7
dez

O tempo é uma beira de estrada

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Desde que me entendo por gente tenho uma imagem mental do calendário, da passagem do tempo. Enquanto o ano avança, é como se estivesse subindo uma ladeira suave e sempre em curva para a direita, de modo que quando chego em dezembro estou de novo no começo do mesmo caminho.

Em julho há uma ponte, e ainda que o mês pertença ao segundo semestre pra mim esse período só começa em agosto. Isso já me criou problemas. Nos tempos de editora executiva em redação de jornal – com mais funções de planejamento do que de jornalismo-raiz – quase perdia a hora para as pautas de balanço e de projeções.

Os feriados são portões de jardim, com portinhas arredondadas ornadas de flores. Uma visão romântica que nem combina comigo, mas foi o subconsciente quem criou, então devo ter uma alminha sentimental perdida aqui por dentro.

Os dias de aniversário das pessoas da família ficam nas margens desse caminho, como se fossem  serzinhos felizes, quase emoticons, embora não amarelos, mas azulados, como um céu com nuvens claras.

Se você chegou até aqui e quer me passar o telefone do psiquiatra, espere mais um pouquinho, só para eu terminar de explicar. Essas imagens me acompanham desde sempre, mas só recentemente tive consciência delas. Foi quando percebi que à medida que o tempo passa vão entrando novos elementos nesse mundo vida loka da minha cabeça.

O tempo é uma beira de estrada e, agora, deram de aparecer umas esquinas e uns atalhos que nunca havia “visto”. Em setembro deste ano, por exemplo, houve uma curva acentuada, em 90 graus, e quando vi estava em outubro. Nem vi direito os portõezinhos dos feriados.

Olho para o calendário de papel e ele segue firme, em branco e marrom, sem se abalar com minhas ideias próprias de como se conta o tempo. Acho que é porque ele conta o tempo que passa e eu vou contando o tempo que falta.

23
nov

Escrita com técnica: 5 dicas para melhorar o seu texto

Escrever textos de alto impacto é uma inquietação que acomete a maioria dos jornalistas, escritores e redatores em geral. As melhores formas de se ampliar a clareza, a fluência, o convencimento, a reprodução e a permanência de um texto são frequentemente abordadas e buscadas em cursos especializados, a exemplo do workshop “Escreva com Técnica“, realizado em Curitiba nesta semana pelo jornalista Rogério Godinho.

Com experiência em redações de grandes jornais e revistas de circulação nacional, Godinho elencou os cinco pontos abaixo como objetivos de um bom texto:

  • Clareza, para uma boa compreensão (que costuma ser atingida por quem tem boa formação universitária em cursos como Comunicação, Letras e Jornalismo);
  • Fluência, para fazer o leitor seguir após o primeiro ou segundo parágrafos;
  • Convencimento, a fim de contribuir para o repertório argumentativo do leitor;
  • Reprodução, talvez um dos objetivos mais buscados, nos compartilhamentos das redes sociais;
  • Permanência, por fim, a característica daquele texto marcante que é lembrado um mês depois, num churrasco de amigos, e talvez até no réveillon do ano seguinte.

Vale sempre recordar, porém, a máxima de Gene Fowler: “Escrever é fácil. Tudo que você tem a fazer é encarar uma folha em branco até gotas de sangue se formarem em sua testa”. Todas essas recomendações precisam ser adaptadas de acordo com sua realidade de escritor. E colocadas em prática.

escrita

Além destes pontos, Godinho elenca em seu workshop outras cinco dicas principais para melhorar nossos textos do dia a dia, seja no trabalho, com clientes ou naquele post do Facebook. São elas:

  1. Estrutura: fazer um esboço daqueles pontos que se pretende trabalhar no texto, seja ele uma postagem ou um artigo. Uma boa estruturação ajuda a não deixar nada de fora, e a elencar a ordem de prioridade de cada argumento, fala de autoridade e dados apresentados.
  2. Ritmo: basicamente, variações entre frases curtas, médias e longas, para não cansar o  leitor. Um texto com bom ritmo não se torna cansativo. Logo, as chances de ser assimilado e compartilhado aumentam.
  3. Repetição e enumeração: repetir uma palavra, ou sentença, é técnica de retórica usada desde os grandes oradores da antiguidade. Enumerar dados, metas ou qualquer outra sequenciação amplia o interesse do leitor em seguir o texto até o fim. Afinal, ninguém para de ler tópicos pela metade. Vale lembrar também da regra de ouro para a maior parte das enumerações: dois é pouco, três e quatro são o ideal, cinco e além podem ser demais.
  4. Uso do vocabulário e sinônimos: essa talvez seja a dica que exija maior esforço e autocrítica. Todos nós temos a tendência de nos repetir, seja com jargões, expressões e mesmo o vocabulário do dia a dia. É um mecanismo cerebral elementar de fazer as sinapses mais curtas, fáceis, à mão. Contudo, isso torna o texto fraco e sua aparência “manjada”. Ampliar o vocabulário, buscar sempre algum sinônimo ou ideia mais ampla são sempre boas indicações. Mas sem abusar da técnica, para não parecer pedante ou professoral.
  5. Polimento: aquele arremate antes da publicação, indo além da revisão comum que checa apenas pontuação e ortografia. Sempre dá para alterar algo e dar um verniz em seu texto, de preferência se deixá-lo “de molho” por algum tempo e retornar com outros olhos…

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9
nov

AS LEITURAS NOSSAS DE CADA DIA #5

Achou que eu não ia falar de livro novamente? Pensou errado! E na próxima vez que eu voltar aqui já será para me despedir de 2018 e fazer uma lista dos melhores livros do ano!

Enquanto isso, que tal aproveitar o feriado da próxima semana para colocar a leitura em dia? Aqui vão algumas dicas.

A Amiga Genial

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Autora: Elena Ferrante
Editora: Biblioteca Azul

A Série Napolitana, formada por quatro romances, conta a história de duas amigas ao longo de suas vidas. O primeiro é narrado pela personagem Elena Greco e cobre da infância aos 16 anos.

Bem, achei uma delícia de leitura e até me vi ali um pouco nas páginas, porém não bateu pra mim. Fiquei bem cansado e demorei semanas pra terminar. Triste, queria ter amado :( Vida que segue.

Nada a Dizer

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Autora: Elvira Vigna
Editora: Companhia das Letras

“Nada a Dizer” é a história de um adultério, narrada do ponto de vista da mulher traída.

Meu segundo contato com Elvira Vigna foi ainda melhor do que o primeiro. “Nada a Dizer” diz tanto. É uma leitura dolorosa e melancólica. Vigna consegue pegar fragmentos de sentimentos difíceis de serem descritos e escreve de maneira delicada e certeira. Um tiro doeria menos.

Reparação

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Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras

Por não entender o mundo adulto da paixão e da sexualidade, Briony Tallis, uma menina inocente que sonha ser escritora, acusa injustamente um amigo de infância de abusar sexualmente de sua irmã.

Só não dou 5 estrelas porque não curto muito as cenas de guerra, esse cenário sempre me cansa, e como o Ian McWan separa uma parte inteira somente para isso, acabei me entediando um pouco, mas é fácil, FÁCIL, 4,5 estrelas e um dos melhores livros lidos no ano. O final é uma das coisas mais brilhantes, bonitas e bem escritas que eu já li. Drama familiar intenso sobre literatura e perdão. Na vida, às vezes, não há como reparar um erro.

A Hora da Estrela

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Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco

Existem tantas Macabéas. Macabéa insiste em viver mesmo num Brasil que insiste em matá-la.

Clarice me deixou destruído e ao mesmo tempo maravilhado. É absurdo como ela consegue colocar dentro de frases curtas tanto, tanto significado. É um soco a cada parágrafo. Que coisa linda.

O Papel de Parede Amarelo

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Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: Jose Olympio

Uma mulher fragilizada emocionalmente e com depressão pós-parto vai passar uns dias em uma casa afastada da cidade, a pedido do próprio marido, para que possa “descansar”. Só que a mulher é tratada de maneira infantilizada pelo marido machista, pelos familiares e pela sociedade. Aos poucos, ela vai entrando numa paranoia de delírio e obsessões com o papel de parede do quarto onde dorme.

Considerado um clássico feminista, “O Papel de Parede Amarelo” assusta por vermos a mulher sendo subjugada e sua depressão sendo tratada como frescura e besteira. Claustrofóbico e perturbador.

19
out

“Casa, mata ou trepa”

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Na página 25, me deparo com esse texto: “Casa, mata ou trepa é um quadro muito divertido no qual três nomes são escolhidos e os jogadores devem definir, entre as opções existentes, com quem praticaria tal ação. Que tal jogar com o Felipe Neto?”

Já tem um tempo que o “fenômeno” saiu do Youtube e chegou às livrarias. Sim, os irmãos Neto são um fenômeno e colecionam milhões de seguidores, especialmente entre o público infantil.

Minha primeira aquisição foi o livro do Lucas, completamente bobo, mas com algumas atividades para crianças.

Não dá pra ler, o conteúdo não é nada interessante, mas as crianças querem mesmo é fazer as atividades propostas.

Na semana da criança não consegui escapar do livro do Felipe. Fomos a uma feira de livros e lá estava ele em destaque e em promoção por R$ 10. – “Mãe, o livrão do Felipe!!!”.

Comprei o livro autobiográfico de Felipe Neto, lançado pela Editora Coquetel e intitulado “Felipe Neto: A trajetória de um dos maiores youtubers do Brasil”. Parecia mais um livro bobo e inocente, com uma série de brincadeiras para o público infantil, como pinturas, ligue os pontos e caça-palavras.

Mas lá pelas tantas, uma atividade me deixa espantada: “casa, mata ou trepa”. Nela o participante tem que escolher em quais das três categorias coloca cada celebridade. O livro traz personalidades como Neymar, Mc Kevinho, Bruna Marquezine e até o ator pornô Kid Bengala.

Arranquei a folha na mesma hora. Pena, pois perdemos o verso, em que há uma das melhores atividades do livro: desenhar uma coruja usando um espaço quadriculado como guia (abaixo). Mas como permitir que meu filho tenha acesso a um vocabulário desses?

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Meu filho de apenas 4 anos me contou que sonha em ser youtuber. Até pouco tempo queria ser veterinário. As crianças mudam de ideia o tempo todo e são facilmente influenciadas. Ele, seus primos e colegas da escola, em algum momento foram impactados pelo “carisma” e por um monte de baboseiras que os irmãos Neto, Felipe e Lucas, disseminam na internet.

Tanto o Felipe quanto o Lucas tem um canal no Youtube, além de um terceiro canal juntos com quase 11 milhões de seguidores. Esses dias vi um vídeo do Felipe que pedia para as pessoas se cadastrarem para que ele atingisse os 30 milhões de inscritos. É muita audiência! Em um ano e meio no ar, eles se tornaram os maiores ídolos das crianças na internet. Ah, que saudades da Peppa Pig e da Galinha Pintadinha.

Mas ainda temos alguns clássicos que as crianças adoram e podem nos salvar desse tipo de conteúdo. Consegui nessa semana, sem esforço, substituir o foco dos irmãos Neto pelos quadrinhos de Maurício de Souza, de quem gostamos muito por aqui.

De quebra, descobrimos o site www.dentrodahistoria.com.br, no qual eu e o filhote nos distraímos um tempão criando um personagem com as características dele para entrar na história. Feito isso, o livro vai para a produção e chega pelos correios todo personalizado, com o nome da criança na capa, uma história adequada à idade dela e escrita como se ela fizesse parte do início ao fim. Simplesmente encantador.

Tem muita coisa boa na internet sim. Precisamos encontrar esse equilíbrio entre o mundo virtual e o real, que desperta o interesse das crianças sem aliená-las e sem agredí-las.

Beijos,

Aline

5
out

Este não é um texto sobre política (ufa!)

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Eu sou relativamente nova na política. Sim, eu aprendi muito na escola e ouvi diferentes histórias sobre o tema durante a vida, mas o engajamento é recente. Comecei a me interessar pelo assunto na universidade, onde abri meus olhos para situações que estiveram à minha frente o tempo todo.

Clichês à parte, relato minha breve experiência apenas para contextualizar o momento atual: estou obcecada por política.

Há meses meu cotidiano vem se moldando em torno de reportagens, debates, sabatinas e redes sociais. Ah, as redes sociais… Melhor nem entrar em detalhes. Tudo ao meu redor está tomado por rostos e nomes conhecidos (ou nem tanto), de pessoas que prometem alentar meu futuro.

Sinto que me falta assunto em conversas de elevador, no escritório, em casa, com os amigos… Só sei falar disso! Nada tem me interessado mais do que uma fofoca política, saber das fake news do momento ou das barbáries de um-certo-candidato-à-presidência.

A menos de dois dias do encontro com as urnas, a iminência da decisão tem afligido meus sonhos e pesado nos meus ombros. Pensar em um veredito neste fim de semana é quase utópico, o que só aumenta minha tormenta: ainda restam 23 dias até o segundo turno!

Depois da confirmação de fato, é provável que eu fique alguns dias com o sentimento de vazio, como a carência pós-Copa do Mundo. A sensação irá se prolongar até que todos consigam retomar suas rotinas que serão, agora, dominadas por qualquer outro assunto menos desgastante, espero eu.

Bia.

28
set

Música na estrada

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Nem sei quantas vezes já fizemos de carro o trajeto entre Curitiba e Rio Grande (RS), que fica um pouco antes do Chuí, lá pelas bandas do fim do mundo. Nos últimos sete anos, com nossos velhinhos adoecendo, fomos pelo menos quatro vezes por ano. Antes disso, a viagem era anual. Portanto, numa conta de padeiro, circulamos pelas BRs 101 e 116 pelo menos umas 50 vezes. Fora as viagens de avião, mas aí já é outra história.

De carro, são 2,4 mil quilômetros ida e volta, ou 30 horas de estrada, em que há pouco mais a fazer além de ouvir música e comer, enquanto engolimos asfalto, driblando ônibus e caminhões. Nos sábados de manhã também há as hordas de motociclistas passeando serra acima e abaixo.

No repertório musical, tem de um tudo, como ainda se diz no Rio Grande. Minto! Sertanejo universitário não tem, não senhor, que tudo tem limite.

Mas podem pintar umas modas de viola e uns vanerões. E dê-lhe tangos e boleros, sambinhas e sambas-enredo, jazz e MPB, rock e pop rock. Soltamos a voz com Queen, Elton John, Tina Turner e Bee Gees, em nosso inglês egípcio. Tem Belchior e Zeca Baleiro, Adriana Calcanhoto e Maria Rita, Zé e Elba Ramalho, Zé Renato e Zé Keti, Amir Guineto, Tom Jobim, Chico Buarque, vixe, tanta gente…

De tanto ir e vir, aos três anos a Isadora cantava de cor os boleros em espanhol do luxuoso Fina Estampa, de Caetano Veloso. Depois que ela cresceu e passou a andar menos com o pai e a mãe, o gosto musical tomou rumo próprio. Mas não quero comprar briga por aqui…

Faltou falar sobre o que comemos durante a viagem. Prometo contar em minha próxima aparição nesse blog.

Beijos,

Marisa

24
set

As leituras nossas de cada dia #4

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Faz tempo que eu não apareço por aqui. O bom é que deu tempo de ler bastante. Já sendo monotemático, no blog de hoje falo sobre alguns livros que devorei nestes últimos meses.

Aproveitando, quem quiser se arriscar a ler mais pode fazer uma conta no Goodreads, rede social para leitores. Lá, além de você interagir com muitas pessoas, você pode participar do Goodreads Challenge. É só colocar a quantidade de livros que quiser ler até o final do ano. A cada obra finalizada, o site vai contabilizando. Meu objetivo é ler 50 livros em 2018. Já foram 31. Eu estou atrasado cinco livros no cronograma. Poxa vida.

Dropz
Autora: Rita Lee
Editora: Globo Livros

Amo a Rita Lee e a biografia é impecável e divertida. Infelizmente esse livrinho de contos é apenas OK. Algumas histórias são bem ruins, outras são boas e muitas não fazem sentido. Acho que o objetivo era esse mesmo. Algumas vezes ela só pega a opinião pessoal dela sobre alguma coisa e a transforma em historinha com um final meio panfletário. Mesmo assim, é um livrinho leve, descompromissado e até divertido.

A Mulher na Janela
Autor: A.J. Finn
Editora: Arqueiro

Anna Fox mora sozinha numa casa imensa. Separada do marido e da filha e sofrendo de agorafobia, ela não consegue sair de casa e passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e espionando os vizinhos. Certa noite ela testemunha algo chocante enquanto fica de butuca olhando os vizinhos da frente (uau), mas ninguém acredita nela.

É muito barulho por nada. Esse livro ficou semanas e semanas na lista dos mais vendidos. Ultimamente há uma leva de livros com “mulheres no trem”, “mulheres na janela”, “garotas exemplares” em que as protagonistas são sempre traumatizadas, perturbadas, têm problemas com álcool e testemunham algo estranho e que não conseguem ter certeza do que viram. “A Mulher na Janela” não traz nenhuma novidade, enrola absurdamente (demais, muito, senhor do céu, tem 100 capítulos) para chegar num clímax que nem é tão surpreendente assim. Vai virar filme, claro.

Praia de Manhattan
Autor: Jennifer Egan
Editora: Intrínseca

Romance histórico que se passa entre a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Anna Kerrigan trabalha nos estaleiros e quer ser a primeira mulher mergulhadora. Mas ela também quer, acima de tudo, saber o que aconteceu com o pai, que desapareceu anos antes, sem nenhuma explicação.

É muito triste quando um livro não te diz nada. E olha que “A Visita Cruel do Tempo”, da mesma autora, é um dos melhores livros que eu já li, então esperava ao menos uma emoçãozinha. “Praia da Manhattan” é extremamente bem escrito, tem uma precisão histórica impecável e um minucioso trabalho de época. Mas é chato. Os personagens, quase todos, são apáticos, a história é apática e os poucos momentos interessantes logo são interrompidos por mais narrativas enfadonhas. É um romance noir com toques de aventura marítima, flerta muito com o feminismo e até empolga em algumas partes, mas foi um livro tão sem sal que eu passava as páginas na esperança que aquilo acabasse logo. Uma pena.

Objetos Cortantes
Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca

A repórter de um jornal sem prestígio tem um novo desafio pela frente quando seu editor pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.

Bem melhor do que “Garota Exemplar”, o primeiro livro da Gillian Flynn traz algumas personagens doentias, complexas e a trama chega a assustar. O mistério é bem interessante, mas a interação entre uma família esquisita com um passado bem problemático faz a gente se sentir até mal.

Lembra Aquela Vez
Autor: Adam Silvera
Editora: Editora Rocco

Conta a história de um adolescente de 16 anos, Aaron, que precisa enfrentar o trauma da dor do suicídio do seu pai. O garoto conta com o apoio da mãe e da namorada, mas ao conhecer Thomas, Aaaron acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso e com medo da sua sexualidade, ele considera recorrer ao LETEO, um instituto que apaga memórias indesejáveis na tentativa de esquecer pessoas e lembranças ruins.
Livro de estreia do autor americano Adam Silvera e um perfeito romance young adult. Quem dera tivéssemos mais livros como este há alguns anos. Acho que salvaria muitas vidas. Há uma profundidade bastante comovente na forma como Adam percebe os sentimentos dos jovens e em como essa sociedade perversa consegue destruir as boas e simples descobertas que todos nós desembrulhamos ao longo da vida.

Rodrigo

14
set

Um novo mundo possível

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O ano é qualquer um do futuro não tão distante. Vá lá. 2050 então. O país é o seu, o meu ou o dele. A realidade é a nossa, dos nossos filhos e – quem sabe – netos. Os personagens podem ser um casal com filhos e um pet. Nas ruas teremos carros sem motoristas. Nas empresas teremos o uso de máquinas que já pensam como os seres humanos. O destino das férias da moda é Marte. Nossas roupas agregam habilidades e nos tornam mais fortes. Smartphones foram trocados por pulseiras. As construções nas cidades serão impressas em 3D. A faxina da sua casa é responsabilidade da Zecton 3010. Inteligência artificial faz parte do cotidiano com as casas inteligentes. Lugares como o Saara abastecem outros países com a sua energia solar. A comunicação por holograma será algo natural. A realidade eliminou os livros que viraram uma peça de museu ou se acumulam nas prateleiras das nostálgicas bibliotecas. Em cada uma delas uma cápsula do tempo contando uma história semelhante a todas as civilizações: o quanto o mundo estava intolerante, racial, homofóbico e desigual entre gêneros, e pessoas tentavam sobreviver com a desigualdade social.

Ainda bem que estamos em 2050 e tudo evoluiu. Inclusive as pessoas. Fica só a vergonha daquele distante 2018. Algo semelhante ao que sentimos hoje com questões como escravidão e ditadura. Nossos filhos e netos serão melhores. Assim esperamos.

Beijinhos,
Wellington

3
set

A beleza da divergência

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Em uma democracia não há nada mais natural do que a diferença, seja ela qual for. E as diferenças de opiniões estão entre aquelas mais importantes para a construção de um país ainda mais inclusivo para todos. Por isso, muito se discute sobre a maneira como as redes sociais selecionam argumentos semelhantes aos seus e sobre como isso pode provocar uma intolerância ainda maior com quem pensa diferente. O clima nas redes pode ser o propagador de um clima de guerra muito prejudicial e que pode ter reflexos em toda a nossa vida.

Mas até que ponto essa intolerância nos afeta? Será que temos espaço para a divergência e o debate entre opiniões em diferentes áreas da nossa vida? Em um texto do LinkedIn, o autor de novelas Walcyr Carrasco fala sobre como a palavra “não” é interpretada de maneira prejudicial por muita gente e sobre como temos medo de utilizá-la para não desagradar as pessoas e não provocar reações intolerantes.

O “não” faz parte da discordância e do debate de ideias, mas é apenas uma pequena parte dessa troca de diferenças, que traz uma contribuição especialmente importante para o mundo corporativo. Afinal, é com o debate e a diferença de ideias entre várias pessoas que será possível construir projetos que agreguem elementos ainda mais criativos e inovadores às ações de uma determinada empresa ou marca. A utilização de ideias que a princípio são conflitantes e totalmente opostas pode colaborar para a elaboração de um projeto muito mais bem alinhado e completo. E isso pode funcionar para as coisas mais simples até as mais complexas.

Por isso, é sempre muito benéfico manter a cabeça aberta, ter humildade e estar aberto ao diálogo. Pensar em como aquele ponto de vista que traz uma bagagem e experiências únicas de vida pode acrescentar à discussão. Afinal, não há uma única verdade absoluta e todos nós sempre vamos ter algo a aprender com as diferenças, não é mesmo?

Renan

17
ago

Retomando bons e velhos hábitos

baby-beautiful-child-1257105Eu amo ler. Assim que aprendi a unir as letras e transformá-las em palavras, desenvolvi o hábito da leitura, muito incentivado pela minha mãe. Quando eu era criança, ia à biblioteca do colégio uma, duas ou até três vezes por dia: emprestava um livro no início da tarde, lia no recreio, devolvia e já partia para o próximo. A bibliotecária, que esperava minhas visitas diárias, já conhecia meus gostos e separava os lançamentos das séries infantis das quais eu tanto gostava.

Fui crescendo e, naturalmente, outros interesses começaram a aparecer. Na medida em que me engajava em outras atividades, diminuía minha frequência na biblioteca. No começo, a bibliotecária perdoava, mas cobrava: “não conseguiu vir ontem, Bia?”. Nos anos que se passaram, ela foi deixando de me chamar pelo nome e, para o meu espanto, não consegui lembrar o dela para colocar neste texto.

No ensino médio, só fui à biblioteca quando era obrigada: para pegar livros de matérias que eu não gostava, como física ou química, ou para fazer alguma atividade determinada pelos professores. Eu continuava lendo, mas só por obrigação. Chegava a achar torturante ler alguns livros que iriam cair no vestibular.

Quando chegou a hora de decidir o curso que faria na universidade, pensei por um tempo e, entre jornalismo, publicidade e direito, fiquei com a primeira opção. “Você gosta de ler? Tem que gostar muito para ser um bom profissional nessa área”, começaram a me dizer. As lembranças da infância me faziam falar que sim, mas, no fundo, eu sabia que não podia afirmar isso naquele momento.

Virei universitária e, de fato, eu precisei ler muito e, de novo, como uma obrigação. Artigos intermináveis, livros-reportagem antiquíssimos e os jornais da cidade, afinal, com frequência um professor perguntava quais eram as manchetes do dia – e ai de quem não soubesse. Quatro anos se passaram e eu não li um livro sequer, que não fosse relacionado ao meu curso. Jurei que quando passasse o TCC, iria recuperar o tempo perdido e ler, pelo menos, um livro por mês.

Apesar da promessa que fiz a mim mesma, só estou começando a cumpri-la agora, com quase dois anos de formada (!). Ganhei no Natal passado um box com os livros originais da saga Harry Potter e decidi começar com eles o resgate da minha essência leitora. Em meio à falta de tempo, estou caminhando lentamente nesse processo. Demorou, mas parece que agora consegui retomar esse bom e velho hábito e parece que não vou mais desistir dele – a não ser que eu resolva fazer outra graduação (risos).

Bia.