10
fev

Intensivo

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Bem, esse ano começarei uma nova faculdade (Deus me ajude). É a resolução máxima de 2020. O curso escolhido é o de Letras Português/Inglês e será um complemento a minha atual profissão de jornalista. Mas não é sobre isso que eu quero falar nesse post.

Há uma semana comecei um intensivo de inglês para poder alcançar a fluência (que é algo bem trabalhoso e nada rápido) e o negócio está… como posso dizer? Bem intenso!

Fazia tempo que eu não emendava trabalho e mais outra atividade que envolvesse raciocínio diário por quase 4 horas após o expediente. Quando chega às 22h, eu já estou só o pó da gaita. Mas o negócio é intenso também because I wake up pensando em english, escovo os dentes pensando em english e passo o day pensando em english.

One of those days mesmo, logo após sair do curso, fui pegar o ônibus para voltar para home e, ao invés de dizer “oi” para o motorista, eu disse “hello”. Ele ficou me olhando como se eu fosse um idiot. Another day I went to falar com a recepcionista da escola para tirar uma picture para o cadastro da matrícula e acabei falando “WAIT A MINUTE” quando ela pediu para eu me posicionar em frente à câmera.

Well, mas isso é sinal de que everything is going right, certo? É claro que eu ainda tenho um longo caminho pela frente. Afinal, alcançar fluência é um processo árduo e cheio de highs and lows. Tem dias em que eu dou uma surtada legal e digo que nunca vou aprender essa joça, mas no fundo estou feliz com as conquistas até aqui. Keep going e não vamos desistir.

Kisses,

Rodrigo de Lorenzi

23
jan

Vem aí os anos 2020

2020

Discussões à parte sobre a nova década já ter ou não começado (dizem que só em 2021), o fato é que esta última virada de ano causou uma nostalgia forte em todos que já somam algumas décadas de vida e memórias.

Eu nasci logo no começo dos anos 90, em fevereiro de 1991,  ano que ficou eternizado pelo fim da Guerra Fria com a queda da União Soviética. Aos 10 anos, portanto, vi a chegada dos anos 2000. A virada do milênio e o medo do “bug” que nunca veio também permearam as lembranças do jovem estudante que teve a exibição do seu desenho animado na TV interrompida pela transmissão, ao vivo, dos terríveis ataques do 11 de setembro.

Já a terceira virada de década se deu quando entrei na faculdade, em 2010. Mas foi a primeira vez que estava consciente de que um novo decênio se iniciava. E que 10 anos intensos foram eles! Amadureci, fiz um intercâmbio, me formei, conheci outros países, trabalhei em redações de rádios, jornais e agências de comunicação e, quase no apagar das luzes de 2019, me casei.

2020 vai ser a década da chegada da minha geração aos 30. Pois é, a criançada que gostava de Pokémon, via Angélica, TV Colosso e adorava Sandy & Junior vai “trintar”! Tem sobrinhos e filhos de amigos chegando cada vez mais, bem como a “consolidação”, por assim dizer, dos planos de carreira de boa parte daqueles que nos rodeiam.

Que seja uma década proveitosa, de preferência melhor que os anos 2010, em que tantos tumultos tomaram conta do país. Afinal, esperança temos de sobra! Gostamos de reflexões nostálgicas, ao mesmo tempo em que queremos ver logo carros voadores – ciência, você nos prometeu…

André Nunes

17
jan

Intimidade

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Assumi as saudades como um elemento constante dentro de mim, que às vezes sinto quase como uma dor física no peito. Como as saudades que sinto de Portugal. É o país em que morei por um período da minha vida e que sempre esteve comigo, por meio das histórias do meu avô, imigrante da Ilha da Madeira. No ano passado, pude retornar ao país lusitano e à cidade em que vivi, Coimbra, que não por acaso inspirou o fado “Saudades de Coimbra”, do poeta José Afonso.

“Ó, Coimbra do Mondego

E dos amores que eu lá tive

Quem te não viu anda cego

Quem te não amar não vive”

E o clássico fado “Balada da Despedida”, criado pelo poeta e compositor Fernando Machado Soares.

“Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida.

Que as lágrimas do meu pranto, são a luz que lhe dá vida.

Quem me dera estar contente, enganar minha dor.

Mas a saudade não mente, se é verdadeiro o amor”

Só de ler essas palavras já me afloram as saudades outra vez.

Coimbra é uma cidade de passagem para a maioria das pessoas que vivem ou viveram lá. A maior parte dos moradores são estudantes que vão à Universidade de Coimbra, como foi meu caso, e que após um período de estudos e das vivências alegres da juventude pelas ruelas da cidade, voltam para suas casas em outras partes do país ou do mundo.

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Passei apenas um dia e meio em Coimbra durante minha última viagem — cheguei lá no dia do meu aniversário de 27 anos, o que tornou a data ainda mais especial para mim —, mas foi o suficiente para meu peito se renovar de amores por aquele lugar.

Fiquei emocionada ao pisar novamente naquela que foi a minha cidade anos antes. Foi com muita alegria que novamente cruzei a ponte de vitrais coloridos sobre o Rio Mondego, subi e desci as infindáveis ladeiras da cidade, parei para tomar uma ginjinha em uma tasca e comemorei a idade nova com um expresso e um pastel de nata com muita canela em um dos cafés nas redondezas do Largo da Portagem.

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Caminhando pela Baixa de Coimbra, passei em frente ao predinho em que vivia, uma residência estudantil que abriga algumas dezenas de estudantes de várias partes do mundo e, para minha sorte, encontrei um dos proprietários do local, o Miguel, ali em frente. Após conversas sobre os velhos tempos, ele me deu a chave para que eu pudesse entrar e relembrar os momentos em que vivi ali. Como foi bom poder novamente subir aquelas escadas, caminhar por aqueles corredores que seriam tão comuns para alguns, mas cheios de significados e memórias para mim.

Quando eu e meus colegas de residência vivemos ali, anos antes, havia duas ou três fotos em uma grande parede de um grupo de pessoas que moraram ali antes da gente. Antes de cada um voltar para suas cidades e países de origem, colamos várias fotos de momentos nossos por ali também. Eu me questionava se aquelas imagens continuariam ali, anos depois, e sim, lá estavam elas, agora ao lado de dezenas de outras fotos de quem morou ali nos anos posteriores.

Recebi muitas mensagens de amigos que viveram comigo naquele período quando viram algumas fotos que postei do nosso antigo lar. Com uma amiga, que era a mais próxima quando vivemos ali, falei sobre tudo o que eu senti de volta a Coimbra, e ela falou sobre como, mesmo anos depois, a cidade ainda continuaria nos sendo íntima.

Gostei de pensar o conceito de intimidade para uma cidade. Na verdade, esse adjetivo foi o que melhor descreveu o que senti nesse breve retorno. Sinto que, mesmo passado o tempo, Coimbra continuará sempre íntima, com suas ruas de pedra que estão lá há séculos, as casinhas e prédios tipicamente portugueses, a tranquilidade da vida. Muda-se algo do cenário, muito dos moradores, mas, no fim, é sempre como reencontrar uma velha amiga que amamos. Eu guardo meu afeto por ela, e ela minhas lembranças vividas ali, tão doces quanto licor de ginja.

Stephanie D’Ornelas

9
jan

A multa e o luto

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Recebi uma multa. Não foi uma qualquer, mas sim uma “infração gravíssima ao artigo 280, parágrafo terceiro do Código de Trânsito Brasileiro”. Para os não entendidos, o condutor infrator, vulgo eu, foi flagrado fazendo uso de telefone celular com o veículo em movimento. Veículo em movimento, segundo o CTB, é qualquer carro que não esteja estacionado apropriadamente com o motor desligado (meu nazista gramatical interior grita).

No momento que recebi a notificação de autuação já comecei a desacreditar do carteiro. “Não, você não pode estar fazendo isso comigo!”, dizia eu incrédulo. “Mas eu sou só dos Correios, moço”, respondia o rapaz de azul e amarelo inocentemente constrangido. “Eu não posso estar recebendo uma multa I-D-Ê-N-T-I-C-A à de um mês atrás. Eu mereço!”, saí vociferando, praguejando e mancando, visto que estou com o pé quebrado.

Nisso minha cabeça fervilhava. O universo estava de sacanagem com a minha cara. Já não basta estar preso em casa, com o pé quebrado, um calor dos infernos, ainda me vem outra multa. Ainda por cima um repeteco da anterior, nem para serem originais! Malditos periquitos, câmeras de trânsito e delatores de infratores de trânsito. Que vocês passem a eternidade pisando em legos e batendo o dedinho na quina da mesa.

Para completar a tragédia só faltava agora começar uma terceira guerra mundial ou termos a volta do Roberto Carlos nos especiais de Natal. Comecei a relembrar de todas as catástrofes que assolaram a minha vida, desde a tia da cantina me dizer que tinha acabado a coxinha lá pelos meus 11 anos, até todos os vídeos de alguém maltratando animais. O mundo está perdido!

Mas, talvez nem tudo estivesse perdido. Quem sabe a minha situação fosse passível de salvação. Passei a procurar freneticamente alguma forma de não pagar a multa. Vasculhei a internet e mandei mensagem para vários conhecidos esperando alguma resposta para o meu dilema… afinal, eu era uma pessoa boa, não poderia estar acontecendo isso comigo. Tentei lembrar quem poderia assumir os pontos. Cogitei pedir patrocínio familiar para dividir as despesas. Enfim, tudo isso num intervalo de 15 minutos de autonegociações.

Foi então que me bateu a triste realidade: eu teria que arcar com as consequências dos meus atos, como gente grande. “É, mané, agora você vai ter que dominar essa bola no peito e assumir a bronca. Não foi você o bonzão que não conseguiu esperar até estar fora do carro para olhar o zap zap? Então. Te vira! Dá teus pulo!”

Não sei vocês, mas a minha voz interior faz bullying comigo. Eu a imagino como um daqueles atores de filmes de ação: dois metros de altura, 120 quilos de puro músculo e poucas palavras para dizer, exceto meia dúzia de frases de efeito. Ou quem sabe minha voz interna seja o Mano Brown do Racionais MC.

Mas daí o meu lado suscetível veio à tona. Relembrei de todos os momentos em que a vida tinha me derrubado do meu unicórnio lilás, como diz o Leandro Karnal. Senti de novo todas as tristezas de todos os castelinhos de areia que construí com as minhas expectativas de vida. “Nada dá certo pra mim, mesmo! Minha existência é uma mentira! Leave Britney alone!”, dizia meu outro eu interior que mais parece uma adolescente fã de Hanson quando descobre que eles estão velhos demais para responder às 673 cartas de amor enviadas 20 anos atrás.

Foi quando uma outra voz interna, esta bem mais racional, sensata e madura, me disse: “Ei, já deu. Toda ação tem uma reação, não adianta espernear nem querer chantagear o universo. Tudo acontece por um motivo. Senta, reflete e só aceita”, disse meu eu interno que mais parece uma astróloga ou psicóloga transpessoal de quarenta e poucos anos com aquelas roupas indianas e sandália de Moisés. E sabe que a moça aqui de dentro tinha razão? Parei. Devo, não nego, pago quando puder. Só tenho que andar na linha por um tempo agora para não perder a carteira, parar de ser tão cabeçudo e passar a respeitar as leis de trânsito. Uhul, estrelinha para mim.

Antes que eu comece um diálogo entre o Mano Brown, a fã do Hanson e a psicóloga transpessoal, quero dizer que depois disso tudo eu tive uma epifania: Eu acabei de superar o luto pela multa de trânsito!

Você provavelmente já ouviu falar que quando perdemos um ente querido passamos pelo processo do luto. A tristeza, a negação, a raiva e a falta de aceitação hoje são sentimentos bem conhecidos e reconhecidos por aqueles que já sofreram alguma perda. Isso se deve ao trabalho da psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, autora do livro On Death and Dying, em que apresenta o modelo que leva seu nome. Este modelo descreve estágios pelos quais passa uma pessoa quando lida com perdas, luto e tragédias. Eles se tornaram populares e são conhecidos popularmente como Os Cinco Estágios do Luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Reconheceu algum no meu relato ali em cima? Muito bem, continue.

Neste ponto você deve estar se perguntando: “Mas que diabos o luto tem a ver com uma multa de trânsito?” Eu explico. Kübler-Ross, ou Bete para os íntimos, explicou que esta metodologia aplica-se a qualquer forma de perda pessoal “catastrófica”. Além disso, também alegou que nem todo mundo passa por todos os estágios ou nesta ordem específica, mas que todos experimentam pelo menos dois.

No meu caso, tudo aconteceu num intervalo minúsculo de tempo, com alguns surtos psicóticos internos das vozes na minha cabeça e coceiras dentro da bota que está aprisionando meu pé numa existência horrível. Porém, é bem nítido que os aspectos do luto descritos pela Bete podem se encaixar nas mais variadas situações da vida, não precisa ser só no velório daquele tio, a que sua mãe obriga a ir mesmo sabendo que você só o viu duas vezes quando estava de fralda e aparentemente arrancou um tufo de cabelo da orelha dele com um golpe de gengiva.

Existem nuances diferentes da importância das coisas para as pessoas, os indivíduos têm histórias de vida, formações e aptidões diferentes entre si. Não podemos colocar todos em uma caixinha só, mas podemos destruir as caixinhas e perceber que tudo pode se aplicar a todos em alguma situação ou momento, e tudo pode ser compreendido de uma forma mais leve, inclusive o luto.

Câmbio, desligo.

Lucas Jensen

2
dez

Os antenados

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Eles não nos dão paz, não nos deixam ter alegrias pueris, dessas que sentimos ao contar uma novidade.

Você descobre uma loja barateza e o antenado já comprou lá, mas sabe de outra ainda melhor e você fica se achando meio trouxa.

Em viagem, você faz fotos na praia mais bonita que já se viu, mas o antenado corre pra perguntar se você foi nas maravilhosas ruínas que ficam lá naquele morro não sei das quantas.

É claro que você não foi, nem viu as velhas termas em que os gregos e os romanos viveram os dias mais sexies da humanidade. Perdeu, já voltou pra casa fazendo cara de tô nem aí, mas se roendo por dentro.

O antenado sabe o nome, a marca e o princípio ativo do remédio mais moderno e eficaz para retardar o envelhecimento da pele, o entupimento das artérias, a decadência dos hormônios e a unha encravada.

E você, que estava tão feliz tomando uns florais e usando umas pomadinhas, percebe que dá largas e desatualizadas passadas em direção à ruína física e mental.

Os não antenados lêem livros, vêem filmes e se divertem com séries na Netflix. Coitados, nem imaginam que os antenados já superaram essas velhas mídias.

E lá vêm eles com tecnologias das quais você nunca ouviu falar, serviços de streaming impronunciáveis e – pior – autores, diretores e atores que circulam num futurístico Olimpo das artes. Coisa para antenados, apenas.

Meu Deus, nem vamos falar de vinho, café, queijo, cremes, perfumes, música, crianças, pets, redes sociais e, até, á-gua-mi-ne-ral (?!?)…

Eu não odeio os antenados. Ao contrário. Tenho amigos e amigas que sempre sabem das últimas, enquanto eu ainda ando pelas antepenúltimas.

Também não invejo os antenados. Mas às vezes me dá uma raivinha por nunca conseguir contar uma novidade. Você não dá furo com um antenado por perto. E o bom e antiquado furo é bálsamo para a alma de velhos jornalistas.

Antenados das minhas relações, ao lerem esse pequeno desabafo, darão um jeito de fazer chegar aos meus ouvidos que essa tribo nem existe mais. Antenado é vocábulo superado, assim como ligado e conectado (sim, fui ao dicionário buscar sinônimos).

Do que devemos chamá-los, então? Trend designers, cool hunters, chatos de galocha, desmancha-prazeres…? Completem a lista aí, enquanto me recolho ao meu mundinho old school.

Dia desses, quem sabe, consigo dar um nó num antenado, nem que seja inventando.

(A propósito, sabiam que a Pantone escolheu as cores azul e verde para 2020?)

Beijos ressentidos,

Marisa

21
nov

Terapia

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Sempre que alguém chega para mim com uma situação impossível de resolver ou um trauma daqueles de desgraçar a cabeça, eu indico terapia. Sempre que alguém se sente confuso, perdido ou muito triste, eu indico terapia. Eu indico terapia para o meu pai. Eu indico psicólogos. Eu passo telefone. Eu falo sobre como a terapia é benéfica e poderia resolver todos os nossos problemas. Mas euzinho mesmo nunca fiz terapia. Eu, não. Eu era um grande e gostoso de um hipócrita.

Não mais. Comecei terapia.

Eu relutava. Relutava por que tinha fechado a minha torneira de emoções há muito tempo. Sempre que alguém pedia para contar sobre a minha vida ou como eu estava naquele momento, eu fazia manobras na conversa que até Freud ficaria admirado, tudo apenas para que a pessoa continuasse a falar dela e não de mim. Como as pessoas adoram falar sobre elas mesmas, nem era tão difícil.

Por anos foi assim. Há anos sofro com uma ansiedade que não me larga. Há anos antecipo problemas e destruo momentos. Há anos reprimo sentimentos felizes porque eu sou uma pessoa contida. Há anos eu construo dentro de mim uma baixa autoestima que, menina do céu, é paralisante. Mas eu disfarço com piadas, ironias e autodepreciação, porque é muito melhor ser negativo. A positividade irrita.

Mas isso está ficando no passado. Aos poucos, bem aos pouquinhos.

Logo na segunda sessão de terapia eu tive que escrever uma carta fictícia me apresentando para alguém que não me conhecia. Fui sincerão no texto e me expus quase que completamente. Eu só não contava que a minha terapeuta iria ler a carta em voz alta. Foi um choque, porque constatei que eu sou carinhoso com muita gente, menos comigo. Aliás, eu sou extremamente tóxico comigo mesmo.

Mas a questão é que somente agora eu estou conseguindo organizar as ideias e entender como eu me vejo, me comporto e me sinto perante várias situações da vida. Somente depois de começar terapia eu percebo que aquilo lá que aconteceu em 1996 e que eu contava como se fosse piada, na verdade me moldou de uma maneira que eu jamais tinha imaginado. Aquele fato em 2011 fez eu mudar de uma maneira irreversível. Aquela frase ouvida me mudou para melhor. Aquela outra frase me destruiu.

Mas só agora eu consigo analisar coisas que sozinho eu não conseguiria. Só agora eu tento olhar para quem eu sou hoje de uma maneira mais delicada. Porque tem coisas que a gente não consegue analisar sozinho, por mais que a gente ache que sim. Somos muito teimosos.

No fim, o que todos nós precisamos é de terapia, e eu gostaria de pagar um terapeuta para todo mundo, porque só assim seria possível parar de fazer terapia, já que só sentamos no divã porque os outros não fazem terapia. É isso. É um ciclo horroroso.

Cada um de nós carrega aquele símbolo de frágil na testa, mas a gente esconde e os outros fingem que não carregam. Tá certo que todos nós passamos por poucas e boas nessa estrada da vida, e com isso acabamos vestindo uma certa resiliência, mas isso não quer dizer que as coisas não se quebrem dentro de nós. E aí ninguém se preocupa com a dor e a bagagem do outro. Saem empurrando e derrubando sem o menor cuidado com o próximo. A grosseria anda sendo glamourizada e aí, meu amigo, é um festival de traumas e cabeças perturbadas passando por nós. Só a terapia salva.

Beijos

Rodrigo de Lorenzi

13
nov

Vida de noivo

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2019 ainda não acabou, mas já está marcado para sempre. Pode ser clichê, o que é inevitável quando se fala de ocasiões marcantes como formaturas, nascimentos e casamentos. Pois é, casei!
Expectativa e planejamento que duraram mais de um ano, nessa vida de noivo até a chegada do aguardado 5 de outubro. Felizmente, tudo correu bem, os convidados ficaram satisfeitos com a festa, os “comes e bebes”, DJ, equipe de foto/vídeo super elogiada e recomendada, e por aí vai.
E até que não passou tão rápido, viu? Realmente é o que dizem: aproveite cada etapa dos preparativos, pois depois é só um dia de festa e emoção!
Vida de noivo é bem legal: tem feiras para visitar, provas de comidas e drinks a vontade, e muitos, muitos orçamentos dos mais variados fornecedores. E os atrativos só aumentam, de drones a aparatos tecnológicos para ampliar o encanto das bodas.
É um mercado movimentado, que nunca para. Estima-se que 400 casamentos/ celebrações/ festas são celebrados em Curitiba a cada final de semana, durante o ano todo! Nunca ouvem falar de crise…
Depois de 14 meses como noivo, teve início a vida de casado, com todas as alegrias e desafios diários. Mas isso fica para outro texto 😉

André Nunes

30
out

4 lugares inusitados para conhecer em Curitiba

 

Jardim Botânico, Parque Barigui, Museu Oscar Niemeyer… estes são alguns dos cartões-postais de Curitiba mais visitados pelos turistas e amados pelos curitibanos. Mas a capital paranaense abriga experiências fantásticas que são pouco conhecidas até entre os moradores da cidade.

Na lista abaixo abaixo, selecionei locais fora do circuito turístico tradicional de Curitiba que valem a visita. Inspire-se para fazer um programa fora do óbvio, seja você morador ou visitante:

Bosque Capão da Imbuia

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Como o Bosque Capão da Imbuia é pequeno e fora da área central da cidade, acaba não recebendo tantas visitas em relação aos parques famosos da cidade. Mas vale a pena conhecer o espaço, que é extremamente bonito – e muito especial para mim. Morei a maior parte da minha vida no Capão da Imbuia, e as visitas ao bosque eram rotina desde que eu era criança.

Ao contrário dos parques mais populares da cidade, o bosque costuma ser bem silencioso, ótimo para caminhar, sentir o cheirinho da mata, ouvir os sons dos pássaros e observar as cutias que sempre aparecem por lá, entre as folhas.

Biblioteca do Paço da Liberdade

O Paço da Liberdade é uma jóia arquitetônica de Curitiba. Lindo por fora, o edifício também guarda experiências muito bacanas por dentro: o espaço conta com um café, um espaço expositivo e salas que abrigam diversos eventos culturais.

Mas neste texto meu foco é a biblioteca do Paço da Liberdade. Em pleno centro de Curitiba, ali é um local onde é possível se desligar do entorno movimentado, entre centenas de livros e as últimas edições de revistas e jornais. Tudo em um ambiente extremamente belo e confortável.

Santuário de Schoenstatt

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pura paz 🌿

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O Santuário de Schoenstatt é um dos lugares mais bonitos de Curitiba na minha opinião. Localizado no bairro Campo Comprido, o santuário é rodeado por um bosque com muito verde e banquinhos para contemplação. A atmosfera é tranquila e pacífica, dá vontade de passar horas ali.

Mercado das Pulgas

Se você gostar de antiguidades tanto quanto eu, certamente se encantará pelo Mercado das Pulgas de Curitiba. São 3 mil metros quadrados com mais de 100 mil itens de outras épocas, incluindo obras de arte, lustres, cristais, pratarias e móveis. Mais do que uma loja de velharias, o Mercado das Pulgas é um verdadeiro museu de objetos interessantes e inusitados.

Espero que tenha gostado das dicas!

Bom passeio,

Stephanie D’Ornelas

18
out

Sextar ou não sextar? Eis a questão

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Hoje foi um dia atípico. A começar pelo fato de que acordei e logo levantei da cama. Me troquei sem reclamar da vida e desci rapidamente para tomar café e arrumar a marmita para mais um dia de trabalho. É sexta-feira e o meu “sextou” de hoje vem na forma de um livro. Mas não é um livro qualquer. Poderia ser Agatha Christie, J. K. Rowling ou até John Green (ou não), mas é de um autor até então desconhecido. O autor sou eu.

Talvez você possa estar pensando: “Mas quem é esse cara? Já chega fazendo propaganda e, o que é pior, falando de si na terceira pessoa!”. Pode até ser que seja verdade, mas deixa eu contar o porquê de tudo, juro que você vai entender.

Eu sempre tive dificuldade de terminar as coisas na minha vida. Fui aquela criança que fez aula de violão, judô, inglês, natação e futsal, só para, na fase adulta, fazer curso de mecânica de automóveis a distância, ler apostila de síndico profissional de condomínio e aprender a fazer uma pizza como os melhores pizzaiolos. Já escrevi aqui sobre os diversos cursos que comecei e não terminei e que me trouxeram ao jornalismo. Pois bem, este livro é a realização de tudo o que eu imaginava quando era pequeno. E ponto.

Eu sempre quis tocar a vida das pessoas de alguma forma. Sempre gostei de olhar a reação dos meus pais e familiares quando eu entregava uma cartinha de presente ou algo que eu havia escrito. Sempre busquei o riso, a lágrima, a empatia… e foi a concretização desses sentimentos que eu fui buscar na gráfica nesta sexta-feira atípica.

Quando saí de lá com os quatro volumes, o coração acelerando, as mãos suando e o guardador de carro gritando: “Vai querer um estar aí?!”, foi quando eu percebi que não quero que esta sensação acabe nunca.

Ah, mas se você leu até aqui, deve estar se perguntando que obra-prima é essa capaz de causar tantos sentimentos e trazer tantos louros. Pois eu conto, querido incrédulo. O meu livro, que tanto adorei chamar de meu, conta histórias de recuperação da doença da adicção e de dependentes químicos que, de alguma forma, construíram sua história de sucesso.

Digo que talvez eu não possa chamar o livro de meu por que acredito que ele seja mais das pessoas que o construíram. Digo que construíram uma história de sucesso por que a nossa sociedade diz tanto sobre um ideal de pessoa bem-sucedida que de forma alguma consideraríamos uma pessoa que usou drogas a vida inteira, morou na rua e roubou dinheiro da bolsa da mãe como um cidadão pleno e próspero.

Nenhuma criança diz que quer ser adicta quando crescer. Que quer sofrer preconceitos e ver suas possibilidades de vida serem extinguidas rapidamente por uma doença impossibilitante e debilitante, que humilha e rebaixa o ser humano a algo pouco mais do que um animal. Porém, um adicto limpo, um dia que seja, é uma história de sucesso. Para alguém que não ficava 24 horas sem usar nenhum tipo de substância que alterasse a mente, corpo e espírito, não usar é a maior história de uma pessoa bem-sucedida.

Um dos personagens do meu livro (olha aí o pronome possessivo novamente) disse que a vida é feita de momentos, uns bons e outros ruins, uns felizes e outros tristes, e temos que ter o discernimento de enfrascar os momentos bons para que, nas horas difíceis, possamos nos refrescar relembrando do perfume da alegria novamente. Então, meu caro crítico, deixe-me ser feliz com os meus cinco minutos de fama e poder dizer, finalmente, que sextou.

Lucas Jensen

10
out

Apenas o que realmente importa

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Não perco mais meu tempo com coisas que não interessam. Não sofro mais quando alguém não vibra comigo por uma conquista que para mim é importante ou quando não quer ir ao meu restaurante favorito, pois prefere outro. Aprendi a respeitar as diferenças, as individualidades e as preferências de cada um. E isso me fez tão bem! Principalmente porque aprendi a respeitar as minhas vontades também.

Estou sempre disposta a ouvir sobre as angústias e as alegrias dos outros, mas hoje ouço sem opinião ou julgamento. Sei que nem sempre as pessoas querem um conselho, às vezes precisam apenas serem ouvidas. Só expresso a minha opinião quando solicitada.

Ainda tenho uma longa caminhada de aprendizados pela frente, mas fico feliz sempre que percebo que a vida me mostra novas possibilidades para evoluir.  E assim seguimos, aprendendo sempre.

 

Aline Cambuy