples não. Quer dizer, na maioria das vezes até pode ser. Eu, por exemplo, estou buscando ajuda no Olimpo da inspiração nesse exato momento. O cursor teima em ficar piscando na tela em branco e o bloqueio criativo só cresce. Parece até o trânsito congestionado no fim da tarde. Não há para onde fugir. Quase choro.

Por sinal, mó sacanagem do “bródi” Gates quando criou o Word. Ele deve ter pensado: vou criar um software que azucrine as pessoas quando estas estiverem sem ideias. Amigo, nada mais aterrorizante que abrir o Word e ficar ali, olhando aquela tela branca e o risquinho piscando. Um minuto parece uma hora. E abrimos o Word dezenas de vezes a cada novo dia.

Nessas horas dá vontade de ter um botão vermelho para apertar e pedir socorro para alguém. Manja aqueles que podemos ver em filmes? Poderia ser também uma linha direta com o Batman. Se ele salva Gotham City todos os dias, deve conseguir salvar um pobre aprendiz de escritor com o seu bloqueio criativo. A ajuda nem exigirá tanto. As ideias estão ali borbulhando. Só que, às vezes, acho que preciso de alguém corajoso o suficiente para enfrentar a temida tela branca.

Quem nunca?

Mas estou aprendendo e evoluindo. Converso com o computador, coloco uns fones gigantes para ouvir música e cantarolo, levanto para buscar uma água e jogar conversa fora por alguns minutos, olho pela janela para admirar os prédios ao redor e a vida alheia e vou brincar de organizar dados no Excel. Pois é. Parece que um dos remédios disponíveis foi pensado pelo mesmo gênio que criou o Word. Tenho certeza que o aplicativo de planilhas surgiu em um dia onde a tela branca o julgava com o cursor piscando terminantemente. Só pode.

E hoje deu certo. Depois da suposta falta de inspiração, brotaram, sem esforço, 356 palavras em 33 linhas e distribuídas ao som de mais de dois mil caracteres.

Ufa! Mais um dia salvo na Capibara City.

Beijo

Wellington

18
mai

Trintão de 80

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Ôôôôôôô

O buyling voltoooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu

Ôôôôôôô

O buyling voltooooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu, o buyling voltooooouuuuuu

Ôôôôôôô

Pois é, o bullying dos tão queridos – talvez eu deva reavaliar a definição de queridos – colegas de trabalhou ressurge das cinzas. A mais nova teoria é a minha verdadeira idade. O veredito é que sou um trintão – quero deixar claro que tenho apenas 33 anos – com a mentalidade de um ancião na casa dos 80 anos.

Gente, preciso dizer que não é bem assim. A única relação que tenho com a dezena 80 é o ano de nascimento – longínquos 1984.

Tudo começou quando comentei o amor que os jovens estudantes devem ter pela minha rica pessoa no condomínio onde moro. O por quê? Apenas, veja bem, apenas, por causa de uma ideia que foi acatada em reunião de condôminos para limitar as pessoas nas áreas comuns, lista de convidados para churrascos, aniversários e outras festas e horário de uso. Ok que a sugestão foi minha. Mas alguém precisava acabar com a party mucho louca que rolava nas tardes e noites de sábado.

Outra proposta que devo levar na reunião de outubro – alvo de forte oposição e críticas dos work friends – é a proibição do Airbnb onde moro. Pensem comigo e vejam se não estou certo: são aproximadamente 250 apartamentos e mil pessoas morando e dividindo os mesmos espaços comuns. Imagine se 30% dos proprietários adotarem a pratica… será um turnover enlouquecedor para quem – na maioria das vezes – optou por morar em um apartamento pela segurança.

Antes que digam, amo a nova economia, criativa ou colaborativa, como preferirem chamar. Sou um apaixonado por viajar e tenho um lado crazy quando o assunto é leitura sobre finanças pessoais, investimentos e orçamento familiar. Faço tudo que posso pela internet. Até a minha conta no banco é digital. Tenho orgulho cada vez que vejo um novo negócio voando alto.

Enfim, duas ideias não podem me definir como um ancião com o corpinho de 30. Até o meu amor por uma caneta BIC que sempre carrego com o caderno de anotações virou motivo para as teorias da minha idade real.

Gente, era uma BIC!

Assunto para o próximo post…

Beijo

Wellington

23
mar

Solidão tecnológica

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Amo ler sobre novas tecnologias, redes sociais, vida digital e tudo que envolve o virtual. Quem me conhece pode confirmar. Quem sabe será capaz de me rotular como um chato por sempre saltar com uma opinião quando o assunto é abordado. Mas aí digo que sou jornalista e tudo se explica quase que instantaneamente. Ouso dizer que algumas vezes ouço até um ah tá.

Mas hoje jogarei contra. Não para derrubar a tecnologia. Essa não tem culpa. Nós somos os culpados. Seres humanos incapazes – na maioria das vezes – de encontrar o equilíbrio para as coisas da vida. E não, não é apenas a geração Y ou Z. A X e todas as outras também estão no mesmo bolo.

Sinto que vivo em um mundo high tech zumbi. Olho ao meu redor e vejo pessoas caminhando nas ruas mergulhadas nas telas dos smartphones. Mesas de bares e restaurantes com amigos conectados na fofoca mais quente ou no vídeo que recebeu no WhatsApp. Até nas famílias o papo parece ter ficado para o virtual.

Há momento para tudo. Inclusive para consumir as informações disponíveis nas redes sociais, sites e qualquer outro espaço virtual.

Uma pesquisa recente aponta que acessamos o smartphone quase cem vezes por dia. Quatro vezes por hora. Uma vez a cada quinze minutos. Aí pergunto: precisamos de tudo isso? Falo por experiência pessoal de um ser em processo de desintoxicação.

Que tal tentarmos uma experiência?

Entrou em um ônibus? Não caia na tentação de pegar o celular e observe a sua volta. Muita gente alheia ao que acontece no mundo ao seu redor? Pois é.

Vai andar como carona em um carro? Deixe o smartphone no bolso ou na bolsa e converse. Talvez o seu amigo tenha alguma história bacana para compartilhar.

Pegou um táxi, Uber ou Cabify? Puxe assunto com o motorista. Quem sabe você vai descobrir que ele trabalhou em uma multinacional e agora dirige profissionalmente para ter mais tempo com os filhos enquanto a esposa sai para trabalhar.

Está em uma roda de bar, restaurante ou em família? Apenas deixe que o silêncio seja quebrado por um assunto qualquer.

Garanto que, na pior das hipóteses, a carga do smartphone terá durado mais que 12 horas.

Viva a vida.

Wellington