12
fev

Não estamos no controle

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Ano passado fui surpreendida por uma paralisia facial periférica – a tal da “Paralisia de Bell”. Já tinha ouvido falar vagamente da dita cuja, mas não tinha ideia da batalha que eu iria enfrentar. Fiz um vídeo rindo, o dia era 15 de julho. Achei que em menos de um mês estaria boa. Pois bem: estou entre os 15% que levam bem mais tempo para recuperar as funções faciais. Se você ainda não deu um Google ou não conhece a doença, é aquela em que a gente fica com a cara de quem teve um AVC – metade do rosto parece que derreteu. É horrível, dá vergonha de sair na rua e uma sensação irritante de impotência: “perdi o controle do meu próprio rosto”, pensei.

Será que eu iria ficar daquele jeito pra sempre? Os neurologistas pediam paciência. Muitos médicos me disseram que tudo o que eu podia fazer era fisioterapia e esperar. Continuo fazendo isso. Embora a sobrancelha ainda não se mexa, o sorriso melhorou bastante e quando estou quieta ninguém percebe por tudo o que passei nos últimos sete meses. Eu até já consigo piscar – sim, porque fiquei meses sem conseguir fechar 100% do olho esquerdo. Mas não estou te contando isso tudo para você ficar com pena ou assustado, e sim para dizer algo que aprendi com a melhor médica que encontrei nessa caminhada, a Dr.ª Aline Barreto. Ela é uma baita acupunturista e, pra mim, também uma excelente terapeuta: ela diz que a gente não tem ideia do quanto não está no controle de nada do que acontece em nossa vida. Se até o nosso corpo pode se rebelar contra nós, a despeito de nossos planos, imagina tudo o que está ao nosso redor. Não é que não sabemos o dia de amanhã. Não sabemos o minuto seguinte.

Tive vontade de compartilhar esse “insight” porque acredito que ele facilita viver e aceitar o que vier pela frente – não passivamente, mas sim enfrentar nossas lutas e entender que não estamos no controle de nada, e que coisas ruins, infelizmente, vão acontecer. Boas também. Ótimas. Algumas incríveis. E outras nem tanto. O importante é aprender, como diz a sábia Dr.ª Aline, a lidar com as dificuldades e ser feliz apesar delas. Não estou dizendo pra você deixar de planejar o futuro, seja o jantar de hoje, ou a viagem no fim do ano, veja bem. Estou te alertando que em alguns segundos tudo pode mudar. E aceitar essa falta de controle pode ser a chave para viver melhor o agora. Então, apenas seja feliz e “descontrole-se”.

Luciana

5
fev

De saudade, orgulho e inveja!

Tempos de Copa, alegria e esperança.

Tempos de Copa, alegria e esperança.

Nas mãos, em papel jornal, a edição histórica dos 100 anos da Gazeta do Povo. Os olhos leem a capa e identificam os elementos gráficos: a “linguiça”, trazendo notinhas do lado esquerdo, a manchete e a foto principal em cinco colunas, os titulinhos e as chamadas ao pé da página.

Rever uma edição da Gazeta em papel pode ser nada para quem nunca desenhou e editou uma primeira página, mas é muito para quem participou dessa gincana por anos a fio. O passado não tem idade e o coração dispara com as lembranças: a tensão do diagrama em branco e de escrever a manchete, a dúvida sobre a melhor foto, a dificuldade de derrubar chamadas importantes em troca de outras mais importantes ainda…

O medo eterno de em poucas horas – entre a meia-noite e as seis da manhã – descobrir que escolheu errado: a manchete era outra, havia uma foto melhor, alguma coisa ficou de fora daquelas seis colunas.

Quando isso acontecia, o dia virava uma desgraça só. Em compensação, as boas capas davam um orgulho danado e até as reuniões de MCIs ficavam mais suportáveis.

A edição especial veio com 96 páginas, mas algumas delas – além da prima – são como gatilhos de saudade: a Coluna do Leitor, Entrelinhas, as páginas de opinião…

O mergulho definitivo na nostalgia vem nas crônicas refinadas da Marleth Silva e na avalanche de memórias do José Carlos Fernandes, dois dos grandes com quem dividi minha vida durante 15 anos. Com tantos nomes para recordar e homenagear, o Zeca achou tempo pra me citar e me fazer inchar de orgulho.

Tá certo que não foi por minhas (in) competências jornalísticas, e sim pela cantoria com que torturava os colegas a cada fechamento.

Mas duvido que vocês não estejam morrendo de inveja!

Marisa

29
jan

Paraíso perdido

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Em 2016, em viagem de férias mochilando por Minas Gerais, tive o prazer de visitar Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, cidade do belíssimo “parque-museu” do Instituto Inhotim, que se tornou parada turística obrigatória desde seu lançamento, em 2006.

O local é, sem dúvida, um dos mais belos espaços de natureza e arte contemporânea do país, verdadeiro museu a céu aberto para todos os públicos, gostos e idades. Tamanha é a beleza natural, com ares futuristas das edificações, que Inhotim se tornou cenário da segunda temporada da série brasileira 3%, da Netflix, justamente como ambientação para o paradisíaco Maralto – a ilha de prosperidade para os 3% da população que “tivessem mérito” para lá estar, fugindo do continente miserável num futuro pós-apocalíptico.

Inacreditável, a realidade muitas vezes se sobrepõe à ficção. Na última sexta-feira, 25 de janeiro, Brumadinho teve seu paraíso natural invadido pela lama da barragem da Vale, em mais um crime ambiental de grandes proporções, apenas três anos depois da tragédia na também mineira Mariana.

A região está devastada, o meio ambiente agonizará por vários meses até que a recuperação tenha início, e levará alguns anos para voltar minimamente ao normal. Se é que voltará: Mariana ainda sofre com os efeitos de sua barragem negligenciada.

Inhotim, por sua vez, está com atividades suspensas e fechado ao público até fevereiro. Sabe-se que a área do instituto está preservada, mas boa parte da estrutura ao redor, incluindo pousadas, não teve a mesma sorte.

À indignação dos brasileiros, soma-se a sensação de impotência por mais um crime ambiental não ter sido evitado. E a esperança de que, quem sabe dessa vez, aprenderemos a lição. Ou reduziremos os riscos de mais barragens estourarem. Assim esperamos. Nosso patrimônio natural e ambiental agradece.

André Nunes

22
jan

Meus melhores livros de 2018

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Eu sei que 2018 já acabou e 2019 já começou com bastante calor, mas como eu passei o ano inteiro falando de livros, não poderia deixar de fazer uma pequena lista das melhores obras lidas, não é mesmo?

Fiquei contente ao perceber que, entre vários projetos, as pessoas colocaram “ler mais” como item da lista pessoal. Garanto que o ano será bem mais leve. Aqui vai minha contribuição. Os 10 melhores livros lidos em 2018!

  1. A Visita Cruel do Tempo (Jennifer Egan)

Surpreendente, A Visita Cruel do Tempo combina diferentes pontos de vista sobre histórias que se entrelaçam de maneiras inesperadas. Ao longo dos sabores e dissabores da vida dos personagens, a autora Jennifer Egan traça um interessante panorama sobre crescimento, perda e ambição e sobre o que acontece entre o que esperamos de nossa vida e o que se torna realidade.

“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?”

  1. Me Chame Pelo Seu Nome (André Aciman)

O filme é bom e o livro melhor ainda. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera história de paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude.

  1. O Que Deu Para Fazer em Matéria de História de Amor (Elvira Vigna)

Os mesmos fatos. Que mudam, dependendo de como são contados. Pode ser que façam uma história de amor. Do tipo amor total, desses que só se ouve falar. Pode ser que façam a história de um crime. No fim, uma questão de escolha. A narradora deste livro se vê debruçada sobre a vida de duas pessoas já mortas. São lembranças sem importância. Vestígios concretos de uma vida. Elvira Vigna é incrível.

  1. Notes On A Scandal – What Was She Thinking? (Zoe Heller)

Barbara Covett é uma professora veterana de um rigoroso colégio e fica amiga de Sheba Hart, a nova e carismática professora de artes. Barbara descobre que a amiga está tendo um caso com um aluno e começa um jogo de manipulação e obsessão de uma mulher solitária e carente.

  1. Lavoura Arcaica (Raduan Nassar)

André saiu de casa por que era sufocado pelos pais. Anos depois ele cede aos apelos da mãe e volta para casa. Ele irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã. Texto forte e difícil de ler.

  1. Incidente em Antares (Érico Veríssimo)

Em dezembro de 1963, uma sexta-feira 13, a matriarca Quitéria Campolargo arregala os olhos em sua tumba, imaginando estar frente a frente com o Criador. Mas logo descobre que está do lado de fora do cemitério da cidade de Antares, junto com outros seis cadáveres, mortos-vivos como ela.

Uma greve geral na cidade, onde até os coveiros aderiram, impede o enterro dos mortos. O que fazer? Os distintos defuntos, já em putrefação, resolvem reivindicar o direito de serem enterrados, do contrário, ameaçam assombrar a cidade. Seguem pelas ruas e casas, descobrindo vilanias e denunciando mazelas. O mau cheiro exalado por seus corpos espelha a podridão moral que ronda a cidade. Maravilhoso Veríssimo. Essencial leitura para os dias de hoje.

  1. Canção de Ninar (Leila Slimani)

Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Livro para ler cheio de tensão nas costas.

  1. Desonra (J.M. Coetze)

Conta a história de David Lurie, professor de literatura que é expulso da universidade após ter um caso com uma aluna. Com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, o romance investiga as relações entre uma cultura humanista e a situação social explosiva da África do Sul pós-apartheid. Devastador.

  1. Nada a Dizer (Elvira Vigna)

Nada a Dizer é a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída. No entanto, muito mais do que o inventário de perdas e danos em que costuma consistir esse tipo de relato, o que se encontra é uma investigação minuciosa das motivações de cada um dos envolvidos, bem como uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo.

  1. O Sentido de um Fim (Julian Barnes)

Um homem atormentado por seu passado encontra um fato que o faz repensar sua vida. Tony tenta enfrentar a verdade e assumir a responsabilidade pelas ações que tomou há muito tempo.

Rodrigo de Lorenzi

21
dez

Que venha 2019!

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Encerramos mais um ciclo. Com a sensação de dever cumprido e inúmeras conquistas, viramos a página de 2018 para 2019.

Esse ano conquistamos novos parceiros e consolidamos outros tantos que nos confiam o trabalho de comunicação há anos. Agradecemos por acreditarem em nós e na nossa busca incansável por melhores resultados, pautados na comunicação estratégica, ética e alinhada com os objetivos de cada um dos nossos clientes.

O resultado é fruto da união de uma equipe muito profissional e competente. A Talk tem a felicidade de contar com um time engajado e, neste ano, ganhamos novos integrantes que chegaram à empresa com muitas boas ideias e experiências para serem compartilhadas.

Para o próximo ano estamos estruturando novos serviços. Em breve, anunciaremos as novidades.

Agradecemos a todos os nossos clientes, a parceria dos nossos amigos da imprensa e o apoio de nossas famílias, além da dedicação da nossa equipe. Vocês são fundamentais nessa caminhada.

Um Feliz Natal e um novo ano repleto de realizações!

Beijos,

Aline Cambuy e Marisa Valério

 

18
dez

Qual é o seu lugar preferido no mundo?

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Você já parou para se perguntar qual o lugar de que você mais gosta? E aqui, estou falando de um lugar físico mesmo, não algo mais subjetivo como colo de mãe, sabe?! E convido você à reflexão. Quando buscamos uma lembrança boa, lá no fundo da memória, achamos um lugar. Qual o seu? Você até pode responder nos comentários, mas quero mesmo é que se lembre — porque isso muito provavelmente vai melhorar o seu dia.

Pensou? Pode ser Londres, Paris, Salvador, a cidade em que seu pai nasceu… há lugares que marcam a gente e ficam no coração. Estou sendo meio piegas, eu sei, mas também sei que todo mundo tem seu lugar favorito no mundo. Agora, te faço uma proposta: que tal visitar esse lugar de volta?

Eu vou te contar o meu lugar secreto: Cabo Polônio, no Uruguai – não espalhe, ele é meio desconhecido e é bom que continue assim (sou uma taurina ciumenta). Fui uma vez lá, por acaso, e passei uma noite só. Até hoje me pego lembrando do clima, da areia, do farol, dos lobos marinhos e das dunas que você precisa passar para chegar lá. Ele me cativou tanto, que estou indo novamente para passar mais quatro dias. E olhe que nem sou uma pessoa que ama praia. E se você pensar, essa é a graça de gostar de algo, ou alguém: muitas vezes você não sabe explicar ao certo o que te encantou, mas o encanto existe.

Então desejo que em 2019 você possa voltar ao seu lugar preferido!

Luciana.

7
dez

O tempo é uma beira de estrada

jardim-murado

Desde que me entendo por gente tenho uma imagem mental do calendário, da passagem do tempo. Enquanto o ano avança, é como se estivesse subindo uma ladeira suave e sempre em curva para a direita, de modo que quando chego em dezembro estou de novo no começo do mesmo caminho.

Em julho há uma ponte, e ainda que o mês pertença ao segundo semestre pra mim esse período só começa em agosto. Isso já me criou problemas. Nos tempos de editora executiva em redação de jornal – com mais funções de planejamento do que de jornalismo-raiz – quase perdia a hora para as pautas de balanço e de projeções.

Os feriados são portões de jardim, com portinhas arredondadas ornadas de flores. Uma visão romântica que nem combina comigo, mas foi o subconsciente quem criou, então devo ter uma alminha sentimental perdida aqui por dentro.

Os dias de aniversário das pessoas da família ficam nas margens desse caminho, como se fossem  serzinhos felizes, quase emoticons, embora não amarelos, mas azulados, como um céu com nuvens claras.

Se você chegou até aqui e quer me passar o telefone do psiquiatra, espere mais um pouquinho, só para eu terminar de explicar. Essas imagens me acompanham desde sempre, mas só recentemente tive consciência delas. Foi quando percebi que à medida que o tempo passa vão entrando novos elementos nesse mundo vida loka da minha cabeça.

O tempo é uma beira de estrada e, agora, deram de aparecer umas esquinas e uns atalhos que nunca havia “visto”. Em setembro deste ano, por exemplo, houve uma curva acentuada, em 90 graus, e quando vi estava em outubro. Nem vi direito os portõezinhos dos feriados.

Olho para o calendário de papel e ele segue firme, em branco e marrom, sem se abalar com minhas ideias próprias de como se conta o tempo. Acho que é porque ele conta o tempo que passa e eu vou contando o tempo que falta.

Marisa.

23
nov

Escrita com técnica: 5 dicas para melhorar o seu texto

Escrever textos de alto impacto é uma inquietação que acomete a maioria dos jornalistas, escritores e redatores em geral. As melhores formas de se ampliar a clareza, a fluência, o convencimento, a reprodução e a permanência de um texto são frequentemente abordadas e buscadas em cursos especializados, a exemplo do workshop “Escreva com Técnica“, realizado em Curitiba nesta semana pelo jornalista Rogério Godinho.

Com experiência em redações de grandes jornais e revistas de circulação nacional, Godinho elencou os cinco pontos abaixo como objetivos de um bom texto:

  • Clareza, para uma boa compreensão (que costuma ser atingida por quem tem boa formação universitária em cursos como Comunicação, Letras e Jornalismo);
  • Fluência, para fazer o leitor seguir após o primeiro ou segundo parágrafos;
  • Convencimento, a fim de contribuir para o repertório argumentativo do leitor;
  • Reprodução, talvez um dos objetivos mais buscados, nos compartilhamentos das redes sociais;
  • Permanência, por fim, a característica daquele texto marcante que é lembrado um mês depois, num churrasco de amigos, e talvez até no réveillon do ano seguinte.

Vale sempre recordar, porém, a máxima de Gene Fowler: “Escrever é fácil. Tudo que você tem a fazer é encarar uma folha em branco até gotas de sangue se formarem em sua testa”. Todas essas recomendações precisam ser adaptadas de acordo com sua realidade de escritor. E colocadas em prática.

escrita

Além destes pontos, Godinho elenca em seu workshop outras cinco dicas principais para melhorar nossos textos do dia a dia, seja no trabalho, com clientes ou naquele post do Facebook. São elas:

  1. Estrutura: fazer um esboço daqueles pontos que se pretende trabalhar no texto, seja ele uma postagem ou um artigo. Uma boa estruturação ajuda a não deixar nada de fora, e a elencar a ordem de prioridade de cada argumento, fala de autoridade e dados apresentados.
  2. Ritmo: basicamente, variações entre frases curtas, médias e longas, para não cansar o  leitor. Um texto com bom ritmo não se torna cansativo. Logo, as chances de ser assimilado e compartilhado aumentam.
  3. Repetição e enumeração: repetir uma palavra, ou sentença, é técnica de retórica usada desde os grandes oradores da antiguidade. Enumerar dados, metas ou qualquer outra sequenciação amplia o interesse do leitor em seguir o texto até o fim. Afinal, ninguém para de ler tópicos pela metade. Vale lembrar também da regra de ouro para a maior parte das enumerações: dois é pouco, três e quatro são o ideal, cinco e além podem ser demais.
  4. Uso do vocabulário e sinônimos: essa talvez seja a dica que exija maior esforço e autocrítica. Todos nós temos a tendência de nos repetir, seja com jargões, expressões e mesmo o vocabulário do dia a dia. É um mecanismo cerebral elementar de fazer as sinapses mais curtas, fáceis, à mão. Contudo, isso torna o texto fraco e sua aparência “manjada”. Ampliar o vocabulário, buscar sempre algum sinônimo ou ideia mais ampla são sempre boas indicações. Mas sem abusar da técnica, para não parecer pedante ou professoral.
  5. Polimento: aquele arremate antes da publicação, indo além da revisão comum que checa apenas pontuação e ortografia. Sempre dá para alterar algo e dar um verniz em seu texto, de preferência se deixá-lo “de molho” por algum tempo e retornar com outros olhos…

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André.

9
nov

AS LEITURAS NOSSAS DE CADA DIA #5

Achou que eu não ia falar de livro novamente? Pensou errado! E na próxima vez que eu voltar aqui já será para me despedir de 2018 e fazer uma lista dos melhores livros do ano!

Enquanto isso, que tal aproveitar o feriado da próxima semana para colocar a leitura em dia? Aqui vão algumas dicas.

A Amiga Genial

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Autora: Elena Ferrante
Editora: Biblioteca Azul

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. O primeiro é narrado pela personagem Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos.

Bem, achei uma delícia de leitura e até me vi ali um pouco nas páginas, porém não bateu pra mim. Fiquei bem cansado e demorei semanas pra terminar. Triste, queria ter amado :( Vida que segue.

Nada a Dizer

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Autora: Elvira Vigna
Editora: Companhia das Letras

“Nada a Dizer” é a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída.

Meu segundo contato com Elvira Vigna foi ainda melhor do que o primeiro. “Nada a Dizer” diz tanto. É uma leitura dolorosa e melancólica. Vigna consegue pegar fragmentos de sentimentos difíceis de serem descritos e escreve de maneira delicada e certeira. Um tiro doeria menos.

Reparação

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Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras

Por não entender o mundo adulto da paixão e da sexualidade, Briony Tallis, uma menina inocente que sonha ser escritora, acusa injustamente um amigo de infância de abusar sexualmente de sua irmã.

Só não dou 5 estrelas porque não curto muito as cenas de guerra, esse cenário sempre me cansa, e como o Ian McWan separa uma parte inteira somente para isso, acabei me entediando um pouco, mas é fácil, FÁCIL, 4,5 estrelas e um dos melhores livros lidos no ano. O final é uma das coisas mais brilhantes, bonitas e bem escritas que eu já li. Drama familiar intenso sobre literatura e perdão. Na vida, às vezes, não há como reparar um erro.

A Hora da Estrela

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Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco

Existem tantas Macabéas. Macabéa insiste em viver mesmo num Brasil que insiste em matá-la.

Clarice me deixou destruído e ao mesmo tempo maravilhado. É absurdo como ela consegue colocar dentro de frases curtas tanto, tanto significado. É um soco a cada parágrafo. Que coisa linda.

O Papel de Parede Amarelo

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Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: Jose Olympio

Uma mulher fragilizada emocionalmente e com depressão pós-parto vai passar uns dias em uma casa afastada da cidade, a pedido do próprio marido, para que possa “descansar”. Só que a mulher é tratada de maneira infantilizada pelo marido machista, pelos familiares e pela sociedade. Aos poucos, ela vai entrando numa paranoia de delírio e obsessões com o papel de parede do quarto onde dorme.

Considerado um clássico feminista, “O Papel de Parede Amarelo” assusta por vermos a mulher sendo subjugada e sua depressão sendo tratada como frescura e besteira. Claustrofóbico e perturbador.

Rodrigo.

19
out

“Casa, mata ou trepa”

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Na página 25, me deparo com esse texto: “Casa, mata ou trepa é um quadro muito divertido no qual três nomes são escolhidos e os jogadores devem definir, entre as opções existentes, com quem praticaria tal ação. Que tal jogar com o Felipe Neto?”

Já tem um tempo que o “fenômeno” saiu do Youtube e chegou às livrarias. Sim, os irmãos Neto são um fenômeno e colecionam milhões de seguidores, especialmente entre o público infantil.

Minha primeira aquisição foi o livro do Lucas, completamente bobo, mas com algumas atividades para crianças.

Não dá pra ler, o conteúdo não é nada interessante, mas as crianças querem mesmo é fazer as atividades propostas.

Na semana da criança não consegui escapar do livro do Felipe. Fomos a uma feira de livros e lá estava ele em destaque e em promoção por R$ 10. – “Mãe, o livrão do Felipe!!!”.

Comprei o livro autobiográfico de Felipe Neto, lançado pela Editora Coquetel e intitulado “Felipe Neto: A trajetória de um dos maiores youtubers do Brasil”. Parecia mais um livro bobo e inocente, com uma série de brincadeiras para o público infantil, como pinturas, ligue os pontos e caça-palavras.

Mas lá pelas tantas, uma atividade me deixa espantada: “casa, mata ou trepa”. Nela o participante tem que escolher em quais das três categorias coloca cada celebridade. O livro traz personalidades como Neymar, Mc Kevinho, Bruna Marquezine e até o ator pornô Kid Bengala.

Arranquei a folha na mesma hora. Pena, pois perdemos o verso, em que há uma das melhores atividades do livro: desenhar uma coruja usando um espaço quadriculado como guia (abaixo). Mas como permitir que meu filho tenha acesso a um vocabulário desses?

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Meu filho de apenas 4 anos me contou que sonha em ser youtuber. Até pouco tempo queria ser veterinário. As crianças mudam de ideia o tempo todo e são facilmente influenciadas. Ele, seus primos e colegas da escola, em algum momento foram impactados pelo “carisma” e por um monte de baboseiras que os irmãos Neto, Felipe e Lucas, disseminam na internet.

Tanto o Felipe quanto o Lucas tem um canal no Youtube, além de um terceiro canal juntos com quase 11 milhões de seguidores. Esses dias vi um vídeo do Felipe que pedia para as pessoas se cadastrarem para que ele atingisse os 30 milhões de inscritos. É muita audiência! Em um ano e meio no ar, eles se tornaram os maiores ídolos das crianças na internet. Ah, que saudades da Peppa Pig e da Galinha Pintadinha.

Mas ainda temos alguns clássicos que as crianças adoram e podem nos salvar desse tipo de conteúdo. Consegui nessa semana, sem esforço, substituir o foco dos irmãos Neto pelos quadrinhos de Maurício de Souza, de quem gostamos muito por aqui.

De quebra, descobrimos o site www.dentrodahistoria.com.br, no qual eu e o filhote nos distraímos um tempão criando um personagem com as características dele para entrar na história. Feito isso, o livro vai para a produção e chega pelos correios todo personalizado, com o nome da criança na capa, uma história adequada à idade dela e escrita como se ela fizesse parte do início ao fim. Simplesmente encantador.

Tem muita coisa boa na internet sim. Precisamos encontrar esse equilíbrio entre o mundo virtual e o real, que desperta o interesse das crianças sem aliená-las e sem agredí-las.

Beijos,

Aline