Arquivo mensais:agosto 2015

28
ago

Tem alguma coisa muito errada com o mundo

O milho verde é amarelo, o quadro negro é verde, o halls preto é branco e o cantor Belo é feio. Esse monte de bobagem é apenas para descontrair ou uma forma leve de começar o texto, já que o assunto do qual resolvi escrever hoje não é nada engraçado.

o mundoAndo chocada com a quantidade de homicídios noticiados diariamente. Homens, mulheres, crianças, ricos, pobres, brancos e negros. O Brasil repercutiu bastante ontem a morte de dois jornalistas dos EUA que foram covardemente assassinados por um ex-colega de trabalho no momento em que faziam uma transmissão ao vivo. Por ser jornalista, fiquei ainda mais sensibilizada. Um país tão desenvolvido, mas que possui uma população fortemente armada. Os números assuntam e algumas fontes garantem que 90% dos domicílios dos EUA possuem arma de fogo.

No Brasil o porte de armas é restrito, mas infelizmente isso não garante a nossa segurança e nem que essas armas não cheguem às mãos de bandidos e cidadãos comuns. Independentemente das armas de fogo, o crime no País cresce de maneira assustadora. Antes falávamos da violência nas grandes cidades, agora vemos crimes bárbaros, com motivos torpes, assombrar os mais pacatos munícipios do interior.

É quase impossível ler um site de notícias que não tenha ao menos duas ou três matérias sobre desaparecimento de pessoas e assassinatos, muitas vezes cometidos por vizinhos ou até mesmo familiares das vítimas. Quando leio algo sobre isso, sempre fico comovida. O impacto é ainda maior quando acontece na minha cidade ou quando envolve crianças. A imensidão de notícias sobre esse tema jamais o tornará algo banal. Quem tem o direito de acabar precocemente com a vida de alguém? Quem merece morrer dessa maneira?

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou”, já dizia um trecho da música de Cássia Heller e Nando Reis.

Aline Cambuy

21
ago

Longe de tudo

Tivemos que dormir em Porto Seguro porque só tinha ônibus no dia seguinte. No guichê da Viação Brasileiro, o moço vendeu as passagens para Itamaraju e também as para Corumbau.

CorumbauChegamos ao primeiro destino, cidade estranha e cheia de menções a assassinatos em nossa pesquisa no Google. Surpresa: acho que hoje não tem ônibus pra Corumbau.

A chuva foi fraca, o ônibus saiu e conseguimos atravessar a estrada de terra.  São apenas 200 quilômetros entre Corumbau e Porto Seguro. Mas toma um dia inteiro. Um dia bom, que leva você ao ritmo da praia mansa de água esverdeada, dos pescadores da vila, da ponta de areia que avança sobre o mar, do arroz de polvo, do Tio Ari, da espera pelas baleias, da pousada rústica, do mercadinho, da vista do Monte Pascoal, da aldeia dos Pataxós.

A região é conhecida como Costa do Descobrimento e fica no extremo Sul da Bahia. Em tupi, Corumbau significa longe de tudo.

 

Como chegar: Viação Brasileiro – (73) 3288-3650 – Porto Seguro a Itamaraju – Saídas às 6h30 e às 8h. R$ 27,08 / Itamaraju a Corumbau – Saída às 14h40. R$ 18,40

Onde ficar: Jocotoka – (73) 3288-2291 / site www.jocotoka.com.br/ email [email protected]otoka.com.br / Chalé com 01 quarto e 01 banheiro (cama de casal ou 02 camas de solteiro) R$ 230,00 a diária/ Chalé com 02 quartos e 02 banheiros (01 quarto suíte com cama de casal + 01 quarto com 02 camas de solteiro) R$ 320,00 a diária

Quem procurar: Evandro trabalha na Jocotoka e tem uma empresa de turismo em Corumbau. Organiza o que você precisar e conhece todo mundo

Karin Villatore

 

13
ago

As medianeras…

Uma das esquisitices dessa vida que muito me encantam são as medianeras. Também conhecidas como “paredes cegas” que, por mim, são muito bem vistas. Gosto de andar pelas ruas olhando (mesmo de dentro do ônibus) para os edifícios, tentando achar essas paredes que não possuem janelas, portas ou qualquer outra abertura.

Tudo começou quando assisti um dos filmes argentinos que mais gosto, cujo nome é o tema do post. O filme, de 2011, escrito e dirigido por Gustavo Taretto, é para quem gosta de longas com metáforas (algumas vezes, bem piegas), pois ele lança reflexões, inter-relacionando a crise da existencialidade, das relações sociais, da melancolia e da solidão urbana com as formas desorganizadas das cidades e da arquitetura, especificamente de Buenos Aires. A principal metáfora da trama são as medianeras.

“Todos os prédios, todos mesmo, têm um lado inútil. Não serve para nada, não dá nem para frente, nem para o fundo, a “medianera”; superfícies que nos dividem e que lembram a passagem do tempo, a poluição e a sujeira da cidade. As “medianeras” mostram nosso lado mais miserável, refletem a inconstância, as rachaduras, as soluções provisórias… É a sujeira que escondemos debaixo do tapete…” (trecho do filme Medianeras, 2011, Argentina).

Esse item arquitetônico, que tem um impacto negativo na paisagem urbana, tem ganhado novas soluções, como as propagandas, painéis artísticos de graffiti ou de mosaicos, de LED ou intervenções – como no centro de Curitiba, que revelam o Ray Charles e o Jack, de O Iluminado – recebem também revestimentos com diversos materiais, tal qual o vidro ou jardins verticais, entre outros. Vale tudo para “dar vida” àquela parede que tentamos cotidianamente ignorar.

Marcielly Moresco

(credito foto WASHINGTON CESAR TAKEUCHI_Site_Circulando_por_Curitiba)

7
ago

No tempo do vinil

Vive certamente um momento estranho aquele que, como eu, nunca parou de ouvir músicas em discos de vinil.  Os preços dispararam e ficou praticamente impossível encontrar o desejado registro por um valor que não faça você ter um ataque do coração.  É profundamente  melancólico.  Incrivelmente, ninguém nos anos 1990 queria saber dos bolachões. Você encontrava discos por preços inacreditáveis comparados aos de hoje, as pessoas jogavam suas coleções na rua ou mandavam para reciclagem. Lembro-me de ter comprado um lote com dois mil discos, uma verdadeira pechincha, e no meio dele tinha uma coleção oriunda de uma escola primária, com gravações raríssimas de músicas infantis e de MPB.  Segundo a senhora que me vendeu, os vinis foram encontrados por ela no lixo, pois a escola renovou a biblioteca musical com cds.

R-2866333-1304697315.jpeg

A facilidade para encontrar, o preço e o prazer de ouvir algo que eu não ouviria normalmenteforam os principais motivos para começar a comprar vinis.  Poderia, assim, ouvir boa música e curtir as capas com aquelas fotonas de artistas e desenhos cheios de psicodelia, meus preferidos. Embora neste ramo não me considere um colecionador, sou mais um acumulador de discos, considero relevante algumas dicas para aqueles que estejam pensando em começar ou retomar a coleção.   

 

– Como já disse o pensador Walter Benjamin, a maneira mais pertinente de começar uma coleção é herdando. Portanto, olho na parentada!

– Caso você não tenha parentes em vista, sua coleção não irá muito longe sem dinheiro. É melhor nem começar. Colecionar é uma riqueza, de certo modo é o que você faz com o excedente, com a sobra. Significa transformar seu dinheiro em um objeto passional. Portanto, colecionar é um investimento.  Mas não pense que isso basta para encontrar aquela avis rara. Tem que procurar.

– No caso de usados, o ideal é que o estado de conservação do vinil esteja impecável, a não ser que seja obra raríssima e imprescindível para compor a coleção.

– Antes de comprar discos mais caros, é importante conferir a cotação. Um dos melhores lugares para isso é o portal discogs.com, que reúne vendedores do mundo inteiro. Você vai ver que nem tudo que falam que é raro é tão difícil e caro assim.

– Fuja desses toca-discos novos com design vintage. O som deles é horrível.

– Aposte em coisas diferentes, inusitadas, com preços mais convidativos.

Gostaria de voltar no tempo daqueles balaios onde era possível, pois aconteceu comigo, encontrar à venda por R$ 5 o álbum “Deus, a Natureza e a Música”, de Hyldon, trabalho primoroso, cheio de soul e boas energias.  Hoje, caso você conseguir achar essa preciosidade, terá que desembolsar por volta de R$ 300. E não posso deixar de citar o maravilhoso Murituri, do saudoso comediante e ator Arnaud Rodrigues, uma das maiores pauleiras gravadas nos anos 1970, avaliado hoje em R$ 750. Foi adquirido por R$ 1 em uma das minhas andanças pelos sebos de Curitiba.  Pensar nisso me dá uma saudade do tempo do vinil.