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7
mai

Curitiba

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Minha cidade é meu reflexo, inconstante como eu. Tão viva que muitas vezes me entristeço com seu calor exagerado, mas acabo me redimindo quando me presenteia com o rubro final de tarde. Quase sempre serena, lava os piores pecados com o orvalho matinal e com a tênue chuva do entardecer, e eu respiro aliviada, sua inconstância repetida ao longo do tempo, com leves desvios de cores e sons.

Mas naquela manhã ela estava mais negra do que o normal, com sua tempestade pungindo as pessoas acordadas e indiferente a quem tranquilamente vivia o momento embaixo dos lençóis. Acordada prematuramente, não entendia o motivo do caos. Apesar de ser feriado não pude descansar além do normal, e tomei o primeiro ônibus para fazer as compras rotineiras.

Surpreendi-me com a quantidade de pessoas nele, assim como nas ruas e em todo lugar. Nem nos feriados posso descansar – disse a cidade, com seu dia oblíquo avançando por todas as direções. Duas senhoras discutiam o tempo impondo suas ideias, consternadas por não conseguirem com elas desfazer as densas nuvens oponentes.

Pela janela, a todo momento se abriam guarda-chuvas de diversas tonalidades, contrastando com a escuridão. E a cidade, vista de cima, era uma festa de cores, florescendo a todo instante. Tão bela, que nem ela resistiu e sorriu, raiando os primeiros feixes de luz da manhã.

Stephanie D’Ornelas

12
mar

8 espetáculos imperdíveis do Festival de Teatro

PI
Há 28 anos, o mês de março em Curitiba é sinônimo de correr atrás do Guia do Festival de Teatro, em busca das melhores peças para assistir durante as duas semanas em que a cidade respira artes cênicas. Sem qualquer pedantismo ou exagero, afinal são espetáculos espalhados pela capital, em praças e espaços públicos que vão além dos palcos tradicionais como Guairão, Positivo e Reitoria.

Como estudante de Jornalismo, depois repórter do jornal Metro e assessor na edição 2015, acompanho o Festival há nove anos. Para te ajudar a escolher o que assistir em meio a tantas opções, selecionei seis espetáculos da Mostra Oficial – que segue a curadoria afiada de Márcio Abreu e Guilherme Weber desde 2016 – e dois do Fringe. Temos comédias, homenagens, musicais e monólogos para todos os gostos, com entradas a partir de R$ 10.

Escolha o que mais te agrada e bom espetáculo!

PS: Para a programação completa, que inclui ainda as mostras Fringe, Risorama, Guritiba, Mish Mash e Gastronomix, acesse: https://festivaldecuritiba.com.br/

 Abujamra Presente

Definida como um recorte, uma colcha de retalhos exorbitante de alguns momentos significativos dos dez anos que Abujamra esteve a frente da Companhia Os Fodidos Privilegiados, um espetáculo feito especialmente para a programação da exposição sobre ele, “Rigor e Caos” no Sesc Ipiranga. Contém cenas de nudez.

Ficha Técnica

Direção Geral: João Fonseca

Texto: Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht, Rafael Alberti

Roteirizado por: João Fonseca

Elenco: André Abujamra, Guta Stresser e grande elenco

 Serviço

30/03 (Sábado) às 21h no Teatro Guairinha

31/03 (Domingo) às 19h no Teatro Guairinha

Elza (Musical)

Uma homenagem à cantora Elza Soares. No palco, as múltiplas facetas de Elza e as reviravoltas de sua vida são mostradas no texto de Vinicius Calderoni. Larissa Luz, Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Krystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim dão vida às músicas, cujos arranjos foram criados pelo baiano Letieres Leite. Canções como “Lama”, “O Meu Guri”, “A Carne”, “Se Acaso Você Chegasse”, entre outras, fazem parte do repertório.

Ficha Técnica

Elenco: Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim. Atriz Convidada: Larissa Luz

Direção: Duda Maia

Texto: Vinícius Calderoni

Direção Musical: Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet

 Serviço

05/04 (Sexta) às 21h no Guairão

06/04 (Sábado) às 21h no Guairão

Navalha na Carne – Uma Homenagem a Tônia Carrero

Neusa Sueli é uma prostituta decadente e explorada por Vado. Em meio a brigas e desavenças, ela vai às ruas para ganhar dinheiro, enquanto Vado sai com outras mulheres e leva a vida sossegado.  Escrita por Plínio Marcos em plena ditadura militar, “Navalha na Carne” é contundente, visceral, violento, patético, poético e humano.  A peça foi proibida na época da ditadura militar. Tônia Carrero conseguiu a liberação e produziu, há exatos 50 anos, a montagem que entrou para a história. Essa nova NAVALHA, idealizada e protagonizada por sua neta, Luisa Thiré, é uma homenagem à ela.

Ficha Técnica

Texto: Plínio Marcos

Direção: Gustavo Wabner

Elenco: Luisa Thiré, Alex Nader e Ranieri Gonzalez

Serviço

01/04 (Segunda) às 21h no Teatro Sesc da Esquina

02/04 (Terça) às 21h no Teatro Sesc da Esquina

PI – Panorâmica Insana

Prêmio APCA de melhor espetáculo de 2018, Pi – Panorâmica insana, da diretora Bia Lessa, traça um painel irônico do mundo contemporâneo. Com Cláudia Abreu, Leandra Leal, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira, a peça discute temas como indivíduo, civilização, sexualidade, política, violência, nação, miséria, riqueza, gênero e desejo. A dramaturgia do espetáculo foi concebida a partir dos ensaios e resultou numa escritura cênica não convencional, que transita entre as artes plásticas, o teatro e a dança.

Ficha Técnica

Textos de Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’anna, com citações de Franz Kafka e Paul Auster.

Concepção, Direção Geral e Escritura Cênica: Bia Lessa.

Elenco: Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo.

Serviço

30/03 (Sábado) às 21h no Guairão

31/03 (Domingo) às 19h no Guairão

Recital da Onça

Solo que marca a volta de Regina Casé aos palcos teatrais depois de mais de 25 anos. Sua personagem recebeu convite de Harvard para inventar um novo formato pop para palestras sobre literatura brasileira para estudantes estrangeiros. Ela precisa ensaiar suas propostas antes da viagem, a partir de textos de nossos grandes autores. “Recital da Onça” é esse “ensaio”. A plateia tem a tarefa de ajudá-la a escolher os textos mais adequados para essa missão e a enfrentar seu pavor de aeroportos, da imigração americana e do frio congelante do inverno em Harvard.

Ficha Técnica

Criação: Hermano Vianna e Regina Casé

Direção: Estevão Ciavatta & Hamilton Vaz Pereira

Elenco: Regina Casé

Serviço

28/03 (Quinta) às 21h no Guairão

29/03 (Sexta) às 21h no Guairão

Sísifo

Sísifo.gif, primeira colaboração cênica entre Gregorio Duvivier e Vinicius Calderoni, é uma investigação de como transpor para o palco a linguagem do gif e do meme.

Ficha Técnica

Elenco: Gregório Duvivier

Direção: Vinicius Calderoni

Texto: Gregório Duvivier e Vinicius Calderoni

Direção de Produção: Andréa Alves

Serviço

06/04 (Sábado) às 21h no Teatro da Reitoria (Rua 15 de Novembro, 1299)

07/04 (Domingo) às 21h no Teatro da Reitoria (Rua 15 de Novembro, 1299)

Sherazade – Fringe

No ano em que completa 14 anos de atividades, o Grupo de Teatro do Clube Curitibano estreia o espetáculo Sherazade, inspirado no clássico As Mil e Uma Noites. Essa será a 15.ª peça elaborada e apresentada pelo Grupo, e como já é tradicional as apresentações fazem parte da mostra Fringe do Festival de Teatro de Curitiba. A estreia da peça será no dia 28 de março, dois dias após a abertura do Festival, mas ultrapassa a data oficial do evento e se estende até o dia 20 de abril. Inspirada nas histórias de “As Mil e Uma Noites”, a peça Sherazade é ambientada em um tempo imemorial e em uma Pérsia fantasiosa, onírica, mágica e misteriosa, e apoiada no romance ancestral.

Ficha Técnica

Grupo de Teatro do Clube Curitibano

Dramaturgia, Cenografia E Direção: Enéas Lour

Elenco: Adriana Villar, Alexandra Mayrhofer, Ana Mary Ribas Fortes, Carlos Valente Castro Filho, Denise Ribeiro Losso, Dulce Furtado, Enéas Lour, Judith H. Mueller, Luciana Longhi, Martina Athene Mandić e Simone Nercolini.

Serviço:

Apresentações: de 28/03 a 20/04, sempre as quintas, sextas e sábados, às 20h30 (no dia 30 de março o espetáculo será exibido às 19h30).

Local: Sede Concórdia do Clube Curitibano

Ingressos: R$ 10 – valor único.

Calígula d’Albert Camus – Fringe

Perversão moral e sexual, déspota suicída e cruel; este foi o terceiro imperador romano conhecido como Calígula (12 d.C.-41 d.C.) o qual mantinha relação incestuosa com sua irmã e era falsamente bajulado pelos senadores. Sem dúvida um dos maiores textos teatrais do sec. XX por Albert Camus (Prêmio Nobel de Literatura). Interpretado pelo ator Paulo Fermiano e grande elenco,  sob direção de Edson Buen o(Melhor Direção – Gralha Azul).

Ficha Técnica

F Studios

Direção: Edson Bueno e Paulo Fermiano

Companhia: Paulo Fermiano, Roberto Bueno, Joao Paulo Moreira, Vinícius Staub, Daphne Garcez, Antonio Barros, Gessica Ferreira, Caio Pitanga, Douglas Perez, Luan Cavalcante, Snebur Otilopih, Nalah Nascimento, Joy Marcondes, Ricardo Westphalen, Felipe Ramos, Joy Marcondes, Nalah Nascimento, Gislaine de Paula Costa, Mayumi Eguchi, Fabio Cordeiro, Mayumi Eguchi.

Serviço

05/04 (Sexta) às 21h no Teatro José Maria Santos

06/04 (Sábado) às 14h no Teatro José Maria Santos

5
out

Este não é um texto sobre política (ufa!)

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Eu sou relativamente nova na política. Sim, eu aprendi muito na escola e ouvi diferentes histórias sobre o tema durante a vida, mas o engajamento é recente. Comecei a me interessar pelo assunto na universidade, onde abri meus olhos para situações que estiveram à minha frente o tempo todo.

Clichês à parte, relato minha breve experiência apenas para contextualizar o momento atual: estou obcecada por política.

Há meses meu cotidiano vem se moldando em torno de reportagens, debates, sabatinas e redes sociais. Ah, as redes sociais… Melhor nem entrar em detalhes. Tudo ao meu redor está tomado por rostos e nomes conhecidos (ou nem tanto), de pessoas que prometem alentar meu futuro.

Sinto que me falta assunto em conversas de elevador, no escritório, em casa, com os amigos… Só sei falar disso! Nada tem me interessado mais do que uma fofoca política, saber das fake news do momento ou das barbáries de um-certo-candidato-à-presidência.

A menos de dois dias do encontro com as urnas, a iminência da decisão tem afligido meus sonhos e pesado nos meus ombros. Pensar em um veredito neste fim de semana é quase utópico, o que só aumenta minha tormenta: ainda restam 23 dias até o segundo turno!

Depois da confirmação de fato, é provável que eu fique alguns dias com o sentimento de vazio, como a carência pós-Copa do Mundo. A sensação irá se prolongar até que todos consigam retomar suas rotinas que serão, agora, dominadas por qualquer outro assunto menos desgastante, espero eu.

Bia.

17
ago

Retomando bons e velhos hábitos

baby-beautiful-child-1257105Eu amo ler. Assim que aprendi a unir as letras e transformá-las em palavras, desenvolvi o hábito da leitura, muito incentivado pela minha mãe. Quando eu era criança, ia à biblioteca do colégio uma, duas ou até três vezes por dia: emprestava um livro no início da tarde, lia no recreio, devolvia e já partia para o próximo. A bibliotecária, que esperava minhas visitas diárias, já conhecia meus gostos e separava os lançamentos das séries infantis das quais eu tanto gostava.

Fui crescendo e, naturalmente, outros interesses começaram a aparecer. Na medida em que me engajava em outras atividades, diminuía minha frequência na biblioteca. No começo, a bibliotecária perdoava, mas cobrava: “não conseguiu vir ontem, Bia?”. Nos anos que se passaram, ela foi deixando de me chamar pelo nome e, para o meu espanto, não consegui lembrar o dela para colocar neste texto.

No ensino médio, só fui à biblioteca quando era obrigada: para pegar livros de matérias que eu não gostava, como física ou química, ou para fazer alguma atividade determinada pelos professores. Eu continuava lendo, mas só por obrigação. Chegava a achar torturante ler alguns livros que iriam cair no vestibular.

Quando chegou a hora de decidir o curso que faria na universidade, pensei por um tempo e, entre jornalismo, publicidade e direito, fiquei com a primeira opção. “Você gosta de ler? Tem que gostar muito para ser um bom profissional nessa área”, começaram a me dizer. As lembranças da infância me faziam falar que sim, mas, no fundo, eu sabia que não podia afirmar isso naquele momento.

Virei universitária e, de fato, eu precisei ler muito e, de novo, como uma obrigação. Artigos intermináveis, livros-reportagem antiquíssimos e os jornais da cidade, afinal, com frequência um professor perguntava quais eram as manchetes do dia – e ai de quem não soubesse. Quatro anos se passaram e eu não li um livro sequer, que não fosse relacionado ao meu curso. Jurei que quando passasse o TCC, iria recuperar o tempo perdido e ler, pelo menos, um livro por mês.

Apesar da promessa que fiz a mim mesma, só estou começando a cumpri-la agora, com quase dois anos de formada (!). Ganhei no Natal passado um box com os livros originais da saga Harry Potter e decidi começar com eles o resgate da minha essência leitora. Em meio à falta de tempo, estou caminhando lentamente nesse processo. Demorou, mas parece que agora consegui retomar esse bom e velho hábito e parece que não vou mais desistir dele – a não ser que eu resolva fazer outra graduação (risos).

Bia.

13
jul

Mas… Você é gamer?

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Neste ano, a 5ª Pesquisa Game Brasil, que vem acompanhando o desenvolvimento dos jogos digitais no país, revelou que mulheres são maioria nesse universo tradicionalmente masculino: quase 60% dos gamers brasileiros são do sexo feminino.

Outro dado que costuma acompanhar materiais sobre esse assunto é o de assédio – diferentes pesquisas, de diferentes localidades, apontam que entre 60% e 100% das mulheres que jogam online já sofreram algum tipo de assédio. Mas, hoje, o foco deste texto não é esse!

A cada dia que passa, estamos mais presentes no mundo dos games e com menos vergonha ou receio de admitir nosso amor (ou vício) por esses momentos maravilhosos de descontração em frente a um computador ou outro console qualquer. As amigas que não jogam já não nos olham de maneira esquisita e os homens estão cada vez menos impressionados, deixando de nos questionar: “mas VOCÊ joga mesmo?”.

O fato de sermos 60% no Brasil não tem muita relevância. Ao contrário do que muitos pensam, não estamos travando uma batalha contra os homens. O que esse número diz, na verdade, é que não temos mais medo de sermos exatamente como somos e, muito menos, de exteriorizar isso.

É libertador poder admitir e sentir certo orgulho ao dizer que somente de The Sims 4 tenho mais de 1.050 horas jogadas, algumas centenas de Counter Strike e outras dezenas de Fortnite – ainda sou noob. Isso sem contar com os mais antigos, como StarCraft, Worms ou as diversas versões de Crash Bandicoot, Mortal Kombat, Need For Speed, Tekken e outros mais.

Então, meninas, parabéns para nós! Essa é só mais uma de nossas pequenas vitórias. Ainda teremos muitos rounds e chefões para passar antes de zerar esse jogo!

Obs.: até o fim do dia alguns desses números poderão estar desatualizados.

Bia.

29
jun

As leituras do mês #3

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Vamos lá! Seguindo a tradição aqui no Blog da Talk, chegou a hora de falar sobre minhas leituras do mês de maio e junho. Está querendo ler um livro e não sabe qual? Então vem me ler. As outras listas e dicas estão neste link aqui: https://goo.gl/xrikVB

Menina Má
William March

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Provavelmente nos anos 1950 o livro chocou muita gente. Uma criança psicopata? Hoje em dia já temos materiais até melhores. Mesmo assim, a escrita de March é bem assustadora, os personagens são todos estranhos e infantis de uma maneira incômoda. O problema é que a tradução da DarkSide está bem ruim e há muitos erros ortográficos que irritam um bocado e minha experiência com a história foi frustrante. Talvez a versão original seja melhor. Não há uma página sequer que não tenha alguma falha. Pena.

Desonra
J.M. Coetze

Extremamente forte e desconfortável, Desonra vai te dar vontade de ler uma historinha de ninar depois de terminar o livro, tudo porque você ficará perturbado da cabeça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy. No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid.

Um de Nós Está Mentindo
Karen M. McManus

Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. O começo é mais divertido do que o meio e o fim. É um entretenimento ok, mas bem esquecível. Tem umas questões interessantes, como relacionamento abusivo na adolescência e a interação entre os personagens, mas chega uma hora que a história gira, gira e não sai do lugar. Os motivos da morte do garoto são bastante problemáticos e perigosos, tanto do ponto narrativo quanto ético, já que é um livro direcionado ao público jovem.

À Noite Andamos em Círculo
Daniel Alarcón

A história é ótima e Daniel Alarcón escreve belissimamente, mas o livro não me tocou. Achei que, literalmente, ele começa a andar em círculos em determinado ponto. A vida de Nelson não está tomando o rumo que ele queria. Sua ex-namorada está morando com outro; seu irmão mais velho emigrou para os Estados Unidos e não cumpriu a promessa de levá-lo junto; e ele próprio tem de viver ao lado da mãe viúva, tentando estabelecer uma carreira de ator e dramaturgo que não decola, num país latino-americano recém-saído da guerra civil.

Harry Potter and the Philosopher’s Stone
J.K. Rowling

Bem, o que é que eu vou dizer? Eu já li esse livro umas cinco vezes e devo ler muito mais ao longo da vida, mas agora decidi reler a série toda em inglês. Eu fico emocionado, de verdade, real, com o que a Rowling fez. Eu vou ser bem cafona aqui, mas ela consegue sempre me levar de volta para um mundo que, aos 12 anos de idade, meio que me salvou e continua salvando. É impressionante o universo construído por ela e é impressionante ver como ela criou uma história tão linda que acompanha a gente por anos. Toda criança, adolescente e adulto deveria ter algum contato com a série Harry Potter.

17
nov

Deu e passou!

Foto: Divulgação

Depois de passar 30 anos envelhecendo, fiz uma descoberta recente que me deixou muito animada: minha velhice passou. É isso, deu, mas já passou, foi uma fase.

Talvez volte, vou ficar de olho. Mas por enquanto sinto que ela se foi e já foi tarde. Os amigos da minha idade – algo entre 50 e 60 anos – conseguem entender, depois que me explico.

Os jovens me olham com aquela condescendência que reservamos aos desajustados em geral e sepultam comentários debaixo de uma risadinha. São jovens, mas não são burros!

Vou resumir aqui minhas razões. Como sabem os mais próximos, não pretendo morrer. Se acontecer um dia, paciência. Só não está nos meus planos.

Por isso, resolvi há algum tempo mudar de vida. Nada muito espetacular. O suficiente, porém, para me devolver a juventude. Emagreci e venci a síndrome metabólica, nome técnico para as doenças da obesidade. As chiques, como a hipertensão, o diabetes, a esteatose hepática, a hipercolesterolemia; e as de pobre, como a dor nos quartos, o esporão calcâneo e até a unha encravada…Que tudo dá em quem é gordo.

Pois muito bem. Livre do peso que levava nas costas, livre dos remédios de uso contínuo, livre da ameaça de morte precoce por obesidade, eis que descobri que estou jovem de novo.

A velha guria que havia em mim reapareceu em forma de disposição e humor. E veio com bônus, em doses extras de tolerância e resiliência.

É claro que tudo isso tem pouco a ver com o espelho, esse miserável, que só escondeu a passagem do tempo para o sortudo do Dorian Gray. De modos que resolvi ignorá-lo, não preciso muito dele. Dou aquela conferida no reflexo para ver se as cores estão combinando, se não estou saindo de casa com a saia presa em algum lugar, se o cabelo segue em seu escorrido padrão, e sigo adiante.

Eu e Benjamin Button, mais jovens do que nunca!

Beijos,

Marisa

7
mai

Inspiração da Semana

Desde o final de abril estamos fazendo uma ação na fanpage da Talk -http://www.facebook.com/TalkAssessoriaDeComunicacao – chamada “Inspiração da Semana”. Ela rola todas as segundas-feiras e conta um pouco sobre algum cliente aqui da agência.

Quando começamos a bolar esta ação foi que me dei conta, assim de um jeito mais concreto, sobre o privilégio que temos em conviver com pessoas tão legais por aqui. Tivemos até dificuldade em selecionar quem ficaria de fora da lista e muita gente para lá de bacana acabou sendo cortada porque senão a ação nunca terminaria.

Nestes anos de Talk acabei virando praticamente uma fã de muitos dos clientes e tento usar essa turma do bem como espelho, observar as atitudes deles e aprender ao máximo o que cada um tem de melhor. Com essa prática, o que percebi serem as características comuns aos que mais me impressionam: inteligência arrebatadora, uma vontade enorme de ajudar as outras pessoas, coragem e humildade. Eles me inspiram na semana e sempre.

Beijos,

Karin Villatore

31
jan

Super-heróis

Centro Joao Paulo II Dia das Criancas Sempre que sou convidada para falar com estudantes de Jornalismo lembro a moçada de que nossa profissão é composta por duas grandes áreas indissolúveis e igualmente importantes: Comunicação Social. Nesta segunda esfera, acredito ser a obrigação de um jornalista fazer algo de concreto e de bom pela sociedade.

Nestes seis anos de Talk sempre tivemos alguma entidade apoiada com trabalho voluntário de toda a nossa equipe. Em março do ano passado, a amiga Michelle Thomé nos trouxe de volta o convívio com o Professor Belmiro Valverde Jobim Castor, que preside o Centro de Educação João Paulo II (CEPJII). Desde então, a escola tem sido o nosso cliente do coração.

O Centro de Educação João Paulo II atende mais de 250 crianças e adolescentes carentes de Piraquara, com um padrão de ensino ao estilo de país escandinavo de tão bom, jornada escolar de mais de oito horas, esportes, artes e três refeições por dia para a criançada. Os alunos são selecionados pelo critério da renda familiar, ou seja, quanto menor a renda, maior a prioridade para a matrícula.

Se você ainda não conhece o colégio, vale a pena dar uma olhada no site www.joaopaulosegundo.org.br ou na fanpage www.facebook.com/centrojoaopaulosegundo

Temos, todas aqui da Talk, o maior orgulho em fazer parte deste projeto. E tenho, pessoalmente, a foto anexa como minha motivadora para dias em que algo não vai bem. Não sei se é porque tenho filho menino, mas me toca profundamente essa imagem da festa do Dia das Crianças no Centro, com esse trio feliz da vida com as fantasias e os doces doados por voluntários. Lindos super-heróis.

Beijos,

Karin Villatore