Arquivo mensais:novembro 2018

23
nov

Escrita com técnica: 5 dicas para melhorar o seu texto

Escrever textos de alto impacto é uma inquietação que acomete a maioria dos jornalistas, escritores e redatores em geral. As melhores formas de se ampliar a clareza, a fluência, o convencimento, a reprodução e a permanência de um texto são frequentemente abordadas e buscadas em cursos especializados, a exemplo do workshop “Escreva com Técnica“, realizado em Curitiba nesta semana pelo jornalista Rogério Godinho.

Com experiência em redações de grandes jornais e revistas de circulação nacional, Godinho elencou os cinco pontos abaixo como objetivos de um bom texto:

  • Clareza, para uma boa compreensão (que costuma ser atingida por quem tem boa formação universitária em cursos como Comunicação, Letras e Jornalismo);
  • Fluência, para fazer o leitor seguir após o primeiro ou segundo parágrafos;
  • Convencimento, a fim de contribuir para o repertório argumentativo do leitor;
  • Reprodução, talvez um dos objetivos mais buscados, nos compartilhamentos das redes sociais;
  • Permanência, por fim, a característica daquele texto marcante que é lembrado um mês depois, num churrasco de amigos, e talvez até no réveillon do ano seguinte.

Vale sempre recordar, porém, a máxima de Gene Fowler: “Escrever é fácil. Tudo que você tem a fazer é encarar uma folha em branco até gotas de sangue se formarem em sua testa”. Todas essas recomendações precisam ser adaptadas de acordo com sua realidade de escritor. E colocadas em prática.

escrita

Além destes pontos, Godinho elenca em seu workshop outras cinco dicas principais para melhorar nossos textos do dia a dia, seja no trabalho, com clientes ou naquele post do Facebook. São elas:

  1. Estrutura: fazer um esboço daqueles pontos que se pretende trabalhar no texto, seja ele uma postagem ou um artigo. Uma boa estruturação ajuda a não deixar nada de fora, e a elencar a ordem de prioridade de cada argumento, fala de autoridade e dados apresentados.
  2. Ritmo: basicamente, variações entre frases curtas, médias e longas, para não cansar o  leitor. Um texto com bom ritmo não se torna cansativo. Logo, as chances de ser assimilado e compartilhado aumentam.
  3. Repetição e enumeração: repetir uma palavra, ou sentença, é técnica de retórica usada desde os grandes oradores da antiguidade. Enumerar dados, metas ou qualquer outra sequenciação amplia o interesse do leitor em seguir o texto até o fim. Afinal, ninguém para de ler tópicos pela metade. Vale lembrar também da regra de ouro para a maior parte das enumerações: dois é pouco, três e quatro são o ideal, cinco e além podem ser demais.
  4. Uso do vocabulário e sinônimos: essa talvez seja a dica que exija maior esforço e autocrítica. Todos nós temos a tendência de nos repetir, seja com jargões, expressões e mesmo o vocabulário do dia a dia. É um mecanismo cerebral elementar de fazer as sinapses mais curtas, fáceis, à mão. Contudo, isso torna o texto fraco e sua aparência “manjada”. Ampliar o vocabulário, buscar sempre algum sinônimo ou ideia mais ampla são sempre boas indicações. Mas sem abusar da técnica, para não parecer pedante ou professoral.
  5. Polimento: aquele arremate antes da publicação, indo além da revisão comum que checa apenas pontuação e ortografia. Sempre dá para alterar algo e dar um verniz em seu texto, de preferência se deixá-lo “de molho” por algum tempo e retornar com outros olhos…

digitacao

9
nov

AS LEITURAS NOSSAS DE CADA DIA #5

Achou que eu não ia falar de livro novamente? Pensou errado! E na próxima vez que eu voltar aqui já será para me despedir de 2018 e fazer uma lista dos melhores livros do ano!

Enquanto isso, que tal aproveitar o feriado da próxima semana para colocar a leitura em dia? Aqui vão algumas dicas.

A Amiga Genial

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Autora: Elena Ferrante
Editora: Biblioteca Azul

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. O primeiro é narrado pela personagem Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos.

Bem, achei uma delícia de leitura e até me vi ali um pouco nas páginas, porém não bateu pra mim. Fiquei bem cansado e demorei semanas pra terminar. Triste, queria ter amado :( Vida que segue.

Nada a Dizer

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Autora: Elvira Vigna
Editora: Companhia das Letras

“Nada a Dizer” é a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída.

Meu segundo contato com Elvira Vigna foi ainda melhor do que o primeiro. “Nada a Dizer” diz tanto. É uma leitura dolorosa e melancólica. Vigna consegue pegar fragmentos de sentimentos difíceis de serem descritos e escreve de maneira delicada e certeira. Um tiro doeria menos.

Reparação

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Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras

Por não entender o mundo adulto da paixão e da sexualidade, Briony Tallis, uma menina inocente que sonha ser escritora, acusa injustamente um amigo de infância de abusar sexualmente de sua irmã.

Só não dou 5 estrelas porque não curto muito as cenas de guerra, esse cenário sempre me cansa, e como o Ian McWan separa uma parte inteira somente para isso, acabei me entediando um pouco, mas é fácil, FÁCIL, 4,5 estrelas e um dos melhores livros lidos no ano. O final é uma das coisas mais brilhantes, bonitas e bem escritas que eu já li. Drama familiar intenso sobre literatura e perdão. Na vida, às vezes, não há como reparar um erro.

A Hora da Estrela

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Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco

Existem tantas Macabéas. Macabéa insiste em viver mesmo num Brasil que insiste em matá-la.

Clarice me deixou destruído e ao mesmo tempo maravilhado. É absurdo como ela consegue colocar dentro de frases curtas tanto, tanto significado. É um soco a cada parágrafo. Que coisa linda.

O Papel de Parede Amarelo

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Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: Jose Olympio

Uma mulher fragilizada emocionalmente e com depressão pós-parto vai passar uns dias em uma casa afastada da cidade, a pedido do próprio marido, para que possa “descansar”. Só que a mulher é tratada de maneira infantilizada pelo marido machista, pelos familiares e pela sociedade. Aos poucos, ela vai entrando numa paranoia de delírio e obsessões com o papel de parede do quarto onde dorme.

Considerado um clássico feminista, “O Papel de Parede Amarelo” assusta por vermos a mulher sendo subjugada e sua depressão sendo tratada como frescura e besteira. Claustrofóbico e perturbador.