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19
set

Limpeza no Congresso

Hoje uma notícia chamou a minha atenção: foi a ação da ONG Rio de Paz, que colocou 594 vassouras, em plena Praia de Copacabana, em protesto contra a corrupção no Congresso Nacional. O número de vassouras corresponde a quantidade de deputados e senadores no país. A ação simbólica pede uma limpeza na corrupção.  Acho que vale a pena compartilhar a iniciativa:

ONG finca 594 vassouras em Copacabana e pede que Congresso limpe a corrupção

Vassouras são uma referência ao número de deputados federais e senadores do País

Voluntários da organização não governamental (ONG) Rio de Paz fincaram, na madrugada desta segunda-feira (19), 594 vassouras pintadas de verde e amarelo nas areias da Praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O ato representa um protesto contra a corrupção no país. O grupo também estendeu uma faixa com a inscrição “Congresso Nacional, Ajude a Varrer a Corrupção do Brasil”.

Segundo o líder do movimento, Antonio Carlos Costa, a ideia é conscientizar a população para cobrar mais transparência na utilização do dinheiro público, já que os desvios desses recursos são responsáveis pela morte de muitos brasileiros. Ele explicou que as vassouras são uma referência aos 513 deputados federais e 81 senadores, que integram o Congresso Nacional.

“Nós precisamos inaugurar uma nova fase no nosso país, marcada por um controle social maior das ações do Legislativo e do Executivo, porque hoje esse controle está sendo mediado apenas pelos partidos políticos, que se reúnem e tomam suas decisões, enquanto o povo observa de braços cruzados. É um movimento pacífico para mobilizar a população até vermos essa quantidade absurda de dinheiro [arrecadada pelos cofres públicos] ser canalizada para as obras de infraestrutura, escolas, assistência médica, entre outros”, afirmou.

Costa também informou que uma nova manifestação está marcada para esta terça-feira(20). O grupo vai fixar em Copacabana e no Aterro do Flamengo, também na zona sul da cidade, cartazes com a foto de uma bala de revólver e a inscrição “Corrupção Mata”.

Da Gazeta do Povo  

Luanda Fernandes

2
set

Independência ou Morte!

Na próxima semana vamos comemorar o Feriado da Independência ou o dia sete de setembro, pois, assim como eu, a maioria dos brasileiros está ansiosa mesmo é pelo feriado nacional. Aquele dia de folga coletiva em que as pessoas aproveitam para descansar, se divertir ou simplesmente ficar em casa sem fazer nada. O que de fato 99% da população não vai fazer é refletir sobre a representatividade da data para a nação.

Então, comecei a pensar e recordar alguns acontecimentos significativos pelo qual o país passou e não precisou fazer uma retrospectiva muito extensa, bastou verificar os últimos 30 anos, por exemplo. Somente na década de 80 muitas foram as mudanças: passamos pelas Eleições Diretas, foi criado o Plano Cruzado e a Constituição Federal, enfim, foi um período de muitas transformações, o país saía de um governo ditador e começava a respirar o ar da tal liberdade de expressão há muito tempo esquecida.

Isso só aconteceu porque o povo começou a exigir seus direitos, foi às ruas e gritou por melhoras. O que não quer dizer que foi uma transição tranquila, afinal, passamos por períodos terríveis principalmente na economia com variações extremas na inflação. Simplesmente os produtos triplicavam de preço no mesmo dia, as pessoas faziam filas e brigavam nas padarias para poder comprar o pão e o leite de cada dia. Foi um período difícil, mas conseguimos superar de alguma forma.

Também tivemos a revolução da década de 90 os movimentos de paz, após anos de guerras sofridas pelo mundo afora. Seguindo as tendências dos anos 80 continuamos com a evolução cultural e artística. No Brasil elegemos um presidente novo, diferente de todos os outros. Era aquele tipo bonitão e jovem, que trouxe esperança de mudanças para a história brasileira. Sonhávamos com um país renovado rumo à independência financeira e à modernidade – doce ilusão. O mandado durou pouco diante de tantos escândalos de corrupção evolvendo o presidente galã. Mais uma vez o povo se reuniu e pediu o impechament. E assim aconteceu.

Agora avalio esse novo milênio: as coisas melhoram consideravelmente. As pessoas têm acesso às informações e conhecimento pelos fatos que acontecem no dia a dia. O Brasil tornou-se um país reconhecido mundialmente, com uma economia valorizada e sólida. Também sobreviveu a crises mundiais, que afetaram até mesmo países com economia muita mais forte que a nossa.

Porém, os escândalos e a corrupção aumentaram em escala proporcional. Cada dia é uma CPI nova instaurada, outra investigação que descobriu desvios de dinheiro em grande quantidade, político tentando esconder propina de todas as maneiras (lembram dos dólares na cueca?) e por aí em diante. Fico me questionando até onde isso vai dar, pois já não é mais o absurdo caso do representante corrupto e, sim, mais um corrupto que leva dinheiro descaradamente. E o que me entristece é que nem me surpreendo mais com o assunto, acho que ninguém mais fica. Pois isso se tornou uma rotina tão comum nos noticiário que, às vezes, nem sei mais se o que está sendo divulgado pela mídia é um escândalo novo ou a repercussão do mesmo.

Diante disso, deixo uma reflexão: qual é o país que queremos para os próximos 30 anos? Não imagino como será a minha vida daqui a três décadas, assim como também não imaginava no passado como seria agora. Mas de uma coisa tenho certeza: não podemos nos acomodar com essa roubalheira que virou o poder público. Devemos exigir dos nossos representantes as punições para os que roubam e ficam ilesos. Nem tudo pode acabar em pizza como estamos acostumados a acompanhar.

Luanda Fernandes

26
jul

Requião sai ileso

A advocacia do Senado da República definiu que não houve falta de decoro parlamentar por parte do Senador Roberto Requião, no episódio em que resolver tomar o gravador de um repórter. A representação foi feita pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal para que fosse aplicada uma advertência ao senador.  Na época, além de tomar o gravador do repórter, Requião também insinuou se o jornalista gostaria de apanhar, o fato aconteceu dentro do plenário do Senado. A justificativa foi de que o Senador não havia gostado das perguntas feitas pelo repórter, que se referia sobre a aposentadoria vitalícia que ele recebe por ter exercido mandato de governador do Paraná.

Não é segredo para ninguém das inúmeras peripécias e escândalos que o ex-governador já se envolveu, principalmente em relação à imprensa. De fato essa figura política tem se mostrado um tanto irreverente, por não gostar da mídia – fato que já deixou claro diversas vezes – mesmo assim, não consegue ficar de fora de uma polêmica envolvendo jornalistas e veículos de comunicação. O que surpreende é que, apesar dessa quantidade de casos, esse representante do povo sai ileso sem ao menos uma advertência que conteste esse comportamento. Então, significa que qualquer um pode agir dessa maneira, desrespeitando o trabalho alheio?

Ora, a questão não é somente um discurso afamado de liberdade de expressão, que não é nem esse o caso que proponho, mas sim de respeito profissional. Quer dizer, ninguém pode sair difamando o trabalho de um representante político, mas o contrário é possível? Parece até mesmo uma piada de mau gosto, hoje em dia nós devemos cuidar para não ofender a moral política, mas e a nossa moral de cidadão como fica? Então se chegar a questionar um desses representantes sobre alguma questão ética que lhe diz respeito, ele pode me desrespeitar simplesmente porque não gostou da pergunta? Parece que estamos vivenciando uma inversão de papéis e a democracia é valida somente para aqueles que possuem o poder. Entendo que a pessoa pública tem que no mínimo saber que seus atos podem e devem ser questionados, afinal, ele foi eleito com o voto do povo.

Luanda Fernandes