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12
mar

8 espetáculos imperdíveis do Festival de Teatro

PI
Há 28 anos, o mês de março em Curitiba é sinônimo de correr atrás do Guia do Festival de Teatro, em busca das melhores peças para assistir durante as duas semanas em que a cidade respira artes cênicas. Sem qualquer pedantismo ou exagero, afinal são espetáculos espalhados pela capital, em praças e espaços públicos que vão além dos palcos tradicionais como Guairão, Positivo e Reitoria.

Como estudante de Jornalismo, depois repórter do jornal Metro e assessor na edição 2015, acompanho o Festival há nove anos. Para te ajudar a escolher o que assistir em meio a tantas opções, selecionei seis espetáculos da Mostra Oficial – que segue a curadoria afiada de Márcio Abreu e Guilherme Weber desde 2016 – e dois do Fringe. Temos comédias, homenagens, musicais e monólogos para todos os gostos, com entradas a partir de R$ 10.

Escolha o que mais te agrada e bom espetáculo!

PS: Para a programação completa, que inclui ainda as mostras Fringe, Risorama, Guritiba, Mish Mash e Gastronomix, acesse: https://festivaldecuritiba.com.br/

 Abujamra Presente

Definida como um recorte, uma colcha de retalhos exorbitante de alguns momentos significativos dos dez anos que Abujamra esteve a frente da Companhia Os Fodidos Privilegiados, um espetáculo feito especialmente para a programação da exposição sobre ele, “Rigor e Caos” no Sesc Ipiranga. Contém cenas de nudez.

Ficha Técnica

Direção Geral: João Fonseca

Texto: Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht, Rafael Alberti

Roteirizado por: João Fonseca

Elenco: André Abujamra, Guta Stresser e grande elenco

 Serviço

30/03 (Sábado) às 21h no Teatro Guairinha

31/03 (Domingo) às 19h no Teatro Guairinha

Elza (Musical)

Uma homenagem à cantora Elza Soares. No palco, as múltiplas facetas de Elza e as reviravoltas de sua vida são mostradas no texto de Vinicius Calderoni. Larissa Luz, Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Krystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim dão vida às músicas, cujos arranjos foram criados pelo baiano Letieres Leite. Canções como “Lama”, “O Meu Guri”, “A Carne”, “Se Acaso Você Chegasse”, entre outras, fazem parte do repertório.

Ficha Técnica

Elenco: Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim. Atriz Convidada: Larissa Luz

Direção: Duda Maia

Texto: Vinícius Calderoni

Direção Musical: Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet

 Serviço

05/04 (Sexta) às 21h no Guairão

06/04 (Sábado) às 21h no Guairão

Navalha na Carne – Uma Homenagem a Tônia Carrero

Neusa Sueli é uma prostituta decadente e explorada por Vado. Em meio a brigas e desavenças, ela vai às ruas para ganhar dinheiro, enquanto Vado sai com outras mulheres e leva a vida sossegado.  Escrita por Plínio Marcos em plena ditadura militar, “Navalha na Carne” é contundente, visceral, violento, patético, poético e humano.  A peça foi proibida na época da ditadura militar. Tônia Carrero conseguiu a liberação e produziu, há exatos 50 anos, a montagem que entrou para a história. Essa nova NAVALHA, idealizada e protagonizada por sua neta, Luisa Thiré, é uma homenagem à ela.

Ficha Técnica

Texto: Plínio Marcos

Direção: Gustavo Wabner

Elenco: Luisa Thiré, Alex Nader e Ranieri Gonzalez

Serviço

01/04 (Segunda) às 21h no Teatro Sesc da Esquina

02/04 (Terça) às 21h no Teatro Sesc da Esquina

PI – Panorâmica Insana

Prêmio APCA de melhor espetáculo de 2018, Pi – Panorâmica insana, da diretora Bia Lessa, traça um painel irônico do mundo contemporâneo. Com Cláudia Abreu, Leandra Leal, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira, a peça discute temas como indivíduo, civilização, sexualidade, política, violência, nação, miséria, riqueza, gênero e desejo. A dramaturgia do espetáculo foi concebida a partir dos ensaios e resultou numa escritura cênica não convencional, que transita entre as artes plásticas, o teatro e a dança.

Ficha Técnica

Textos de Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’anna, com citações de Franz Kafka e Paul Auster.

Concepção, Direção Geral e Escritura Cênica: Bia Lessa.

Elenco: Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo.

Serviço

30/03 (Sábado) às 21h no Guairão

31/03 (Domingo) às 19h no Guairão

Recital da Onça

Solo que marca a volta de Regina Casé aos palcos teatrais depois de mais de 25 anos. Sua personagem recebeu convite de Harvard para inventar um novo formato pop para palestras sobre literatura brasileira para estudantes estrangeiros. Ela precisa ensaiar suas propostas antes da viagem, a partir de textos de nossos grandes autores. “Recital da Onça” é esse “ensaio”. A plateia tem a tarefa de ajudá-la a escolher os textos mais adequados para essa missão e a enfrentar seu pavor de aeroportos, da imigração americana e do frio congelante do inverno em Harvard.

Ficha Técnica

Criação: Hermano Vianna e Regina Casé

Direção: Estevão Ciavatta & Hamilton Vaz Pereira

Elenco: Regina Casé

Serviço

28/03 (Quinta) às 21h no Guairão

29/03 (Sexta) às 21h no Guairão

Sísifo

Sísifo.gif, primeira colaboração cênica entre Gregorio Duvivier e Vinicius Calderoni, é uma investigação de como transpor para o palco a linguagem do gif e do meme.

Ficha Técnica

Elenco: Gregório Duvivier

Direção: Vinicius Calderoni

Texto: Gregório Duvivier e Vinicius Calderoni

Direção de Produção: Andréa Alves

Serviço

06/04 (Sábado) às 21h no Teatro da Reitoria (Rua 15 de Novembro, 1299)

07/04 (Domingo) às 21h no Teatro da Reitoria (Rua 15 de Novembro, 1299)

Sherazade – Fringe

No ano em que completa 14 anos de atividades, o Grupo de Teatro do Clube Curitibano estreia o espetáculo Sherazade, inspirado no clássico As Mil e Uma Noites. Essa será a 15.ª peça elaborada e apresentada pelo Grupo, e como já é tradicional as apresentações fazem parte da mostra Fringe do Festival de Teatro de Curitiba. A estreia da peça será no dia 28 de março, dois dias após a abertura do Festival, mas ultrapassa a data oficial do evento e se estende até o dia 20 de abril. Inspirada nas histórias de “As Mil e Uma Noites”, a peça Sherazade é ambientada em um tempo imemorial e em uma Pérsia fantasiosa, onírica, mágica e misteriosa, e apoiada no romance ancestral.

Ficha Técnica

Grupo de Teatro do Clube Curitibano

Dramaturgia, Cenografia E Direção: Enéas Lour

Elenco: Adriana Villar, Alexandra Mayrhofer, Ana Mary Ribas Fortes, Carlos Valente Castro Filho, Denise Ribeiro Losso, Dulce Furtado, Enéas Lour, Judith H. Mueller, Luciana Longhi, Martina Athene Mandić e Simone Nercolini.

Serviço:

Apresentações: de 28/03 a 20/04, sempre as quintas, sextas e sábados, às 20h30 (no dia 30 de março o espetáculo será exibido às 19h30).

Local: Sede Concórdia do Clube Curitibano

Ingressos: R$ 10 – valor único.

Calígula d’Albert Camus – Fringe

Perversão moral e sexual, déspota suicída e cruel; este foi o terceiro imperador romano conhecido como Calígula (12 d.C.-41 d.C.) o qual mantinha relação incestuosa com sua irmã e era falsamente bajulado pelos senadores. Sem dúvida um dos maiores textos teatrais do sec. XX por Albert Camus (Prêmio Nobel de Literatura). Interpretado pelo ator Paulo Fermiano e grande elenco,  sob direção de Edson Buen o(Melhor Direção – Gralha Azul).

Ficha Técnica

F Studios

Direção: Edson Bueno e Paulo Fermiano

Companhia: Paulo Fermiano, Roberto Bueno, Joao Paulo Moreira, Vinícius Staub, Daphne Garcez, Antonio Barros, Gessica Ferreira, Caio Pitanga, Douglas Perez, Luan Cavalcante, Snebur Otilopih, Nalah Nascimento, Joy Marcondes, Ricardo Westphalen, Felipe Ramos, Joy Marcondes, Nalah Nascimento, Gislaine de Paula Costa, Mayumi Eguchi, Fabio Cordeiro, Mayumi Eguchi.

Serviço

05/04 (Sexta) às 21h no Teatro José Maria Santos

06/04 (Sábado) às 14h no Teatro José Maria Santos

26
fev

As mudanças e a memória afetiva

Memória-afetiva

Saí de casa aos 28 anos para morar sozinho. Era um apartamento minúsculo, no mesmo bairro onde já morava, com sala, cozinha, quarto e banheiro, tudo no mesmo ambiente. Era minha mansão, claro. Foram dois anos de aprendizado. Virei amigo da solidão e jamais me senti solitário. Aprendi a apreciar minha companhia. Não conheço o que é tédio.

Mas depois de dois anos, resolvi me mudar para um apartamento maior, agora dividindo com outra pessoa, em outro bairro. Novos contextos e novas referências. Novo chão, velha constelação.

A parte burocrática da mudança é um troço muito insuportável de chato. Fretes, instalação de armário, chuveiro que queima, vistoria de apartamento, instalação de internet, bagunça, arrumação, inventário de coisa que eu nem sabia que tinha. Mas ao mesmo tempo em que tudo está uma zona completa, tudo também está lindo.

Eu me mudei para um bairro em que cada lugar ativa algo na minha memória afetiva. Foi lá onde boa parte da minha família viveu por muitos anos. A cada pedacinho do bairro, eu lembro do cheiro do café da minha bisavó, dos passeios com a minha avó, da alegria de pegar um ônibus quando criança, do apartamento onde minha tia viveu, do cheiro do chocolate enquanto minha tia preparava ovos de Páscoa, da sensação de ter ido ao cinema pela primeira vez, das brincadeiras com a minha prima no pátio de casa, do barulho da máquina de costura da minha bisavó.

É estranho, até meio mágico, o poder da memória. Esses dias entrei no apartamento e algum cheiro me transportou para uma época que eu nem lembrava que ainda existia dentro de mim. Quando fui dormir a primeira noite no apê novo, o barulho incessante de carros passando na rua me fez adormecer rapidamente, porque era o mesmo barulho de quando eu visitava minha bisa. A sensação é de pertencimento. Que coisa doida! Estou em casa.

19
fev

Planejar é tão bom quanto viajar

Aline

Nunca comprei um pacote promocional de viagem. Algumas vezes até tentei, mas não consegui me interessar de verdade pelo roteiro proposto. Não porque os pacotes não sejam bons, tem algumas opções que parecem ótimas, mas acho que o principal motivo é o fato de eu gostar de planejar a própria viagem.

Sou dessas que começa a viajar antes mesmo de definir o destino. Pesquiso os destinos, a melhor época do ano para visitar cada um deles, as opções de lazer, transporte, hospedagem, as passagens e, claro, a opinião de outros viajantes. Procuro sempre escolher um destino que eu não conheça. Tem tanto lugar que ainda quero conhecer, que evito repetir os lugares já visitados.

Sobre as vantagens de montar meu próprio roteiro, a principal delas é que é possível definir a viagem de acordo com os meus interesses e de quem está viajando comigo. Para mim, montar o roteiro é tão prazeroso, que se torna uma das etapas mais importantes da viagem. Nessa busca me surpreendo com cada coisa legal que não integra os pacotes tradicionais e normalmente são experiências incríveis.

Estudando as possibilidades que cada destino oferece, fica mais fácil definir qual será o melhor lugar para se hospedar e quantos dias serão ideais para conhecer o local. Além do mais, com planejamento e pesquisa é bem possível economizar muito.

Aproveito para deixar algumas dicas de sites que me auxiliam nessas buscas:

http://www.melhoresdestinos.com.br/ (Baixei o aplicativo no celular e recebo muitas ofertas de passagens aéreas. Já comprei e recomento).

https://www.passagensimperdiveis.com.br/  (Também baixei o aplicativo, mas ainda há poucas ofertas de passagens).

https://www.airbnb.com.br/  (Além de excelentes opções de hospedagens, tem opções de comprar experiências bem interessantes. Os preços costumam ser muito mais baixo que os hotéis e existem acomodações para todos os gostos. Já aluguei excelentes casas com piscina no Nordeste e me surpreendi).

www.booking.com (Ideal para comparar preços de hotéis e permite fazer reserva com cancelamento grátis, dependendo da política da acomodação. Ótimo para garantir hospedagem e ainda continuar procurando outras opções. Só fique atento a data limite de cancelamento sem custo).

https://www.hoteis.com/ (Permite pagar tudo antes da viagem, já incluindo o IOF e todas as taxas. Isso evita possíveis surpresas com taxas e variação do dólar).

https://www.viajenaviagem.com/ (O colunista da Band News Ricardo Freire dá excelentes dicas baseadas nas dúvidas que recebe dos seus ouvintes. Bem interessante).

Bjs,

Aline Cambuy

12
fev

Não estamos no controle

game

Ano passado fui surpreendida por uma paralisia facial periférica – a tal da “Paralisia de Bell”. Já tinha ouvido falar vagamente da dita cuja, mas não tinha ideia da batalha que eu iria enfrentar. Fiz um vídeo rindo, o dia era 15 de julho. Achei que em menos de um mês estaria boa. Pois bem: estou entre os 15% que levam bem mais tempo para recuperar as funções faciais. Se você ainda não deu um Google ou não conhece a doença, é aquela em que a gente fica com a cara de quem teve um AVC – metade do rosto parece que derreteu. É horrível, dá vergonha de sair na rua e uma sensação irritante de impotência: “perdi o controle do meu próprio rosto”, pensei.

Será que eu iria ficar daquele jeito pra sempre? Os neurologistas pediam paciência. Muitos médicos me disseram que tudo o que eu podia fazer era fisioterapia e esperar. Continuo fazendo isso. Embora a sobrancelha ainda não se mexa, o sorriso melhorou bastante e quando estou quieta ninguém percebe por tudo o que passei nos últimos sete meses. Eu até já consigo piscar – sim, porque fiquei meses sem conseguir fechar 100% do olho esquerdo. Mas não estou te contando isso tudo para você ficar com pena ou assustado, e sim para dizer algo que aprendi com a melhor médica que encontrei nessa caminhada, a Dr.ª Aline Barreto. Ela é uma baita acupunturista e, pra mim, também uma excelente terapeuta: ela diz que a gente não tem ideia do quanto não está no controle de nada do que acontece em nossa vida. Se até o nosso corpo pode se rebelar contra nós, a despeito de nossos planos, imagina tudo o que está ao nosso redor. Não é que não sabemos o dia de amanhã. Não sabemos o minuto seguinte.

Tive vontade de compartilhar esse “insight” porque acredito que ele facilita viver e aceitar o que vier pela frente – não passivamente, mas sim enfrentar nossas lutas e entender que não estamos no controle de nada, e que coisas ruins, infelizmente, vão acontecer. Boas também. Ótimas. Algumas incríveis. E outras nem tanto. O importante é aprender, como diz a sábia Dr.ª Aline, a lidar com as dificuldades e ser feliz apesar delas. Não estou dizendo pra você deixar de planejar o futuro, seja o jantar de hoje, ou a viagem no fim do ano, veja bem. Estou te alertando que em alguns segundos tudo pode mudar. E aceitar essa falta de controle pode ser a chave para viver melhor o agora. Então, apenas seja feliz e “descontrole-se”.

Luciana

5
fev

De saudade, orgulho e inveja!

Tempos de Copa, alegria e esperança.

Tempos de Copa, alegria e esperança.

Nas mãos, em papel jornal, a edição histórica dos 100 anos da Gazeta do Povo. Os olhos leem a capa e identificam os elementos gráficos: a “linguiça”, trazendo notinhas do lado esquerdo, a manchete e a foto principal em cinco colunas, os titulinhos e as chamadas ao pé da página.

Rever uma edição da Gazeta em papel pode ser nada para quem nunca desenhou e editou uma primeira página, mas é muito para quem participou dessa gincana por anos a fio. O passado não tem idade e o coração dispara com as lembranças: a tensão do diagrama em branco e de escrever a manchete, a dúvida sobre a melhor foto, a dificuldade de derrubar chamadas importantes em troca de outras mais importantes ainda…

O medo eterno de em poucas horas – entre a meia-noite e as seis da manhã – descobrir que escolheu errado: a manchete era outra, havia uma foto melhor, alguma coisa ficou de fora daquelas seis colunas.

Quando isso acontecia, o dia virava uma desgraça só. Em compensação, as boas capas davam um orgulho danado e até as reuniões de MCIs ficavam mais suportáveis.

A edição especial veio com 96 páginas, mas algumas delas – além da prima – são como gatilhos de saudade: a Coluna do Leitor, Entrelinhas, as páginas de opinião…

O mergulho definitivo na nostalgia vem nas crônicas refinadas da Marleth Silva e na avalanche de memórias do José Carlos Fernandes, dois dos grandes com quem dividi minha vida durante 15 anos. Com tantos nomes para recordar e homenagear, o Zeca achou tempo pra me citar e me fazer inchar de orgulho.

Tá certo que não foi por minhas (in) competências jornalísticas, e sim pela cantoria com que torturava os colegas a cada fechamento.

Mas duvido que vocês não estejam morrendo de inveja!

Marisa

29
jan

Paraíso perdido

inhotim-2016

Em 2016, em viagem de férias mochilando por Minas Gerais, tive o prazer de visitar Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, cidade do belíssimo “parque-museu” do Instituto Inhotim, que se tornou parada turística obrigatória desde seu lançamento, em 2006.

O local é, sem dúvida, um dos mais belos espaços de natureza e arte contemporânea do país, verdadeiro museu a céu aberto para todos os públicos, gostos e idades. Tamanha é a beleza natural, com ares futuristas das edificações, que Inhotim se tornou cenário da segunda temporada da série brasileira 3%, da Netflix, justamente como ambientação para o paradisíaco Maralto – a ilha de prosperidade para os 3% da população que “tivessem mérito” para lá estar, fugindo do continente miserável num futuro pós-apocalíptico.

Inacreditável, a realidade muitas vezes se sobrepõe à ficção. Na última sexta-feira, 25 de janeiro, Brumadinho teve seu paraíso natural invadido pela lama da barragem da Vale, em mais um crime ambiental de grandes proporções, apenas três anos depois da tragédia na também mineira Mariana.

A região está devastada, o meio ambiente agonizará por vários meses até que a recuperação tenha início, e levará alguns anos para voltar minimamente ao normal. Se é que voltará: Mariana ainda sofre com os efeitos de sua barragem negligenciada.

Inhotim, por sua vez, está com atividades suspensas e fechado ao público até fevereiro. Sabe-se que a área do instituto está preservada, mas boa parte da estrutura ao redor, incluindo pousadas, não teve a mesma sorte.

À indignação dos brasileiros, soma-se a sensação de impotência por mais um crime ambiental não ter sido evitado. E a esperança de que, quem sabe dessa vez, aprenderemos a lição. Ou reduziremos os riscos de mais barragens estourarem. Assim esperamos. Nosso patrimônio natural e ambiental agradece.

André Nunes

22
jan

Meus melhores livros de 2018

blog-ro

Eu sei que 2018 já acabou e 2019 já começou com bastante calor, mas como eu passei o ano inteiro falando de livros, não poderia deixar de fazer uma pequena lista das melhores obras lidas, não é mesmo?

Fiquei contente ao perceber que, entre vários projetos, as pessoas colocaram “ler mais” como item da lista pessoal. Garanto que o ano será bem mais leve. Aqui vai minha contribuição. Os 10 melhores livros lidos em 2018!

  1. A Visita Cruel do Tempo (Jennifer Egan)

Surpreendente, A Visita Cruel do Tempo combina diferentes pontos de vista sobre histórias que se entrelaçam de maneiras inesperadas. Ao longo dos sabores e dissabores da vida dos personagens, a autora Jennifer Egan traça um interessante panorama sobre crescimento, perda e ambição e sobre o que acontece entre o que esperamos de nossa vida e o que se torna realidade.

“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?”

  1. Me Chame Pelo Seu Nome (André Aciman)

O filme é bom e o livro melhor ainda. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera história de paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude.

  1. O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor (Elvira Vigna)

Os mesmos fatos. Que mudam, dependendo de como são contados. Pode ser que façam uma história de amor. Do tipo amor total, desses que só se ouve falar. Pode ser que façam a história de um crime. No fim, uma questão de escolha. A narradora deste livro se vê debruçada sobre a vida de duas pessoas já mortas. São lembranças sem importância. Vestígios concretos de uma vida. Elvira Vigna é incrível.

  1. Notes On A Scandal – What Was She Thinking? (Zoe Heller)

Barbara Covett é uma professora veterana de um rigoroso colégio e fica amiga de Sheba Hart, a nova e carismática professora de artes. Barbara descobre que a amiga está tendo um caso com um aluno e começa um jogo de manipulação e obsessão de uma mulher solitária e carente.

  1. Lavoura Arcaica (Raduan Nassar)

André saiu de casa por que era sufocado pelos pais. Anos depois ele cede aos apelos da mãe e volta para casa. Ele irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã. Texto forte e difícil de ler.

  1. Incidente em Antares (Érico Veríssimo)

Em dezembro de 1963, uma sexta-feira 13, a matriarca Quitéria Campolargo arregala os olhos em sua tumba, imaginando estar frente a frente com o Criador. Mas logo descobre que está do lado de fora do cemitério da cidade de Antares, junto com outros seis cadáveres, mortos-vivos como ela.

Uma greve geral na cidade, onde até os coveiros aderiram, impede o enterro dos mortos. O que fazer? Os distintos defuntos, já em putrefação, resolvem reivindicar o direito de serem enterrados, do contrário, ameaçam assombrar a cidade. Seguem pelas ruas e casas, descobrindo vilanias e denunciando mazelas. O mau cheiro exalado por seus corpos espelha a podridão moral que ronda a cidade. Maravilhoso Veríssimo. Essencial leitura para os dias de hoje.

  1. Canção de Ninar (Leila Slimani)

Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Livro para ler cheio de tensão nas costas.

  1. Desonra (J.M. Coetze)

Conta a história de David Lurie, professor de literatura que é expulso da universidade após ter um caso com uma aluna. Com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, o romance investiga as relações entre uma cultura humanista e a situação social explosiva da África do Sul pós-apartheid. Devastador.

  1. Nada a Dizer (Elvira Vigna)

Nada a Dizer é a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída. No entanto, muito mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra é uma investigação minuciosa das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo.

  1. O Sentido de um Fim (Julian Barnes)

Um homem atormentado por seu passado encontra um fato que o faz repensar sua vida. Tony tenta enfrentar a verdade e assumir a responsabilidade pelas ações que tomou há muito tempo.

Rodrigo de Lorenzi

21
dez

Que venha 2019!

brinde

Encerramos mais um ciclo. Com a sensação de dever cumprido e inúmeras conquistas, viramos a página de 2018 para 2019.

Esse ano conquistamos novos parceiros e consolidamos outros tantos que nos confiam o trabalho de comunicação há anos. Agradecemos por acreditarem em nós e na nossa busca incansável por melhores resultados, pautados na comunicação estratégica, ética e alinhada com os objetivos de cada um dos nossos clientes.

O resultado é fruto da união de uma equipe muito profissional e competente. A Talk tem a felicidade de contar com um time engajado e, neste ano, ganhamos novos integrantes que chegaram à empresa com muitas boas ideias e experiências para serem compartilhadas.

Para o próximo ano estamos estruturando novos serviços. Em breve, anunciaremos as novidades.

Agradecemos a todos os nossos clientes, a parceria dos nossos amigos da imprensa e o apoio de nossas famílias, além da dedicação da nossa equipe. Vocês são fundamentais nessa caminhada.

Um Feliz Natal e um novo ano repleto de realizações!

Beijos,

Aline Cambuy e Marisa Valério

 

18
dez

Qual é o seu lugar preferido no mundo?

cabo_polonio

Você já parou para se perguntar qual o lugar de que você mais gosta? E aqui, estou falando de um lugar físico mesmo, não algo mais subjetivo como colo de mãe, sabe?! E convido você à reflexão. Quando buscamos uma lembrança boa, lá no fundo da memória, achamos um lugar. Qual o seu? Você até pode responder nos comentários, mas quero mesmo é que se lembre — porque isso muito provavelmente vai melhorar o seu dia.

Pensou? Pode ser Londres, Paris, Salvador, a cidade em que seu pai nasceu… há lugares que marcam a gente e ficam no coração. Estou sendo meio piegas, eu sei, mas também sei que todo mundo tem seu lugar favorito no mundo. Agora, te faço uma proposta: que tal visitar esse lugar de volta?

Eu vou te contar o meu lugar secreto: Cabo Polônio, no Uruguai – não espalhe, ele é meio desconhecido e é bom que continue assim (sou uma taurina ciumenta). Fui uma vez lá, por acaso, e passei uma noite só. Até hoje me pego lembrando do clima, da areia, do farol, dos lobos marinhos e das dunas que você precisa passar para chegar lá. Ele me cativou tanto, que estou indo novamente para passar mais quatro dias. E olhe que nem sou uma pessoa que ama praia. E se você pensar, essa é a graça de gostar de algo, ou alguém: muitas vezes você não sabe explicar ao certo o que te encantou, mas o encanto existe.

Então desejo que em 2019 você possa voltar ao seu lugar preferido!

Luciana.

7
dez

O tempo é uma beira de estrada

jardim-murado

Desde que me entendo por gente tenho uma imagem mental do calendário, da passagem do tempo. Enquanto o ano avança, é como se estivesse subindo uma ladeira suave e sempre em curva para a direita, de modo que quando chego em dezembro estou de novo no começo do mesmo caminho.

Em julho há uma ponte, e ainda que o mês pertença ao segundo semestre pra mim esse período só começa em agosto. Isso já me criou problemas. Nos tempos de editora executiva em redação de jornal – com mais funções de planejamento do que de jornalismo-raiz – quase perdia a hora para as pautas de balanço e de projeções.

Os feriados são portões de jardim, com portinhas arredondadas ornadas de flores. Uma visão romântica que nem combina comigo, mas foi o subconsciente quem criou, então devo ter uma alminha sentimental perdida aqui por dentro.

Os dias de aniversário das pessoas da família ficam nas margens desse caminho, como se fossem  serzinhos felizes, quase emoticons, embora não amarelos, mas azulados, como um céu com nuvens claras.

Se você chegou até aqui e quer me passar o telefone do psiquiatra, espere mais um pouquinho, só para eu terminar de explicar. Essas imagens me acompanham desde sempre, mas só recentemente tive consciência delas. Foi quando percebi que à medida que o tempo passa vão entrando novos elementos nesse mundo vida loka da minha cabeça.

O tempo é uma beira de estrada e, agora, deram de aparecer umas esquinas e uns atalhos que nunca havia “visto”. Em setembro deste ano, por exemplo, houve uma curva acentuada, em 90 graus, e quando vi estava em outubro. Nem vi direito os portõezinhos dos feriados.

Olho para o calendário de papel e ele segue firme, em branco e marrom, sem se abalar com minhas ideias próprias de como se conta o tempo. Acho que é porque ele conta o tempo que passa e eu vou contando o tempo que falta.

Marisa.