25
ago

Pequenos sonhos no espelho

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Cortei o cabelo  inspirada na foto de uma linda e jovem atriz, que sorria pra mim na capa da revista oferecida pela cabeleireira. Eu sabia, é claro, que o rosto da moça não vinha junto com o corte. Mas depois de algumas tesouradas e navalhadas nas madeixas, levantei os olhos para o espelho, com aquela esperançazinha…Vai que, né?

Faço a mesma coisa a cada Natal, quando olho sob a cama. Era ali que em geral ficavam nossos presentes, vários pacotes de coisas coloridas e baratas que o pai e a mãe embrulhavam com gosto. E a gente abria com encantamento. Às vezes, escondiam pela casa. Mas normalmente estavam lá. Bem sei que já não há, mas disfarço e olho mesmo assim.

Faltando menos de dois meses para o meu aniversário, sei que vou sonhar em vão, de novo, com um desejo impossível, tão impossível quanto o de me parecer com a Déborah Secco de cabelos curtos. Desde os 16 anos, quando saí de casa para estudar, recebia um telegrama com mensagem carinhosa. Até meus 28, ele vinha assinado pelo pai e pela mãe. Dali pra frente, quando o pai se foi, vinha com os carinhos da mãe. Já faz alguns anos que ela não lembra de datas e cada vez menos das pessoas.

Mas vai que, né?

Marisa Valério

18
ago

Uma pilha de livros

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Ando com um hábito um pouco feio, eu confesso. Toda vez que entro em uma livraria ou sebo, acabo saindo com uma obra na mão. Muito bonito. O problema é que tenho uma pilha de livros lá em casa me olhando com uma cara julgadora. Me leia, me leia, me leia. E aí eu compro mais um, porque está tão barato, eu sempre quis ler, esse tem capa dura!

Veja bem, não é que eu não esteja lendo nenhum livro e só comprando porque acho uma coisa cult. Acabei de ler a nova história do Harry Potter (que é bem ruim, por sinal). Estou lendo “It – A Coisa”, do Stephen King (que tem mais de mil páginas), mas aqueles outros livros ficam lá, me encarando com cara feia.

O negócio é que não adianta ficar comprando livros e mais livros se você não vai lê-los. É até egoísta. Você priva outros leitores de terem aquele exemplar e ainda deixa o coitado passando fome.

Por isso, agora decidi. Vou terminar a história do palhaço assustador que mata crianças (não recomendo ler “It” de madrugada, embora eu leia) e depois falo com meus outros livros, que esperam ansiosos o virar das páginas.

Um beijo

Rodrigo

11
ago

Feliz da vida!

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Recentemente me tornei oficialmente sócia da Talk Assessoria de Comunicação. Empresa sólida, com credibilidade e muito benquista pelo mercado e pela imprensa. Que orgulho! E esse casamento acontece com duas jornalistas que sempre admirei muito, a Karin Villatore e a Marisa Valério. Duas pessoas incríveis e extremamente competentes.

Confesso que estou feliz da vida com essa oportunidade e outras tantas que surgiram nos últimos meses, desde que entrei na Talk. A Karin se afastará em breve, mas deixa em nossas mãos um legado que cuidaremos com muito carinho e profissionalismo.

Estamos prontas para os novos desafios que vêm por aí. Animadíssimas e felizes demais da conta.

Beijos,

Aline Cambuy

4
ago

Voo livre 2

Eu-e-Gabri-2011

Lembro bem de quando escrevi este texto (http://blog.talkcomunicacao.com.br/?p=1208) sobre meu filho, três anos atrás. Desde então venho assistindo de camarote a uma transformação intensa.

Passamos do “mãe, tô com fome” para o relato sobre o rango bom feito por ele no final de semana. Do Desventuras Em Série para a Fenomenologia de Husserl. Do “amarra meu sapato” para camisas e calças enfileiradas no armário. Do “me dá dinheiro pra lan house” para a aprovação na bolsa da universidade.

Neste dia 25 ele embarca para um futuro bem promissor. Vai fazer um Mestrado em Filosofia chamado de Tripartite – um semestre na França, outro no Canadá e o restante do curso aqui na Federal do Paraná.

Com tudo isso, tenho me sentido meio assim, como a foto deste post.

Beijos,

Karin Villatore

 

28
jul

Apaixonei-me pela comida

 

risoto

Há um ano visitei Bento Gonçalves, cidade do Rio Grande do Sul conhecida por ainda manter em funcionamento uma Maria Fumaça. O trem faz um caminho pela Serra Gaúcha e também pelas vinícolas existentes na região, onde se produzem vinhos muito saborosos. A cidade tem diversos pontos turísticos, mas o que me fez amar Bento foi o restaurante Manjericão. Nunca na minha vida eu tinha comido risotos tão bons quanto aqueles e, embora o risoto de pera fosse ótimo, o que fez meu coração balançar foi o de manjericão. Não consigo explicar, foi amor à primeira bocada.

Após duas semanas em Bento, voltei a Curitiba. Procurei em diversos restaurantes algum que servisse risoto de manjericão, mas não obtive sucesso. Encontrei receitas na internet, testei algumas, e nenhuma delas se comparou àquele sabor.

Sou uma pessoa fácil de agradar; raramente reclamo da comida que como (exceto quando está sem sal), e talvez você ache um exagero essa busca que fiz pelo risoto, mas o fato é que: quando algo é bom, você quer mais. Então, dia desses resolvi mandar uma mensagem no Facebook do restaurante gaúcho. Contei sobre o meu desejo de comer aquele risoto e, na coragem, pedi a receita. Prontamente a Bruna, moça que cuida das redes sociais do restaurante, me respondeu enviando a receita (muito amor por essa menina!).

Testei a receita em casa e o prato ficou maravilhoso (modéstia à parte). Acho que vocês, caros leitores, também merecem experimentar essa delícia. Por isso, compartilho com vocês a receita:

  • Cozinhe arroz arbóreo com cebola, manteiga e sal (temperos a gosto).
  • No liquidificador, coloque azeite de oliva e folhas de manjericão fresco. Bata até virar uma mistura homogênea.
  • Em uma panela acrescente leite, molho branco, creme de leite e a mistura do manjericão. Mexa até que levante fervura. Aos poucos coloque o arroz arbóreo já cozido.
  • Misture bem e sirva aos convidados.

As quantidades não foram informadas e entendi que descobri-las faz parte da brincadeira. Se você fizer esse risoto, me conta como ficou? :)

E ah, obrigada, querido Restaurante Manjericão! <3

Beijos

Tayná Soares

21
jul

Loucura das cores

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Depois de uns 15 dias vestindo preto e variações, inspirada pela friagem que nos acomete, envergo uma blusa de lã cor-de-rosa e saio faceira de casa.

Na firma, elogiam minha roupa pink. Para complicar, digo que visto fúcsia. E aí já temos tema para uma conversa animada sobre a tal Psicologia das Cores, área de estudo adorada pelos marqueteiros e sob medida para enlouquecer pessoas como eu, que têm dificuldade para distinguir azul de verde.

Lembro de uma vendedora que me fulminou quando pedi para provar “aquela calça azul ali”. Com ar blasé, solicitou à colega: “Fulana, alcança a calça lavanda”. E eu ali, com cara de quem perdeu um semestre na faculdade.

Tive uma roupa linda, calça e blusa chiques de crepe de seda, que herdei da Martha Feldens. Saía de casa animadona, toda de azul piscina. E voltava de verde água, sempre encafifada com a teimosia das pessoas.

Quando o bordô, vulgo cor de vinho, virou burgundi e depois marsala tive vontade, sei lá, de escrever um manifesto contra o mundo da moda, queimar uns navios, rasgar uns livros em praça pública…gritar minha revolta contra a morte das cores primárias.

Nem vou falar do off white, do off black, do off tudo e dos estonados. Nem branco, preto e jeans a gente pode vestir em paz!

Marisa Valério

14
jul

As pequenas doses de felicidade

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Essa semana, bem no final do expediente, começou a chover daquele jeito que só chove quando você precisa pisar na rua e enfrentar o trânsito. Pingos grossos, vento destruindo seu guarda-chuva e carros nada simpáticos passando e te dando um banho de água fria e suja. Eu era o protagonista dessa cena. Foi um horror, claro, mas surpreendentemente eu não estava irritado ou amaldiçoando o mundo. Na verdade, estava pensando que logo chegaria em casa, tomaria um banho quente, receberia muitas lambidas do cachorro e poderia me esquentar, ser muito fofo, querido e assistir a mais um episódio de MasterChef.

E enquanto eu caminhava e pensava nessas previsões deliciosas que logo iam acontecer, percebi que estava feliz. Uma felicidade passageira, claro, mas muito calorosa. E foi aí que eu pensei sobre essa tal da felicidade. Os sábios realmente têm razão. É impossível alguém ser feliz 24 horas por dia e manter um sorriso na cara e passarinhos no ombro. Mas é possível ser feliz em diversas partes do dia. No fim, é isso que faz nossa vida valer a pena.

Quando estamos com muito frio e encontramos um raio de Sol no meio da rua, é como se estivéssemos sendo abraçados. Quando encontramos aquele amigo legal e damos risadas sobre coisas que somente fazem sentido para os dois, sentimos felicidade. Quando aquela pessoa pela qual somos apaixonadas nos pergunta como foi o dia, nos sentimos a pessoa mais importante desse mundo. Quando as coisas dão certo no trabalho, é como recebêssemos uma dose de autoconfiança. Quando ganhamos um abraço, é quase como se ali pudéssemos fazer nossa morada.

Acho que a vida é bela por causa desses e de outros momentos. Cada um sabe suas doses de felicidade diárias, mas poucos sabem reconhecê-las. Por isso, sejamos felizes não para sempre, mas várias vezes durante nossos dias.

Rodrigo de Lorenzi

 

7
jul

Qualidade de vida

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Dia desses ouvi uma pessoa dizer que quem tem um bom emprego e ganha um bom salário deve se limitar a trabalhar bastante e esquecer um pouco essa tal “qualidade de vida” que todo mundo almeja.  Pois eu discordo. Acho que é possível sim garantir êxito profissional e ter uma vida feliz e com qualidade. Aliás, uma coisa está diretamente relacionada à outra.

O trabalho só faz sentido se você também puder usufruir de momentos com a sua família, com os seus amigos e fazer outras coisas que lhe dão prazer. Acredito que, para que isso aconteça, é fundamental trabalhar com o que se gosta. Dessa forma sua rotina será mais prazerosa e seus momentos longe do ofício também.

Para mim, ter qualidade de vida significa ser feliz profissionalmente e pessoalmente. Significa ganhar dinheiro fazendo algo que você acredita e em que se realize. E, além disso, aprender a valorizar tudo que nos faz bem. É simples assim. Pense nisso!

Bjs,

Aline Cambuy

30
jun

Eu, Robô

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Um bafafá danado aquele vídeo sobre o DINO – Divulgar de Notícias. Pra quem não viu ou não é da área, um sujeito apresentou uma ferramenta como uma espécie de salvador da pátria pra quem não tem grana pra contratar uma Assessoria de Imprensa. Num lance tipo “faça você mesmo”, o cabra sugeriu que o próprio empresário produza o texto, poste no aplicativo e fique curtindo os sensacionais resultados depois. Levou tanta paulada que teve que se retratar junto à Abracom – Associação Brasileira de Comunicação Corporativa.

Esse auê me fez refletir sobre o futuro da nossa área. Será que um dia vai rolar uma automação das Assessorias de Imprensa? Imaginei alguém ligando aqui pra agência e uma voz mecânica falando:

Você ligou para a Talk Assessoria de Comunicação. Se quiser a divulgação de um release para a imprensa de todo o Brasil, disque 1. Se quiser a veiculação na imprensa de uma foto sua ao lado do juiz Sérgio Moro, disque 2. Se quiser se transformar em uma celebridade da mídia, disque 3. Se quiser falar com um de nossos jornalistas-robôs, disque 4.

Beijos,

Karin Villatore

 

23
jun

Pela rua

rua

Uma laranja voa no para-brisa do carro ao lado, parado no sinaleiro. O motorista, distraído pelo celular, leva um susto. Fico sem saber se rio ou se choro. O malabarista pra lá de improvisado faz uma cara de dar dó, enquanto tenta juntar as laranjas do chão, desculpar-se com o dono do carro e ainda recolher algum trocado, que a vida não tá fácil…

Na esquina seguinte, uma criatura sem camisa, inteirinha pintada de prateado, tiritava de frio numa dança esquisita que pretendia imitar os movimentos de um robô. Mais adiante, o casalzinho de namorados se revezava entre bandeirinhas e cones coloridos, passando o chapéu entre as janelas fechadas.

Minhas moedas se acabam enquanto penso na indigência do sujeito que tenta se estabelecer como artista de rua, seguindo o rastro dos argentinos e seus dreads, que há alguns anos trouxeram a moda para o Brasil.

Em que episódio do Faustão ele tentou aprender a se virar nos 30 segundos do sinal vermelho, em que boteco da Barão do Serro Azul ele jogou para cima as primeiras laranjas, em que mundo estamos para encontrar em cada esquina o retrato cada vez mais tenebroso do nosso empobrecimento…

O frio torna tudo pior. Até o meu humor.

Marisa Valério