12
jun

Virei influencer

influencer

Há um movimento bem interessante de migração dos locais em que as pessoas costumam buscar informação. As redes sociais cada vez mais ocupam o espaço das tradicionais agendas culturais que saíam nos jornais uma vez por semana: tá tudo ali, em tempo real, para quem quiser se programar. Eu, que amo jornalismo cultural e gastronomia, vi no Instagram um prato cheio e resolvi me aventurar. Sou influencer fresca. Há quase dois meses criei o @BoraCuritiba, perfil do Instagram que reúne dicas do que fazer em nossa província dos pinheirais. É um universo superbacana, cheio de novidades pra mim. E cada pessoa que vive em Curitiba engajada organicamente é uma vitória pessoal. “Meu conteúdo é relevante”, penso.

Informar bem não é uma tarefa fácil. É preciso escolher o que é de interesse do público, não seu. O bom é que a gente aprende bem isso na faculdade de jornalismo – o que é uma vantagem em um mundo não especializado em apuração. E informar sobre cultura e gastronomia é algo apaixonante, mas que exige responsabilidade. Se você fala de algum lugar porque ganhou algo em troca, vira publicidade. Claro que eu não vou deixar de atender a convites que eventualmente venha a receber, mas vou informar o meu seguidor de que estive naquele lugar a convite de uma assessoria. Podem me chamar, hehe.

Quer conhecer a minha pequena agenda cultural virtual? Estamos no Instagram e no Face, por enquanto. Segue lá: instagram.com/boracuritiba.

Luciana Penante

6
jun

O Brasil na Netflix

Mecanismo-Samantha

Depois que a série 3% “deu a largada”, a Netflix tem investido cada vez mais em produções brasileiras. E que agradam o público internacional. Além da pioneira, que está prestes a ter sua terceira temporada lançada pelo canal de streaming, outras duas séries estrearam suas segundas temporadas recentemente: O Mecanismo e Samantha!

Consegui conferir, a passos de tartaruga, as duas produções (de oito e sete episódios cada, respectivamente). A maratona lenta se deve mais ao meu perfil de espectador do que ao ritmo das séries: sou daqueles que deixa para assistir no fim da noite, e não raro acabo pegando no sono no meio do episódio.

Dito isso, fico feliz em constatar que o Brasil está bem representado na Netflix!

O Mecanismo evoluiu as nuances e motivações dos personagens ao desenrolar a história baseada na Operação Lava Jato, nos entregando boas sequências de ação – principalmente as ambientadas na Tríplice Fronteira. A série de José Padilha (Tropa de Elite, Narcos) estrelada por Selton Mello ainda peca nos diálogos expositivos e “canastrões”, mas tem uma 2ª temporada mais regular que o ano inicial.

Se for renovada, deverá abordar em seu terceiro ano o governo Thames/Temer, além da prisão de Gino/Lula e, talvez, a eleição do “deputado de direita” à presidência, já que ele aparece na emblemática votação impeachment de Janete/Dilma. Pois é, os nomes trocados são parte da “diversão” de O Mecanismo…

Já Samantha!, com exclamação, continua a “saga” da estrela televisiva infantil dos anos 1980 na fase madura, vivida brilhantemente por Emanuelle Araújo, tendo que enfrentar os desafios do showbiz, o marido Dodói (Douglas Silva), ex-jogador recém-saído da prisão e o casal de filhos peculiares. Qualquer semelhança com a vida de Simony talvez não seja mera coincidência. A série é divertida, leve e mescla de forma eficiente as cenas de flashback oitentistas com a atualidade problemática da “ex-estrela mirim”.

PS: Se você gosta de produções nacionais e assina Netflix, confira também Coisa Mais Linda, série ambientada nos anos 1950 que já foi renovada! É linda mesmo…

Por André Nunes

28
mai

Meus últimos dias com 30

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 Como já diz a grande pensadora contemporânea Sandy: tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem. Sou jovem para ser velha e velha para ser jovem. Uma grande poeta, realmente.

Essa é a minha última semana com 30 anos e não apenas minhas costas doem, mas estou hipertenso e com níveis de vitamina D lá no dedão do pé de tão baixos, e olha que todo mundo tem falta de vitamina D no organismo. Entendi porque me sentia tão cansado todos os dias. É, rapaz, o tempo vai passando e a gente já amanhece exausto, rs.

Por outro lado, como diz a maravilhosa Maria Bethânia, envelhecer é um privilégio. Eu não voltaria para os meus 20 anos nem por alguns milhões. Minha cabeça atual pode até estar mais cheia das paranoias e preocupações, mas hoje em dia carrego uma certa inteligência emocional para lidar com o dia a dia. Minhas memórias e experiências até aqui também me transformaram, para melhor ou pior. Afinal, quem somos nós além da soma de nossas experiências e das coisas que aprendemos e colecionamos ao longo da vida? Nossa, estou tão profundo e sábio.

Embora fique impressionando por estar fazendo 31 anos (ainda não me acostumei com o número 3 na frente), a impressão que tenho é que minha vida ainda não começou, que uma hora vai, que o que está por vir será incrível. Eu não sei. Dizem que os anos passam e vamos ficando mais tranquilos. Eu continuo inquieto, o que também é bom, embora cansativo. Por outro lado, ao mesmo tempo em que me acho ainda jovem, sempre me senti com uma alma velhinha, desde criança. Eu acredito nessas coisas.

Acho que me perdi nas reflexões. É bom estamos sempre incompletos, afinal? É bom? Quem sabe, quando eu estiver terminando meus 31 anos, eu volto aqui e digo que nunca me senti tão jovem na vida. Será? Não sei de nada.

22
mai

Vale-night

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Dia desses pedi um “vale-night” lá em casa para curtir sozinha um show de um músico que eu adoro. Todos acharam engraçado, mas me incentivaram a ir. Esses tempos fiz uma viagem sozinha e foi incrível. Adoro ver o sol nascer na praia, caminhar sozinha e contemplar o mar. Tem uma frase do filósofo Jean-Paul Sartre que diz que se alguém se sente entediado quando está sozinho é porque deve ser uma péssima companhia. Nem sempre fui assim. Estou aprendendo a gostar da minha própria companhia. É apenas o começo, ainda tenho muito para evoluir nesse sentido. Aprendi que apenas quando estamos bem com nós mesmos é que podemos fazer outras pessoas felizes.

Gosto muito de reunir a família e os amigos. Em casa a mesa está sempre cheia de pessoas que eu amo. A cozinha então, nem se fala, é o lugar preferido de todos. Todo encontro vira uma festa. Se alguém me liga dizendo que vai me visitar já trato de preparar um lanche ou marco logo um churrasco. Tudo isso é bom demais e faz parte da minha essência. No entanto, com o passar do tempo, descobri que momentos de solidão são essenciais para o autoconhecimento.

O negócio é saber conciliar e ser feliz!

Bjs,

Aline

15
mai

Sobre aniversários

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Eu já tive vários tipos de pensamento a respeito de aniversários. Claro, em geral, quando somos crianças, amamos fazer aniversário. Parabéns, festa, bolo, presentes. Eu, como é de se imaginar, também amava meu aniversário. Mas já quando adolescente, conheci pessoas que não gostavam nem de ganhar parabéns, detestavam festa e abraços. Nunca entendi se era aversão a contato físico ou falta de empatia com a data, mesmo.

Nunca cheguei ao ponto de não gostar de aniversários, mas com o tempo passei a pensar “parabéns por quê?”, afinal de contas, eu só nasci, nem pedi pra ninguém – fosse assim, os parabéns deveriam ser para os meus pais; ou então os parabéns são porque fiquei mais velha? Bem, o tempo passa, inexorável – não há nada que se parabenizar nisso. Então qual o motivo de ganhar parabéns? Por sobreviver a mais um ano neste mundo cada vez mais louco? É realmente memorável, mas acho que os parabéns não vêm por isso. E confesso que ainda não entendi por qual razão eles vêm e acho que tudo bem. O que importa é se sentir querido.

Passei a enxergar a virada de ano como um reveillón pessoal – dá pra criar novas metas, revisar as velhas, enfim. É divertido. Pra mim, este mês, mais um aniversário chega, com ele os 3.6 e não tenho vergonha de dizer que estou chegando aos 40. Ficar velho tem seu charme, sim – e a gente fica um pouco menos ignorante. Mas isso é assunto pra outro post.

E você? Gosta de fazer aniversário?

 

Por Luciana Penante

7
mai

Curitiba

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Minha cidade é meu reflexo, inconstante como eu. Tão viva que muitas vezes me entristeço com seu calor exagerado, mas acabo me redimindo quando me presenteia com o rubro final de tarde. Quase sempre serena, lava os piores pecados com o orvalho matinal e com a tênue chuva do entardecer, e eu respiro aliviada, sua inconstância repetida ao longo do tempo, com leves desvios de cores e sons.

Mas naquela manhã ela estava mais negra do que o normal, com sua tempestade pungindo as pessoas acordadas e indiferente a quem tranquilamente vivia o momento embaixo dos lençóis. Acordada prematuramente, não entendia o motivo do caos. Apesar de ser feriado não pude descansar além do normal, e tomei o primeiro ônibus para fazer as compras rotineiras.

Surpreendi-me com a quantidade de pessoas nele, assim como nas ruas e em todo lugar. Nem nos feriados posso descansar – disse a cidade, com seu dia oblíquo avançando por todas as direções. Duas senhoras discutiam o tempo impondo suas ideias, consternadas por não conseguirem com elas desfazer as densas nuvens oponentes.

Pela janela, a todo momento se abriam guarda-chuvas de diversas tonalidades, contrastando com a escuridão. E a cidade, vista de cima, era uma festa de cores, florescendo a todo instante. Tão bela, que nem ela resistiu e sorriu, raiando os primeiros feixes de luz da manhã.

Stephanie D’Ornelas

2
mai

Sem abraço

 

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Li em algum lugar que uma das maiores dores da velhice é a falta do toque físico. Desde então me derramo em abraços demorados nos velhos que encontro pelo caminho.

Às vezes, eles resistem, reagem ao carinho inesperado empertigando o corpo, sorriem amarelo como quem diz “aconteceu alguma coisa?”.

Confesso que tenho medo dessa escassez que chega sem a gente perceber. A cada ano somado devemos perder toneladas de hormônios, e com eles o impulso da aproximação física, o prazer do aconchego.

A solidão também se expressa nesse espaço vazio entre nossos peitos que já não se tocam.

Também não há crianças pulando no colo da gente e mãozinhas que procuram as nossas apenas para permanecer, só pela segurança do contato.

A velhice apronta cada uma!

23
abr

Notre-Dame, empatia e reflexão

Incendio-Catedral-Notre-Dame

A Semana Santa de 2019 ficará para a história como aquela em que o mundo acompanhou, atônito e em tempo real, o incêndio da Catedral de Notre-Dame, marco zero de Paris. Como símbolo da capital francesa, dispensa apresentações. Muito antes de se pensar em erguer a Torre Eiffel, a Notre-Dame era e continua sendo o cartão-postal parisiense por excelência, além de ser o ponto turístico mais visitado de toda a Europa. Além disso, acaba representando, muito além do lado simbólico católico, tudo aquilo que a França foi e ainda é como referência cultural para o ocidente.

Dessa forma, a empatia foi global: muitas pessoas choraram ao ver a Notre-Dame em chamas, pensando no acervo e patrimônio da humanidade que poderia ser perdido em questão de minutos. É fato que a maior parte felizmente foi salva e/ou retirada dias antes pela reforma em andamento na igreja (como as estátuas de ferro que adornavam os telhados e a galeria de gárgulas), mas houve perdas de afrescos e pinturas, entre outros danos.

Na mesma proporção da empatia, vieram algumas reflexões sobre as razões de tanta gente comovida com o incêndio da Notre-Dame, mas que muitas vezes não é abalada por tragédias em outros países, ou quando morrem milhares de pessoas em desastres naturais.

Como diz o ditado, misturou-se “alhos com bugalhos”. O fato de alguém ficar triste ao ver a catedral em chamas não quer dizer que não se compadece de outras tragédias pelo mundo. Da mesma forma, muitas tragédias que vêm ocorrendo nos últimos meses (2019 não vai passar despercebido, definitivamente) acabam por “banalizar”, se é que essa é a expressão certa, o sentimento de mobilização da opinião pública.

Em outras palavras, é como se um atentado a bomba no Oriente Médio, furacão ou enchente na África ou Ásia fossem “distantes” ou mais infelizmente “comuns”, sob essa perspectiva, mas o crime ambiental de Brumadinho e o incêndio da Notre-Dame nos parecessem mais próximos e familiares.

Acima de tudo, acredito ser importante fomentar a empatia em todas essas situações. Mais do que luto seletivo, é preciso sempre ter a consciência de que somos todos parte de uma aldeia global, e de que aquilo que afeta nosso vizinho hoje pode chegar até nós amanhã.

André Nunes

alanis

16
abr

Ai, que saudades da minha gata

No começo de 2019 eu adotei uma gata, depois de meses, dias e horas pensando se essa seria uma decisão correta. Afinal, passo o dia todo fora de casa, já tenho um porquinho-da-índia gordo e maravilhoso (o Biscoito), e minha rotina é um pouco maluca. Enquanto eu refletia, o destino bateu à minha porta, quando uma mamãe gata e seus filhotes foram abandonados em um terreno baldio (ah, os humanos…). Eu não podia ficar com a família toda, mas decidi que esse era um sinal de que eu deveria entrar para o mundo dos gateiros. E assim, em janeiro, adotei minha pequena Alanis (em homenagem à cantora Alanis Morissette, minha cantora favorita).

Já são três meses de alegria, arranhões (muitos), ronronados, lambidas e mordidas, além de um carinho quentinho de manhã, quando Alanis vem na minha cama para se aninhar inteira do meu lado (ou na minha cara, ou no meu pescoço) para ronronar e fazer uma carinha de sono. O porquinho não ficou lá muito feliz, mas está se acostumando.

Nuca pensei que poderia amar tanto um serzinho tão pequeno e amoroso. É verdade que tem dias em que ela me enlouquece, arranha minha mão inteira até parecer que sofri um acidente grave, depois tenta escalar minha perna fincando as unhas mais afiadas do que as melhores facas do mundo.

Mas o negócio é que eu passo o dia todo com saudades da minha gata. Fico pensando nela dormindo na caixinha, que a minha tia fez especialmente para Alanis, fico pensando nela me esperando voltar do trabalho, penso nela se escondendo atrás das coisas só para pular e me assustar quando eu passo.

Alanis me espera todo dia atrás da porta da sala e sabe quando eu chego só de ouvir o portão do prédio. Ela começa a miar, se aninha toda nas minhas pernas assim que entro em casa e me segue em todos os cantos possíveis do apartamento. Ela é a gatinha mais maravilhosa desse meu mundo. Ai, que saudades da minha gata.

Rodrigo

 

3
abr

A arte imita a vida

aquele-que-caiCena do espetáculo “Aquele que cai”. Foto: Géraldine Aresteanu.

Tomo por ideia inicial um lugar comum, me perdoe. Precisamos de um ponto de partida para a viagem à qual te convido: um passeio pelas metáforas do espetáculo “Aquele que cai”, de Yoann Bourgeois. Se você não foi um dos sortudos convidados para a abertura da 28ª edição do Festival de Curitiba, no dia 26 de março, ou não esteve na plateia no dia seguinte, não tem problema. Se você é humano, o assunto lhe interessa. Antes de começar, peço que assista a um trecho da apresentação no Youtube.

Claro, a obra é aberta, não tem interpretação certa ou errada, mas vou compartilhar aqui o que ela significou para mim.

“Celui qui tombe” (o nome da peça em francês, seu país de origem) traz cinco personagens comuns, com roupas comuns e vidas aparentemente comuns. No início, eles estão em um lugar estranho (a plataforma – a meu ver, representação do mundo) e precisam se adaptar rapidamente ao ritmo ditado por ela, que gira – começa devagar, e vai aumentando a velocidade. É difícil se equilibrar sozinho, e em certo momento os cinco entendem que se ajudarem uns aos outros, conseguirão ficar em pé mais tempo e realizar mais coisas juntos. Logo, alguns casais se unem, se separam, e a plataforma gira cada vez mais rápido. Até que todos caem. Não é fácil se adaptar ao ritmo do outro e ao que o mundo exige de nós. Mas é importante aprender a levantar de novo, de novo e de novo.

Em outro momento, a plataforma é colocada sobre um único ponto de apoio, central. Como um prato apoiado em um palito. Torna-se ainda mais difícil encontrar o equilíbrio. Mas não podemos ficar inertes por muito tempo, ou somos engolidos pelo sistema: alguém vai se mexer, e se você ficar parado, cai. É preciso se adaptar rápido. Alguns personagens conseguem chegar a um ponto privilegiado e aproveitar a vista. Mas lembre-se, se todos se moverem para o mesmo lado da plataforma, caem. Alguns precisam ser o contrapeso – os privilégios infelizmente não são para todos.

Pouco antes do fim, os personagens estão no chão e a plataforma passa a se comportar como um pêndulo. Uma moça tenta empurrá-la sozinha: em vão, porque o mundo é muito pesado para ser carregado sozinho. Com a ajuda dos colegas de elenco, o pêndulo se move. Mas tudo o que vai, volta. E agora quem não se abaixa rápido o suficiente é empurrado pela plataforma. É preciso se movimentar, porque o mundo não para. Os personagens se abaixam, pulam, sobem na plataforma, deitam, fazem o que podem, mas invariavelmente, em algum momento são derrubados. Há quem caia e não levante mais, sem suportar o peso do mundo. E então todos ficam pendurados, segurando-se como podem, mas a verdade é que, no fim, todos caem.

E aí, se identificou? Qualquer semelhança com a vida real não foi mera coincidência. O Festival de Teatro de Curitiba vai até 7 de abril, domingo. Vá ao teatro, é bom ver a vida refletida na arte.

Luciana Penante